INSEGURANÇA

Em apenas seis dias, pelo menos oito mulheres foram vítimas de roubos ou tentativas de assaltos nos arredores da PUC Minas, no Coração Eucarístico, na regional Noroeste de Belo Horizonte. A maioria é estudante da universidade e cobra mais segurança na região. Os bandidos visam principalmente mochilas e celulares. Os casos ocorreram entre a quinta-feira (21) da semana passada e essa terça (26).

Segundo relatos das jovens, os ataques são feitos tanto durante o dia quanto à noite. As vítimas suspeitam que se trata do mesmo ladrão, devido às características físicas. Em pelo menos um dos casos, um comparsa estava em uma moto para ajudar na fuga. Sem o menor constrangimento, os bandidos abordam as mulheres nos pontos de ônibus, gritam ou saem correndo atrás delas na rua.

Um dos assaltos foi flagrado pela câmera de segurança de um prédio em frente à PUC, na rua Dom José Gaspar, em plena luz do dia, por volta de 12h. A estudante de 24 anos, que mora há apenas uma semana no edifício, estava abrindo o portão para entrar quando foi atacada pelas costas, nessa terça-feira. 

“Eu estava com uma mochila nas costas, com o notebook dentro. Ele tentou puxar, mas não conseguiu”, relata a vítima, que acabou caindo no chão após o embate com o criminoso.  

Conforme a jovem, o suspeito ainda tentou roubar o celular que estava em uma das mãos dela. Sem conseguir, o homem fugiu e pulou em uma moto, que saiu em disparada.

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Vítima de um dos assaltos mostra machucado após ser atacada por bandido

(Arquivo pessoal)
 

“Ele correu atrás da minha colega”

Outra vítima, de 19 anos, relatou que sofreu uma tentativa de roubo em um ponto de ônibus na rua Dom Lúcio Antunes - que fica a três quarteirões da PUC. A jovem tinha acabado de sair da universidade. O caso ocorreu no último sábado (23), por volta das 17h.

“Estava sentada conversando com uma colega quando um homem sentou ao meu lado e segurou meu braço. Ele disse ‘me passa o celular que estava na sua mão agora’. Eu levantei e falei que não”, relatou a estudante.

Conforme a mulher, neste momento a colega que a acompanhava saiu correndo, sendo perseguida pelo suspeito.
“Ele foi atrás dela, mas desistiu de tentar nos roubar e saiu correndo reto”. A vítima também correu, mas acabou caindo e batendo a cabeça. Por sorte, não se machucou.

“Me mandou calar a boca e passar o celular”

Uma terceira vítima, de 23 anos, também aluna da PUC, foi atacada em frente à portaria do Museu de Ciências Naturais, na última quinta-feira (21), às 20h. Segundo a mulher, o homem estava sozinho quando a abordou na rua. “Me mandou calar a boca e passar o celular. Eu segurei o aparelho bem forte e falei ‘não vai roubar não’. Aí eu caí, ele caiu por cima de mim e ficou tentando pegar o telefone”, conta a estudante.

De acordo com a universitária, ao perceber que alguém andava pela rua, o homem desistiu do roubo e fugiu. 

O que dizem a PUC e a polícia

A PUC Minas informou que "o aumento de ocorrências de assaltos nas ruas do entorno do Campus Coração Eucarístico não é corroborado pela Polícia Militar, que garante que tal elevação não é verdadeira". No entanto, a universidade solicitou ao 34º Batalhão da PM, que atende ao bairro, a ampliação do patrulhamento na região.

A corporação foi procurada, mas não se pronunciou. Já a Polícia Civil (PC) informou que investiga os casos relatados, com o objetivo de identificar e localizar os responsáveis pelos crimes.

A PC reforçou a importância de a vítimas acionarem imediatamente a Polícia Militar e recomenda a estudantes, moradores e comerciantes da região que adotem medidas preventivas.

"Manter atenção constante ao entorno, evitar exibir objetos de valor em público, não transitar por áreas mal iluminadas e, sempre que possível, optar por caminhadas em locais movimentados. Além disso, orienta-se cautela quanto ao estacionamento de veículos", diz a PC.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais oficiais, como o telefone 181. 

*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca