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A flexibilização nas leis que regulam a posse e o porte de armas no país foi uma das principais bandeiras na campanha de Jair Bolsonaro. O principal argumento é que a população armada inibe a criminalidade. Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que o governo federal vem cumprindo com a promessa, tendo já publicado 31 alterações na política de acesso a armas no Brasil desde janeiro de 2019, todas na direção de facilitar a aquisição ou registro de armamentos. Para Frederico Marinho, pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, o número de crimes violentos em Minas e no Brasil, de fato, apresentou queda nos últimos anos, mas não existe nenhuma pesquisa que associe a queda à disparada no número de armas. Para ele, inclusive, o mais provável, inclusive, é que o aumento da circulação de armas cause o efeito contrário. “O risco de armar as pessoas é elas cometerem crimes. Usar a arma em violência doméstica, vizinhos, familiares e até desconhecidos no trânsito”, justifica.
Arte HD / N/A

(Arte HD)
A maior facilidade na aquisição e registro aqueceu o mercado de armas como não se via há décadas. Com 140 anos de mercado armamentício, a Casa Salles, no centro de BH, diz só não estar vendendo mais que na década de 1950. “Desde a Ditadura Militar até o governo Dilma, houve uma perseguição às armas. Vendia uma a quatro por ano, a maioria para policiais. Com Bolsonaro, as vendas deslancharam”, diz Guilherme Salles, herdeiro do negócio. O empresário estima um aumento de 220% nas vendas em relação aos últimos 20 anos. A arma mais vendida no local, uma pistola calibre 9 mm de fabricação nacional, custa em torno de R$ 4.000.
No Grupo Protect, que abrange venda de armas, curso de tiros e serviços de despachante de armas, a procura pelo curso de um dia de prática de tiro também cresceu nos últimos anos, puxada sobretudo pelo incremento no número de mulheres inscritas, que chegou a registrar aumento anual de 30%. Mas a maior parte da clientela ainda é formada por homens de classe média e alta. “A alta carga de impostos faz com que as armas ainda sejam muito caras e isso prejudica o acesso de outras classes à defesa pessoal”, afirma o proprietário Antônio Carlos Jr.
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A flexibilização nas leis que regulam a posse e o porte de armas no país foi uma das principais bandeiras na campanha de Jair Bolsonaro. O principal argumento é que a população armada inibe a criminalidade. Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que o governo federal vem cumprindo com a promessa, tendo já publicado 31 alterações na política de acesso a armas no Brasil desde janeiro de 2019, todas na direção de facilitar a aquisição ou registro de armamentos. Para Frederico Marinho, pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da UFMG, o número de crimes violentos em Minas e no Brasil, de fato, apresentou queda nos últimos anos, mas não existe nenhuma pesquisa que associe a queda à disparada no número de armas. Para ele, inclusive, o mais provável, inclusive, é que o aumento da circulação de armas cause o efeito contrário. “O risco de armar as pessoas é elas cometerem crimes. Usar a arma em violência doméstica, vizinhos, familiares e até desconhecidos no trânsito”, justifica.
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A maior facilidade na aquisição e registro aqueceu o mercado de armas como não se via há décadas. Com 140 anos de mercado armamentício, a Casa Salles, no centro de BH, diz só não estar vendendo mais que na década de 1950. “Desde a Ditadura Militar até o governo Dilma, houve uma perseguição às armas. Vendia uma a quatro por ano, a maioria para policiais. Com Bolsonaro, as vendas deslancharam”, diz Guilherme Salles, herdeiro do negócio. O empresário estima um aumento de 220% nas vendas em relação aos últimos 20 anos. A arma mais vendida no local, uma pistola calibre 9 mm de fabricação nacional, custa em torno de R$ 4.000.
No Grupo Protect, que abrange venda de armas, curso de tiros e serviços de despachante de armas, a procura pelo curso de um dia de prática de tiro também cresceu nos últimos anos, puxada sobretudo pelo incremento no número de mulheres inscritas, que chegou a registrar aumento anual de 30%. Mas a maior parte da clientela ainda é formada por homens de classe média e alta. “A alta carga de impostos faz com que as armas ainda sejam muito caras e isso prejudica o acesso de outras classes à defesa pessoal”, afirma o proprietário Antônio Carlos Jr.