Pedido de socorro

Sete hospitais 100% SUS de Belo Horizonte alertam para risco de colapso financeiro e assistencial diante do atraso nos repasses da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). A dívida acumulada, segundo as unidades filantrópicas, está estimada em R$ 100 milhões. Um pagamento parcial, de cerca de 25% do valor devido, teria sido realizado na terça-feira (6), mas as instituições afirmam que a falta de regularidade e de critérios claros na liberação dos recursos pode comprometer salários, compra de insumos e a continuidade do atendimento à população.

Em nota conjunta - assinada por Federassantas, Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), Santa Casa BH e os hospitais Sofia Feldman, da Baleia e Mário Penna -, as unidades de saúde informam que operam sob forte pressão financeira, com atrasos significativos a fornecedores e prestadores de serviços, cenário que pode atingir diretamente os trabalhadores da saúde. As unidades reforçam que não há mais margem operacional ou financeira para absorver novos atrasos sem impactos imediatos à assistência.

Diante da gravidade do quadro, a Secretaria Municipal de Saúde convocou uma reunião emergencial com a Federassantas e dirigentes das instituições afetadas. Os hospitais confirmaram presença e afirmam que esperam informações concretas sobre a quitação integral da dívida e sobre a regularização do fluxo de repasses.

As instituições reafirmam o compromisso histórico com o SUS, mas alertam que a continuidade dos atrasos pode provocar repercussões imediatas sobre trabalhadores e pacientes, especialmente em um cenário de dificuldade crescente para aquisição de insumos essenciais.

Importância dos filantrópicos na rede SUS-BH

Os hospitais filantrópicos 100% SUS respondem por mais de 70% dos atendimentos de alta complexidade na rede pública de Belo Horizonte e por cerca de metade da produção hospitalar geral do município, segundo dados informados pelas próprias instituições.

Repasses aos filantrópicos

O Ministério da Saúde anunciou um repasse de R$ 1 bilhão para santas casas e hospitais filantrópicos de todo o país, em parcela única, como parte de um novo modelo de financiamento do setor. O recurso será transferido aos fundos estaduais e municipais de saúde, com previsão de execução a partir de janeiro, e prevê reajuste dos valores pagos por procedimentos do SUS. As instituições aguardam esclarecimentos sobre como esses recursos podem impactar a situação local.

A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para questionar os critérios do pagamento parcial, o cronograma de regularização da dívida e os encaminhamentos esperados da reunião emergencial, mas aguarda resposta.

Já a Secretaria de Estado de Saúde informou que os repasses a instituições filantrópicas são realizados via Fundo Municipal de Saúde, e que estão todos em dia.

"Desde 2019, os repasses estaduais ao Fundo Municipal de Saúde de Belo Horizonte cresceram de forma significativa, passando de R$R$ 263 milhões em 2018 para R$ 868,5 milhões em 2024. Em 2025, até agosto, já foram transferidos R$ 782,7 milhões. No total, os repasses ao município superam R$ 4,3 bilhões no período", informou a SES.