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Caeté, Nova União, Sabará e Santa Luzia – O histórico de desastres nas vias que cruzam Minas Gerais e levam a outros estados trouxe notoriedade a estradas como a BR-381, que em seu segmento Norte a partir de BH carrega o título de “Rodovia da Morte”, ou a BR-040 e a BR-116, que a seguem com altos índices de vítimas. Mas, em um estado extenso e cortado por inúmeros caminhos secundários, são pouco conhecidos para a maioria os perigos e condições de estradas vicinais ou locais a caminho de sítios, cachoeiras ou outras atrações turísticas em lugarejos do interior.
Para mostrar condições e riscos em alguns desses acessos, muitos deles por estradas em leito natural, rumo a um churrasco no fim de semana, a um acampamento ou à pescaria com amigos, a equipe de reportagem do Estado de Minas levantou informações e percorreu vias estaduais ou locais em municípios a um raio de aproximadamente 100 quilômetros a partir da Praça 7, no Centro de Belo Horizonte.
Foram consideradas rodovias, estradas vicinais, rotas por sítios, fazendas, chácaras, acessos locais e povoados, entre outros tipos de vias (confira na página ao lado), desde movimentadas e sinuosas, como a MG-435 (Caeté) e a MGC-262 (Sabará/Caeté), até percursos menos procurados, mas também com seus riscos e armadilhas.
De fato, os dados mostram que, mesmo onde não há movimento comparável ao das principais BRs, perigos estão presentes. Tanto que os sinistros em rodovias estaduais e municipais mineiras no perímetro avaliado aumentaram, ainda que discretamente, passando de 7.622, em 2024, para 7.766, em 2025, uma alta de 2%, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Por outro lado, o total de mortes caiu 6%, de 122 para 115 em igual período, enquanto o número de feridos aumentou 5%, de 2.324 para 2.441 vítimas.
Qual MG é a mais letal?
A rodovia que mais matou nesse raio de 100 quilômetros a partir do Centro da capital foi a MG-424, em Vespasiano, na Grande BH, onde 123 sinistros custaram a vida de sete pessoas e deixaram outras 56 feridas somente em 2025. Na sequência, a MG-050, em Itaúna, a MG-431, no mesmo município da região Centro-Oeste, e a MG-436, em Barão de Cocais, na Região Central, tiveram cada uma seis mortes no ano passado. A MG-010, em Vespasiano, rota para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves e para destinos como a Serra do Cipó, foi a que mais computou sinistros, com 379 ocorrências.
As estradas locais também registraram aumento de sinistros de 2024 para 2025, segundo a Sejusp. Foram 3% mais ocorrências, passando de 901 para 926. As mortes se mantiveram em oito vítimas nos dois anos, enquanto o quantitativo de feridos subiu 5%, aumentando de 2.324 para 2.441.
Em 2025, oito dessas vias registraram uma morte cada em desastres automobilísticos. A mais violenta foi a Estrada Deputado Luiz Menezes, em Itabira, na Região Central. Esse segmento da rodovia MG-129 que liga o município à BR-381 teve também seis sinistros e três pessoas feridas.
A estrada de Cachoeira do Campo a Glaura, em Ouro Preto, também com um óbito, teve registro de dois feridos em dois sinistros, enquanto na Estrada São José de Almeida/Jaboticatubas ocorreu uma morte e uma vítima de ferimentos nos seis sinistros registrados.
Brumadinho, na Grande BH, aparece na sequência, com quatro sinistros, um morto e um ferido, na Estrada Nair Martins Drumond, que liga a BR-040, Condomínio Retiro do Chalé e o Bairro Palhano; e 10 sinistros com um óbito na Estrada Alberto Flores, próximo à Mina Córrego do Feijão, onde o rompimento de barragem matou 272 pessoas em 2019.
Abismos e curvas fechadas
Rodovias como a MGC-262, entre Sabará e Caeté, na Grande BH, se destacam nesse levantamento como rotas de turismo e acesso a destinos rurais, mas também escondem riscos como curvas fechadas em altitudes que chegam a 1.070 metros de elevação, beirando precipícios entre 35 metros a quase 100 metros de profundidade. De 2022 a 2025, a via registrou 401 sinistros, oito mortes e 509 feridos.
Depois da Rodoviária de Sabará, no sentido Caeté, a estrada tem quebra-molas e sentidos separados e em níveis diferentes. Mas oficinas, quintais, entradas de moradias e garagens ficam a poucos metros da margem da pista. Até os pontos de ônibus se espremem entre o asfalto e as paredes de casas ou barrancos. Na área urbana mais densa, muitos buracos se tornam, com a chuva, poças com profundidade de até meio pneu de um carro de passeio.
Comboio na pista
No Km 293, a estrada atravessa o Rio Sabará. No Distrito de Gaia, rumo ao Bairro Pompéu, o trânsito de carretas se intensifica. Por vezes, se formam filas longas devido à falta de pontos para ultrapassagens dos veículos pesados de carga, em velocidade lenta sobretudo nas subidas fortes e curvas fechadas.
Nesse trecho não há acostamento ou separação entre as vias de fluxo oposto. O asfalto da pista de rolamento termina diretamente em valas ou nos guard rails. De um lado, precipícios que levam ao vale do Ribeirão do Gaia e do outro o corte dos barrancos da serra em ângulo de praticamente 90 graus.
Depois do acesso a Pompéu, já nos terrenos onde se veem sirenes de alerta em caso de rompimento de barragens de mineração, começam a aparecer sinalizações. Ou o que resta delas: algumas faixas ainda visíveis no centro da pista e um ou outro tachão demarcando o limite da via. O asfalto apresenta muitos remendos, depressões, trincas e desgaste.
Duas carretas não passam ao mesmo tempo em muitas das curvas mais perigosas e estreitas, obrigando o motorista em um dos sentidos a parar para dar passagem a grandes e longos veículos. Mais ágeis, motociclistas se arriscam em ultrapassagens nos trechos de faixa contínua a todo momento, inclusive em pontos de curva e sem visibilidade.
Vários setores das drenagens estão destruídos. Seu fragmentos se esparramam no que resta das valas de escoamento, represando a água da chuva que flui diretamente para a via.
Os pontos com mais registros de sinistros são curvas, sendo a pior delas no Km 289, com 57 ocorrências – um declive acentuado beirando precipício e que termina em curva fechada. Muitas vezes, a única saída para evitar a perda de controle de quem desce é desviar para a pista contrária, arriscando um choque de frente, colisão contra o barranco ou um voo pela ribanceira.
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Caeté, Nova União, Sabará e Santa Luzia – O histórico de desastres nas vias que cruzam Minas Gerais e levam a outros estados trouxe notoriedade a estradas como a BR-381, que em seu segmento Norte a partir de BH carrega o título de “Rodovia da Morte”, ou a BR-040 e a BR-116, que a seguem com altos índices de vítimas. Mas, em um estado extenso e cortado por inúmeros caminhos secundários, são pouco conhecidos para a maioria os perigos e condições de estradas vicinais ou locais a caminho de sítios, cachoeiras ou outras atrações turísticas em lugarejos do interior.
Para mostrar condições e riscos em alguns desses acessos, muitos deles por estradas em leito natural, rumo a um churrasco no fim de semana, a um acampamento ou à pescaria com amigos, a equipe de reportagem do Estado de Minas levantou informações e percorreu vias estaduais ou locais em municípios a um raio de aproximadamente 100 quilômetros a partir da Praça 7, no Centro de Belo Horizonte.
Foram consideradas rodovias, estradas vicinais, rotas por sítios, fazendas, chácaras, acessos locais e povoados, entre outros tipos de vias (confira na página ao lado), desde movimentadas e sinuosas, como a MG-435 (Caeté) e a MGC-262 (Sabará/Caeté), até percursos menos procurados, mas também com seus riscos e armadilhas.
De fato, os dados mostram que, mesmo onde não há movimento comparável ao das principais BRs, perigos estão presentes. Tanto que os sinistros em rodovias estaduais e municipais mineiras no perímetro avaliado aumentaram, ainda que discretamente, passando de 7.622, em 2024, para 7.766, em 2025, uma alta de 2%, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Por outro lado, o total de mortes caiu 6%, de 122 para 115 em igual período, enquanto o número de feridos aumentou 5%, de 2.324 para 2.441 vítimas.
Qual MG é a mais letal?
A rodovia que mais matou nesse raio de 100 quilômetros a partir do Centro da capital foi a MG-424, em Vespasiano, na Grande BH, onde 123 sinistros custaram a vida de sete pessoas e deixaram outras 56 feridas somente em 2025. Na sequência, a MG-050, em Itaúna, a MG-431, no mesmo município da região Centro-Oeste, e a MG-436, em Barão de Cocais, na Região Central, tiveram cada uma seis mortes no ano passado. A MG-010, em Vespasiano, rota para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves e para destinos como a Serra do Cipó, foi a que mais computou sinistros, com 379 ocorrências.
As estradas locais também registraram aumento de sinistros de 2024 para 2025, segundo a Sejusp. Foram 3% mais ocorrências, passando de 901 para 926. As mortes se mantiveram em oito vítimas nos dois anos, enquanto o quantitativo de feridos subiu 5%, aumentando de 2.324 para 2.441.
Em 2025, oito dessas vias registraram uma morte cada em desastres automobilísticos. A mais violenta foi a Estrada Deputado Luiz Menezes, em Itabira, na Região Central. Esse segmento da rodovia MG-129 que liga o município à BR-381 teve também seis sinistros e três pessoas feridas.
A estrada de Cachoeira do Campo a Glaura, em Ouro Preto, também com um óbito, teve registro de dois feridos em dois sinistros, enquanto na Estrada São José de Almeida/Jaboticatubas ocorreu uma morte e uma vítima de ferimentos nos seis sinistros registrados.
Brumadinho, na Grande BH, aparece na sequência, com quatro sinistros, um morto e um ferido, na Estrada Nair Martins Drumond, que liga a BR-040, Condomínio Retiro do Chalé e o Bairro Palhano; e 10 sinistros com um óbito na Estrada Alberto Flores, próximo à Mina Córrego do Feijão, onde o rompimento de barragem matou 272 pessoas em 2019.
Abismos e curvas fechadas
Rodovias como a MGC-262, entre Sabará e Caeté, na Grande BH, se destacam nesse levantamento como rotas de turismo e acesso a destinos rurais, mas também escondem riscos como curvas fechadas em altitudes que chegam a 1.070 metros de elevação, beirando precipícios entre 35 metros a quase 100 metros de profundidade. De 2022 a 2025, a via registrou 401 sinistros, oito mortes e 509 feridos.
Depois da Rodoviária de Sabará, no sentido Caeté, a estrada tem quebra-molas e sentidos separados e em níveis diferentes. Mas oficinas, quintais, entradas de moradias e garagens ficam a poucos metros da margem da pista. Até os pontos de ônibus se espremem entre o asfalto e as paredes de casas ou barrancos. Na área urbana mais densa, muitos buracos se tornam, com a chuva, poças com profundidade de até meio pneu de um carro de passeio.
Comboio na pista
No Km 293, a estrada atravessa o Rio Sabará. No Distrito de Gaia, rumo ao Bairro Pompéu, o trânsito de carretas se intensifica. Por vezes, se formam filas longas devido à falta de pontos para ultrapassagens dos veículos pesados de carga, em velocidade lenta sobretudo nas subidas fortes e curvas fechadas.
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Duas carretas não passam ao mesmo tempo em muitas das curvas mais perigosas e estreitas, obrigando o motorista em um dos sentidos a parar para dar passagem a grandes e longos veículos. Mais ágeis, motociclistas se arriscam em ultrapassagens nos trechos de faixa contínua a todo momento, inclusive em pontos de curva e sem visibilidade.
Vários setores das drenagens estão destruídos. Seu fragmentos se esparramam no que resta das valas de escoamento, represando a água da chuva que flui diretamente para a via.
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