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Estrutura da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, tem movimentação de quatro centímetros

15/05/2019 19h00 - Atualizado em 15/05/2019 19h07 por Juliana Baeta/ Hoje em Dia


gongo.jpgMina do Gongo Soco está no nível 3 de risco de rompimento/ Google Street View/Reprodução /

 

Com uma movimentação de quatro centímetros em um talude no complexo minerário de Gongo Soco, da Vale, em Barão de Cocais, a estrutura pode se romper a qualquer momento. Segundo o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, isso pode ser um gatilho para que a barragem Sul Superior, que "segura" 4,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e está localizada a cerca de um quilômetro e meio do talude, venha a se romper. 

"A barragem Sul Superior de Gongo Soco continua no nível 3 de risco. Foi percebida uma deformação de aproximadamente quatro centímetros no talude, que está sendo monitorado. Se houver um rompimento do talude ele vai carrear diretamente para dentro da cava. Em um primeiro momento isso não implica no rompimento da barragem, mas por meio de uma vibração ou pequeno abalo sísmico, pode ser um gatilho para que a barragem se rompa", explica. 

O talude é um plano de terreno inclinado que limita um aterro e tem como função garantir a estabilidade do aterro.  A situação da barragem Sul Superior é considerada instável desde o dia 22 de março, quando seu nível de alerta foi elevado para 3, grau máximo de risco para barragens no que se refere à situação de iminência ou ocorrência de rompimento. 

Mas mesmo antes da elevação do nível de risco de 2 para 3, as comunidades que seriam atingidas pela lama de rejeitos em caso de rompimento já haviam sido evacuadas. No dia 8 de fevereiro, 14 dias após a tragédia em Brumadinho, cerca de 500 pessoas residentes nas comunidades de Socorro, Tabuleiro, Gongo Soco e Piteiras foram desalojadas por conta do acionamento do Plano de Ação de Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM).

Segundo a Vale, a mineradora está avaliando as possibilidades de eventuais impactos sobre a barragem. As autoridades competentes foram envolvidas para também avaliarem a situação e, em caso de necessidade, definirem as medidas preventivas a serem tomadas. A cava e a barragem são monitoradas 24 horas por dia, de acordo com a empresa.

As informações da Defesa Civil sobre a situação do talude em Gongo Soco foram repassadas durante a coletiva em Itabira, que tratava do simulado pelo qual os moradores irão passar em junho.