Mobilidade

Prometida há exatamente um ano, a implantação da "Faixa Azul" - corredores de trânsito só para motos - nas vias de Belo Horizonte deve "sair do papel". O espaço exclusivo para motociclistas foi confirmado na Via Expressa (avenida Juscelino Kubitschek), após a Teresa Cristina, se estendendo até o acesso ao bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste.

A informação foi dada pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), nesta terça-feira (28). Apesar de confirmar o projeto, Damião não revelou a data de implementação das "motofaixas". A decisão foi consolidada após reunião, por videoconferência, entre o prefeito e o ministro dos Transportes, George Santoro. 

"Temos que respeitar as regras e as leis. Então, estamos na fila, porque são muitas cidades pedindo a Faixa Azul. O ministro me falou isso ontem (segunda), mas agora é a vez de Belo Horizonte. A implementação agora é bem rápido, não tem nada muito demorado não", afirmou. 

Faixa Azul só com aval do Senatran

De acordo com Damião, a autorização federal era o passo que faltava para tirar a proposta do papel, uma vez que intervenções desse tipo exigem o aval da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) por estarem vinculadas ao Código de Trânsito Brasileiro.

"Nós queremos regularizar isso para que o motociclista perceba que agora ele tem aquela faixa para ele. Não haverá mais necessidade de estar um na direita, outro no centro e outro em outro corredor", explicou Damião. 

Procurado pelo Hoje em Dia, o Ministério dos Transportes informou que o ato que autoriza a implantação da "Faixa Azul" em Belo Horizonte deve ser publicado nesta quarta-feira (29).

O Hoje em Dia entrou em contato com a BHTrans para ter mais detalhes, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. 

Instalação na Via Expressa é válida, mas na Cristiano Machado, não 

No Brasil, as faixas exclusivas para motocicletas não estão previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A autorização provisória depende do aval da Senatran - o que ocorreu agora em Belo Horizonte. Cidades como São Paulo já adotaram o modelo.

Conforme o Hoje em Dia tem mostrado, especialistas em tráfego reforçam que as análises devem ser criteriosas, levando em conta sempre as dimensões das vias. O consultor em transporte e trânsito, Osias Baptista, avalia que o mecanismo funciona bem na capital paulista justamente por isso.

“Tem de se verificar as dimensões das avenidas em BH, para ver se cabe, e compatibilizar com os projetos de faixa exclusiva de ônibus. Possivelmente, na Via Expressa, Antônio Carlos, Pedro I e Andradas seja possível. Nas avenidas Cristiano Machado, Pedro II e Amazonas, dificilmente”, destacou. 

Osias, que também é motociclista, afirma que a Faixa Azul pode ajudar a reduzir os índices de acidentes em BH, mas também depende dos cuidados tomados pelos pilotos. “Uma questão importante em BH é que praticamente não existe fiscalização de comportamento dos motociclistas, que se sentem à vontade para infringir todas as regras, o que causa grande parte dos acidentes”.