A bebida “queridinha” dos mineiros – e a mais tradicional do país, tem se destacado na gastronomia e até mesmo participa de roteiros turísticos, saindo do modelo arcaico em que era produzida e comercializada para um novo molde de negócio e, até mesmo, marketing.

Com a necessidade de mudança de postura do produtor para atender a demanda crescente, o Sistema FAEMG lançou o Programa de Assistência Técnica Gerencial (ATeG) Cachaça. A turma começou o processo no final da safra de 2021, já com o objetivo de aprender sobre gestão e empreendedorismo rural. Além disso, recebeu gratuitamente apoio na condução do planejamento financeiro e operacional das propriedades, aprimorando as práticas de produção.

O técnico de campo que acompanha o grupo, Eduardo Henrique Novy Vidal, relatou que as maiores dificuldades encontradas durante o atendimento foram “as vias de acesso, o baixo conhecimento técnico dos empresários rurais e a falta de recursos de fomento para os investimentos fundamentais à lucratividade dos negócios”.


Mesmo assim, o grupo segue motivado para continuar, como contou o produtor Isnaldo dos Santos, da Cachaça Tesourinha, que representa a terceira geração da propriedade. “Passamos dificuldades em adequação e, por muito tempo, ficamos sem assistência. Embora seja a minha principal atividade no campo, demorei muito para procurar assistência, mas com o ATeG já melhorei o meu jeito de trabalhar. Tudo tem dado certo”, contou o produtor, que comemora o crescimento gradual do negócio. “Comecei a vender a granel, evoluí para a etiqueta e agora já tenho o meu rótulo e registrei a marca”.

As evoluções não ocorreram apenas no marketing e na gestão do CNPJ. De acordo com o técnico de campo, “a maioria dos produtores já busca atualização em equipamentos e a implantação de canaviais produtivos com mudas pré-brotadas e selecionadas, para atingir níveis muito superiores de produção e qualidade obtidos na média nacional”.

“As coisas vão acontecendo e quero inovar sempre mais, levando adequação tecnológica e incentivando produtores de cachaça em Araçuaí e outros municípios. A oportunidade de ter um profissional apontando os problemas e soluções é um diferencial. O ATeG está comigo dentro da fábrica”, festejou Isnaldo.

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O técnico Eduardo Vidal com o produtor Flaviano


Diretamente de Salinas, “a capital da Cachaça”, Flaviano da Cruz também participa do grupo dos 20 atendidos e gerencia a cachaça Sabinosa. O produtor está ativo na atividade por sucessão familiar, iniciada após a morte do pai, Sabino Pinto de Souza, empresário rural da cachaça desde 1990. “O programa foi de muita importância pra mim e chegou logo após a partida do meu pai. Eu não tinha muitas informações sobre o andamento do negócio e em pouco tempo de ATeG adquiri conhecimento e aprimorei detalhes do que já estava sendo executado”.

“O projeto piloto ATeG Agroindústria - Cachaça atende, atualmente, quatro municípios: Salinas, Francisco Sá, Araçuaí e Novorizonte. Apesar de ainda não termos concluído a primeira turma, é nítida a evolução das propriedades, que saem da informalidade para alçar vôos mais promissores. É mais tecnologia, inovação, qualidade para o paladar de quem aprecia e dinheiro no bolso para quem investe”, finalizou o gerente regional do Sistema FAEMG em Araçuaí, Luiz Rodolfo Antunes Quaresma.

 

Fonte:faemg.org.br