Brasil247 - Os presidentes Xi Jinping e Donald Trump traçaram uma nova fase para as relações entre China e Estados Unidos, durante reunião em Pequim, com foco em estabilidade estratégica, ampliação da cooperação econômica e administração das diferenças entre as duas potências. Os relatos foram publicados pela agência Xinhua. 

O encontro ocorreu durante a visita de Estado de três dias de Trump à China, a primeira desse tipo em nove anos. A reunião chamou atenção internacional por envolver a relação bilateral que os dois líderes classificaram como a mais importante do mundo atualmente.

Durante as conversas em Pequim, Xi afirmou que a nova visão de “estabilidade estratégica construtiva” deve orientar as relações entre China e Estados Unidos pelos próximos três anos e também no período posterior. O conceito apresentado pelo presidente chinês combina cooperação, competição moderada, gestão de divergências e compromisso com a paz.

Xi definiu essa estabilidade como positiva, com a cooperação no centro; sólida, com competição em nível moderado; constante, com diferenças administráveis; e duradoura, com promessas de paz.

Trump afirmou que pretende trabalhar com Xi para fortalecer a comunicação e a cooperação, lidar adequadamente com as divergências e levar a relação bilateral a um patamar melhor.

No banquete de boas-vindas oferecido a Trump, Xi apresentou uma leitura histórica das relações entre os dois países. Segundo ele, a capacidade de manter respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação de benefício recíproco determina a estabilidade do vínculo entre Pequim e Washington.

“Analisando o curso das relações China-EUA, a questão de podermos ou não ter respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha é a chave para saber se a relação pode avançar de forma estável”, afirmou Xi.

O presidente chinês também defendeu que as duas maiores economias do mundo evitem uma deterioração do diálogo bilateral. “Temos de fazer isso funcionar e nunca bagunçar tudo”, disse Xi.

Segundo ele, China e Estados Unidos ganham quando cooperam e perdem quando entram em confronto.

A agenda econômica ocupou papel central na reunião. Durante as conversas formais, Xi citou a rodada mais recente de negociações comerciais entre autoridades chinesas e norte-americanas e avaliou os resultados como “geralmente equilibrados e positivos”.

“Esta é uma boa notícia para os povos dos dois países e para o mundo”, afirmou Xi.

O presidente chinês pediu que os dois lados preservem o bom momento criado nas negociações. Para Pequim, a manutenção desse ambiente ajuda a reduzir tensões e abre espaço para novas frentes de cooperação entre empresas, governos e setores produtivos.

O Ministério do Comércio da China afirmou que o país está pronto para trabalhar com os Estados Unidos a fim de ampliar continuamente a lista de cooperação e encurtar a lista de problemas. A declaração reforça o tom adotado por Xi durante a reunião com Trump.

A visita também teve forte presença empresarial. Trump viajou acompanhado por executivos de grandes companhias norte-americanas, entre eles Tim Cook, da Apple, Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla.

Trump chamou os empresários de representantes destacados da comunidade de negócios dos Estados Unidos e incentivou a expansão das relações comerciais com a China.

“Todos eles respeitam e valorizam a China. Eu os incentivo fortemente a ampliar a cooperação com a China”, afirmou Trump.

Os líderes empresariais que acompanharam a comitiva norte-americana avaliaram que a reunião entre Xi e Trump deu novo impulso à cooperação econômica e comercial entre os dois países. Eles também afirmaram que o encontro levou mais previsibilidade à economia mundial.

A presença de nomes ligados a tecnologia, semicondutores, veículos elétricos e inovação reforça o peso da agenda produtiva no diálogo entre Pequim e Washington. Apple, Nvidia e Tesla têm interesses relevantes no mercado chinês e integram cadeias globais que dependem de estabilidade comercial entre as duas maiores economias do planeta.

Xi afirmou que a China seguirá ampliando sua abertura ao exterior e destacou o papel das empresas norte-americanas no processo de reforma e abertura do país.

“A China apenas abrirá ainda mais sua porta”, disse Xi.

O presidente chinês acrescentou que empresas dos Estados Unidos participam profundamente da modernização econômica chinesa e que Pequim recebe com interesse a ampliação da cooperação de benefício mútuo. O encontro em Pequim marcou, assim, uma tentativa de reposicionar as relações China-EUA em bases de diálogo, estabilidade e cooperação econômica.