Brasil247 – Os Estados Unidos não fornecerão mais repasses de ajuda militar a Israel a partir do encerramento deste ano. O anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (3), ao revelar que fechou um acordo sobre o tema diretamente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Durante participação ao vivo no programa Fox and Friends, da emissora Fox News, o líder norte-americano explicou que a nação israelense já não necessita da quantia e ressaltou que a transferência financeira vinha sendo explorada politicamente pela oposição.

“A esquerda usa o pagamento de US$ 4 bilhões, que todo mundo conhece, aliás, não é segredo para ninguém, como um sinal de injustiça, e não podemos permitir que isso aconteça”, criticou o presidente dos EUA na entrevista.

Trump ponderou que o encerramento do auxílio direto não impede a cooperação comercial e a venda de equipamentos militares para a defesa israelense. “Agora, no que diz respeito ao pagamento a Israel, Benjamin Netanyahu [primeiro-ministro israelense] e eu fizemos um acordo para dar a Israel US$ 4 bilhões por ano, e fizemos um acordo meses atrás para interromper esse pagamento”, detalhou. “Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos. Agora, ajudaremos se eles precisarem”, emendou.

A declaração ocorre em meio às votações das eleições legislativas de meio de mandato, momento em que a composição do Congresso norte-americano é renovada e a pressão política sobre os repasses externos se intensifica. A dependência de repasses financeiros vinha sendo relativizada pelo próprio governo israelense. Em maio, em declaração à emissora CBS, Netanyahu projetou que Tel Aviv deixaria de depender do suporte militar norte-americano no prazo de uma década. Em junho, em correspondência enviada a um parlamentar dos EUA, o premiê reforçou que havia chegado o momento de Israel “passar de receptor de ajuda a parceiro”.

A mudança de postura de Washington reflete também a deterioração do apoio popular à causa israelense nos Estados Unidos desde o início do genocídio na Faixa de Gaza, em 2023. O desgaste é expressivo entre a base eleitoral democrata, na qual candidatos críticos a Israel ganham força em disputas internas e parlamentares moderados passam a questionar a política tradicional de alinhamento irrestrito. Levamento feito pela Universidade Quinnipiac em junho apontou que 48% do total de eleitores e 66% dos democratas avaliam que os EUA apoiam Israel excessivamente — patamares expressivamente superiores aos 16% e 20% apurados em 2017.

Não houve manifestação imediata por parte do gabinete de Benjamin Netanyahu sobre os pontos levantados pelo presidente norte-americano. Também não se esclareceu de imediato a qual rubrica orçamentária específica a declaração se referia, dado que o memorando de entendimento em vigor, que baliza a assistência militar dos EUA a Israel, expira apenas em 2028 e tem negociações em andamento sobre seus desdobramentos futuros.

Dados do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA (CRS) indicam que a verba destinada a Israel no ano fiscal de 2025 somou US$ 3,8 bilhões, dividida entre US$ 3,3 bilhões em assistência militar e US$ 500 milhões direcionados a programas de defesa antimísseis.

Ao defender a autonomia financeira de Israel para aquisição de armamentos no mercado norte-americano, Trump reafirmou o potencial da indústria bélica de seu país. “Eles podem comprar o que quiserem. Podem comprar o que quiserem. A Europa também. Nós fabricamos as melhores armas do mundo”, declarou.

“Estávamos dando a eles 4 bilhões, sim, mas o repasse será cortado no final do ano”, reiterou Trump ao finalizar sua argumentação. “Por quê? Porque eles não precisam”.