RÚSSIA

Um tribunal de Moscou iniciou, na segunda-feira (13/3), o julgamento a portas fechadas do opositor russoVladimir Kara-Murza, que pode ser condenado a até 25 anos de prisão por traição, em um novo capítulo da repressão aos críticos do Kremlin.  
 
As autoridades russas intensificaram a perseguição aos opositores do governo de Vladimir Putin desde o início de sua ofensiva na Ucrânia, sendo o caso de Kara-Murza um dos mais emblemáticos. O opositor está em prisão preventiva desde abril de 2022.

Em um mesmo processo, foram apresentadas três acusações: "alta traição", difusão de "informação falsa" sobre o Exército russo, e trabalhar ilegalmente para uma organização considerada "indesejável".

Um dos seus advogados, Vadim Prokhorov, indicou à AFP que o opositor pode pegar até 25 anos de prisão por essas três acusações somadas.

"Voltamos ao período stalinista", denunciou Prokhorov após a audiência dessa segunda, realizada a portas fechadas. A próxima está prevista para a quinta-feira (16/3).

"Por ser um verdadeiro patriota russo, ele é acusado de traição por sua incansável luta por uma Rússia sem Putin", escreveu sua esposa, Yevgenya, no Twitter.

Kara-Murza é opositor de Putin há anos e esteve perto da morte após ser supostamente envenenado em duas ocasiões, em 2015 e 2017, duas tentativas de assassinato das quais ele culpa o regime russo.

Agora ele é acusado por difundir "informação falsa" sobre o Exército depois que, em março de 2022, fez um discurso aos legisladores americanos no Arizona, no qual criticou a ofensiva russa na Ucrânia.

Além disso, desde agosto de 2022, é acusado de colaborar com uma "organização indesejável", delito também punido com prisão, por organizar uma conferência de apoio aos presos políticos na Rússia.

Em outubro, abriram um terceiro processo contra Kara-Murza, que também tem nacionalidade britânica, por "traição", a mais grave das acusações, por ter criticado as autoridades em pronunciamentos no exterior.