HUNGRIA

Nesta segunda-feira (13), o recém-eleito primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, disse que recebeu notificações de que o ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, recentemente acusado de ter transmitido informações confidenciais à Rússia, esta destruindo documentos relacionados com as sanções contra Moscou.

“Eles estão destruindo documentos, e isso não vai ajudá-los, mas isso é apenas para dar um contexto sobre a situação na Hungria”, afirmou, comparando ainda tais tentativas de extinguir registros públicos à antiga era comunista.

Magyar explicou que há diversos documentos legais que a população húngara, ou mesmo ele próprio, desconhecem, incluindo alguns referentes a obrigações internacionais e empréstimos. "Teremos de obter todos os documentos que não foram destruídos para descobrir os detalhes”, acrescentou, garantindo que o seu governo buscará torná-los públicos sempre que possível e sem violar as cláusulas de confidencialidade, a fim de esclarecer as ações da administração anterior.

Sobre a União Europeia, Magyar prometeu manter uma mensagem pró-Europa. “Os húngaros se orgulham da sua identidade europeia e constataram que, independentemente das mentiras da propaganda, a União Europeia é um projeto de paz”, afirmou.

A União Europeia comemorou e saudou a ampla vitória de Magyar, do partido Tisza, nas eleições legislativas da Hungria, realizadas no domingo, que encerrou um ciclo de 16 anos do primeiro-ministro ultranacionalista Viktor Orbán. As autoridades do bloco consideram que a mudança do governo irá reaproximar o país da UE, após anos de embates políticos e diplomáticos.

Magyar também assegurou continuar as negociações com a UE para desbloquear os fundos congelados por Bruxelas no valor de cerca de 20 bilhões de euros, que são as verbas destinadas à Hungria no orçamento do bloco que foram suspensas devido a preocupações graves sobre o retrocesso democrático, corrupção sistemática e violações do Estado de direito no país. O primeiro-ministro eleito indicou que vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir uma nova era para o seu país. "Porque o povo húngaro não votou por uma simples mudança de Governo, mas por uma mudança completa de regime", completou.

O novo primeiro-ministro, além disso, prometeu respeitar o Estado de Direito para restaurar legalidade e defendeu ainda alterar a Constituição para limitar os mandatos do primeiro-ministro e garantiu que Orbán nunca mais se poderá candidatar ao cargo. Uma das medidas que quer implementar é introduzir na Constituição um limite de dois mandatos para o primeiro-ministro. "Não estou aqui para ficar rico nem quero governar para sempre. Queremos um país democrático, com Estado de Direito, onde todos os húngaros possam contar com o país, com a proteção de crianças, respeito pelos idosos, respeito pelo uso de fundos público e a integridade da propriedade privada", destacou.

Magyar apontou que os nomeados do partido Fidesz, de Orbán para lideranças de instituições, como o Supremo Tribunal e o Tribunal Constitucional são fantoches e terem sido nomeados por 12 anos deixa o próximo governo de 'mãos atadas', sendo contra o Estado de Direito. Entretanto, salientou que com a super maioria no parlamento, conquistada pelo seu partido Tisza, terá o poder para transformar o sistema criado por Orbán, cujo governo é acusado de corrupção e violações do Estado de Direito, que levaram a UE a reter os fundos.

A mudança de governo na Hungria é considerada pelos analistas uma "derrota moral" para o regime do líder russo Vladimir Putin, que tinha em Orbán um forte parceiro e defensor da Rússia. A derrota de Viktor Orbán nas eleições de 2026 também é avaliada como um revés político para o presidente dos EUA, Donald Trump, e a extrema-direita norte-americana, uma vez que era seu principal aliado estratégico na Europa e que se alinhava politicamente contra a União Europeia. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou a visitar Budapeste na semana passada manifestando seu apoio e apelando por votos a Orbán.