VENEZUELA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou hoje a criação de uma equipe de assessores nacionais e internacionais que terá a missão de avançar com um projeto de reforma da Constituição que pretende democratizar a sociedade venezuelana.
 
"Criei uma equipe com grandes conselheiros internacionais, grandes conselheiros nacionais, para pensar em conjunto com o nosso povo, numa grande reforma constitucional que democratize ainda mais a sociedade venezuelana e dê poder aos cidadãos, que consolide a liberdade da Venezuela, que consolide a soberania nacional e a soberania popular", declarou.
 
Segundo Maduro, o país terá mais e uma melhor democracia com a participação popular. "Estamos repletos de grandes ideias, estamos imbuídos de um grande sentido de transformações de mudança", prometeu.
 
O presidente venezuelano reiterou e defendeu sua posição política, ao afirmar ainda que é uma mentira a velha filosofia liberal burguesa ocidental de que a democracia depende apenas dos partidos políticos e das campanhas eleitorais, que são um torneio de demagogias, mentiras, enganos e falsas ofertas", defendeu.
 
A atual Constituição do país foi promovida pelo chavismo e aprovada em referendo em 1999. De acordo com a atual legislação, as reformas constitucionais precisam ser ratificadas por voto popular.
 
 A Venezuela realizou eleições presidenciais em dia 28 de julho deste ano e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), sob o controle do governo, atribuiu a vitória a Nicolás Maduro com pouco mais de 51% dos votos.
 
A oposição venezuelana contesta os dados oficiais e alega que o seu candidato, o ex-diplomata Edmundo González Urrutia, atualmente exilado em Espanha, obteve quase 70% dos votos.
 
A oposição e muitos países denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que fossem apresentadas as atas de votação para uma verificação independente. Em novembro passado, os Estados Unidos reconheceram Urrutia como o presidente eleito da Venezuela.
 
Os resultados eleitorais foram contestados nas ruas, com manifestações reprimidas com violência pelas forças de segurança, que registraram, segundo as autoridades, mais de 2.400 detenções, 27 mortos e 192 feridos.