O governo iraniano confirmou hoje que a jornalista italiana Cecilia Sala, de 29 anos, foi detida em Teerã no dia 19 de dezembro por violação da lei islâmica, sem especificar qual o delito, durante uma viagem de trabalho em que tinha um visto de jornalista. Cecilia está na prisão de Evin, em regime de isolamento, porém até o momento não foi acusada de qualquer crime.

Desde então acontecem negociações secretas entre Itália, o Irã e os Estados Unidos para a libertação da jornalista, com pressão da Casa Banca que também pediu a libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros que o regime iraniano usa como "alavanca política".

A agência de noticias estatal iraniana Irna publicou que o caso está agora sendo investigado, segundo um comunicado do ministério iraniano da Cultura. 

Cecilia deveria ter voltado a Roma a 20 de dezembro, mas foi detida na véspera do seu regresso. O Ministério das Relações Exteriores da Itália admitiu a detenção da jornalista na última sexta-feira e informou que ela recebeu a visita da embaixadora italiana no Irã, Paola Amadei, e que pode dar dois telefonemas para seus familiares.  

 “Desde a sua detenção que a diplomacia italiana acompanha a situação de Cecilia e trabalha para trazê-la para casa o mais rapidamente possível através de uma negociação muito delicada, que não é fácil. A nossa embaixadora em Teerã foi ao Ministério das Relações Exteriores do Irã e se encontrou com o vice-ministro da chancelaria do país, que disse que ainda não foi formulada qualquer acusação contra Cecilia. E logo que a justiça informe o Ministério, vamos comunicar com que fundamento foi detida. As coisas são como são, mas notamos uma certa abertura, especialmente no que se refere ao tratamento de Cecilia. O diálogo está aberto. Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para que o prazo seja curto, mas não depende de nós ", avançou o chanceler italiano.

Nos últimos anos, as autoridades iranianas prenderam dezenas de estrangeiros e cidadãos iranianos com dupla nacionalidade, em sua maioria acusados de espionagem e questões relacionadas à segurança do país. Já Washington e os grupos de defesa dos Direitos Humanos acusam Teerã de realizar detenções ilegais para conseguir obter vantagens diplomáticas de outros países, como obter a troca de prisioneiros.

A agência de noticias italiana ANSA e a mídia nacional indicam a hipótese de uma  troca de detidos com o advogado Mohammad Abedini Najafabadi, um cidadão iraniano detido sob mandado norte-americano no dia 16 de dezembro no Aeroporto de Malpensa, em Milão, acusado pelos EUA de conspiração e apoio material ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. De acordo com a ANSA, citando fontes, a suposição de uma troca entre a jornalista italiana e o advogado iraniano parece estar bloqueada até o momento e só se será alcançada com a intervenção dos EUA. 

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