O conflito no Oriente Médio escalou após o Irã declarar que seu principal campo de gás, o South Pars, o maior do mundo, foi atingido por bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e Israel. O South Pars/North Dome é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irã compartilha com o Catar, uma instalação que fornece cerca de 70% do gás natural consumido no Irã.

A partir desta ofensiva, o cenário da guerra e tensões militares ingressou nesta quarta-feira (18) em um novo patamar, com ataques diretos a instalações energéticas de países no Golfo Pérsico, o que causou a disparada dos preços do petróleo e aumentou ainda mais o receio de uma crise global de energia.

Depois do bombardeio a South Pars, o governo de Teerã ameaçou uma guerra econômica total e anunciou que atacaria instalações energéticas no Golfo. O governo iraniano chegou a emitir um alerta de evacuação para várias instalações petrolíferas na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, inclusive na cidade industrial catari de Ras Laffan.

"Planejamos atacar as infraestruturas de combustíveis, energia e gás dos países de onde os ataques foram lançados”, afirmou o Centro de Comando Conjunto, Khatam Al-Anbiya, em comunicado. O Irã acusa os países do Golfo de consentirem que as forças norte-americanas utilizem o seu território para atacá-lo, indicando que se tornaram alvos diretos e legítimos e que seriam alvejados nas próximas horas.

Em resposta, o Irã efetuou um ataque ao Catar, no complexo de Ras Laffan, onde se encontra o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do planeta.

“Alertamos mais uma vez que cometeram um grande erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica, e a resposta a isso já está sendo implementada. Se isto se repetir, retomaremos novos ataques às suas infraestruturas energéticas e à dos seus aliados até que estas sejam completamente destruídas. E a nossa resposta será muito mais severa do que os ataques de hoje”, avisou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

O Ministério do Interior do Catar afirmou que as equipes da Defesa Civil combateram o incêndio causado pelas explosões no local. A Qatar Energy, a empresa estatal e maior produtora de gás natural e petróleo do país, também confirmou a existência de danos extensivos dos mísseis iranianos lançados contra a cidade industrial de Laffan.

O Ministério das Relações Exteriores ordenou a expulsão dos funcionários da embaixada do Irã no país no prazo de 24 horas. A decisão acontece na sequência de repetidos ataques e agressões do Irã contra o Catar, apontou a chancelaria, que acusou Teerã de um flagrante desrespeito pelo direito internacional. “Atingir infraestrutura energética constitui uma grave ameaça à segurança energética global, bem como aos povos da região e ao seu ambiente”, afirmou o porta-voz do governo catari, Majid al-Ansra.

O Catar afirmou que o Irã representa uma ameaça direta à sua segurança nacional e à estabilidade da região após os ataques a Ras Laffan. “O lado iraniano continua com as suas políticas de escalada que estão empurrando a região para o abismo e arrasta os países para o conflito”, declarou o Ministério das Relações Exteriores, acrescentando que o Catar reserva-se o direito de responder e que não hesitará em tomar todas as medidas necessárias para proteger a sua soberania, segurança e a integridade dos seus cidadãos.

Já o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que o Irã também lançou hoje 13 mísseis balísticos e 27 drones contra seu território. Ao todo, desde o começo do conflito, o país já enfrentou 327 mísseis balísticos, 15 mísseis de cruzeiro e 1.699 drones.

A Arábia Saudita disse que interceptou dois drones no seu espaço aéreo que tinham como alvo o bairro diplomático da capital. Além disso, uma instalação diplomática dos EUA, no Iraque, situada junto ao Aeroporto Internacional de Bagda, sofreu ataques de mísseis.

Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que uma estrutura a 350 metros do reator da central nuclear de Bushehr, no Irã, foi atingida e destruída. A central de Bushehr é a única central nuclear em funcionamento no Irã. Mas, segundo o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, não houve danos no reator, nem feridos entre os funcionários.

“Máxima contenção durante o conflito para evitar o risco de um acidente nuclear”, apelou Grossi.

Por sua vez, os serviços de informação norte-americanos concluíram hoje que o Irã não tentou reiniciar as suas atividades de enriquecimento nuclear, destruídas nos ataques conjuntos dos EUA e Israel em junho de 2025, contradizendo os objetivos divulgados pelo presidente Donald Trump para a guerra.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, responsabilizou os EUA e Israel pela guerra e garantiu que o regime iraniano está firme e foi desenhado para resistir.

Ataques no Líbano causam doze mortos

A capital do Líbano voltou a ser alvo de bombardeios israelenses durante a madrugada, que causou pelo menos doze mortos e vinte feridos. Nesta quarta-feira (18), em Beirute, um edifício colapsou após a intensa ofensiva aérea de Israel, que realizou ainda ataques nas travessias do rio Litani, no sul do Líbano, e em outras regiões do país.

Sem aviso prévio aos residentes, outro bombardeio israelense atingiu o bairro densamente povoado de Zoqaq al-Blat, no centro da capital libanesa. Um dos alvos nesta área foi o prédio que abriga uma filial da empresa financeira Al-Qard Al-Hassan, ligada ao grupo pró-Irã Hezbollah. O diretor de programação política da TV al-Manar, afiliada do Hezbollah, também foi morto juntamente com a sua mulher no centro de Beirute. O exército de Israel ainda fez ataques em dois bairros operários vizinhos.

O Ministério da Saúde do Líbano atualizou o número de mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hezbollah, que chegam agora a 968 pessoas, incluindo 116 crianças, 77 mulheres e 40 profissionais de saúde. O ministério anunciou o registro de 2.432 feridos.

Por outro lado, o Irã efetuou ataques em Ramat Gan, onde dois israelenses morreram nesta madrugada. Mas, os bombardeios lançados pelo Irã ainda atingiram várias localidades de Israel, que danificaram um prédio residencial. As forças iranianas utilizaram mísseis de fragmentação, que explodem e libertam fragmentos que atingem tudo o que estiver ao redor.

O aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, foi atingido por destroços de um míssil iraniano. Segundo a Autoridade Aeroportuária de Israel, três aviões privados que aterrissavam no aeroporto sofreram danos graves depois de terem sido atingidos pelos destroços de um míssil iraniano.