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string(8509) "WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Elizabeth Bagley, indicada pelo presidente Joe Biden para ser a nova embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, disse nesta quarta-feira (18) que prevê dificuldades nas eleições no país, em outubro, mas que as instituições brasileiras estão preparadas para resistir a pressões antidemocráticas.
"[O presidente Jair] Bolsonaro tem dito muitas coisas, mas o Brasil tem sido uma democracia, tem instituições democráticas, Judiciário e Legislativo independentes, liberdade de expressão. Eles têm todas as instituições democráticas para realizar eleições livres e justas", respondeu Bagley ao ser questionada sobre o tema durante a sabatina à qual foi submetida no Senado americano.
"Ao longo de 30 anos, monitorei muitas eleições. E eu sei que não será um momento fácil, muito em razão dos comentários [de Bolsonaro]", disse a indicada, em referência às reiteradas falas do presidente brasileiro que buscam colocar em xeque a legitimidade do pleito em caso de uma eventual derrota.
"Apesar desses comentários, há uma base institucional. O que continuaremos a fazer é mostrar nossa confiança e nossa expectativa de que eles terão eleições livres e justas", afirmou Bagley.
Em seu discurso de abertura, a diplomata tocou ainda em outro tema sensível ao governo Bolsonaro e disse que terá como principal bandeira o combate ao desmatamento e aos crimes ambientais no país.
"Uma das minhas maiores prioridades será encorajar esforços para aumentar a ambição climática e reduzir dramaticamente o desmatamento, proteger os defensores [da floresta] e processar crimes ambientais e atos de violência correlatos", afirmou ela.
Desde que Biden assumiu a Presidência, a área ambiental ganhou papel central nas relações dos EUA com o Brasil, e os americanos se uniram a países europeus na pressão internacional para que o governo brasileiro apresente melhores resultados no combate ao desmatamento na Amazônia.
Ela também prometeu agir no combate ao tráfico de animais e na ampliação da transparência do Brasil sobre dados de desmatamento, além de se mostrar preocupada com o fato de que, muitas vezes, os EUA importam mercadorias produzidas em áreas desflorestadas, como soja e carne.
Bagley, 69, terá condições de atuar nessa área principalmente por ter sido assessora de John Kerry -hoje o principal conselheiro de Biden para questões ambientais. Mesmo assim, diplomatas apostam que a principal missão da indicada, caso confirmada para o cargo, será acompanhar as eleições de 2022, nas quais Bolsonaro tentará se reeleger. O governo americano avalia que o pleito tende a ser conturbado.
A maioria das perguntas à indicada foi sobre ambiente e a influência chinesa e russa no Brasil. Bagley disse querer atuar para reduzir essa presença, com ações contrárias ao avanço chinês na tecnologia 5G e pressão sobre o país por mais medidas anti-Moscou, devido à invasão da Ucrânia.
"Eles são parte do Brics [bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], um grupo do qual não é fácil fazer parte neste momento, e foram o único país a apoiar os EUA nas posições sobre Rússia e Ucrânia. Mas continuarei a pressioná-los", disse. A diplomata classificou a atuação do chanceler brasileiro, Carlos França, como "muito moderada" e prometeu ajudar o país a buscar novas formas de obter fertilizantes, já que grande parte do insumo utilizado pelo agronegócio no Brasil vem da Rússia.
A questão do fornecimento da tecnologia 5G por companhias chinesas foi citada ao menos duas vezes, ao que a indicada reagiu dizendo que os EUA vêm pedindo para o país analisar as implicações de trabalhar com a chinesa Huawei como fornecedor único. "Estamos os encorajando a terem múltiplos fornecedores."
Nomeada em janeiro, ela esperou quatro meses pela sabatina e ainda precisa do aval da Comissão de Relações Exteriores e da aprovação do Senado em votação no plenário. No início da audiência, senadores ressaltaram a importância de tê-la no Brasil a tempo do pleito de outubro, mas não há previsão para que a Casa confirme a indicação. À reportagem na saída da sabatina Bagley disse não saber quando tomará posse.
As escolhas de Biden têm enfrentado demora para serem chanceladas pelo Legislativo. A embaixadora nomeada para o Chile, Bernadette Meehan, foi indicada em julho de 2021, sabatinada em março de 2022 e ainda não teve a confirmação votada pelo Senado. Já o embaixador para a Argentina, Marc Stanley, foi indicado em agosto de 2021, sabatinado em outubro e confirmado pelo plenário da Casa em dezembro.
A possível futura embaixadora no Brasil nasceu em Elmira, no estado de Nova York, e é doadora de longa data do Partido Democrata. Bagley trabalhou nas áreas de diplomacia e advocacia por décadas, tendo sido assessora-sênior de três secretários de Estado: John Kerry e Hillary Clinton, ambos na gestão de Barack Obama, e Madeleine Albright, no governo de Bill Clinton. Ela também foi representante especial para a Assembleia-Geral das Nações Unidas e para Parcerias Globais, além de embaixadora em Portugal.
Atualmente, é dona de uma empresa de comunicação e celulares no Arizona.
Enquanto a nomeação de Bagley não é confirmada, a representação americana em Brasília é chefiada interinamente por Douglas Koneff. O Brasil está sem embaixador pleno dos EUA desde meados de 2021, quando o diplomata Todd Chapman, que ocupava o posto, anunciou sua aposentadoria.
Chapman investiu durante a gestão de Donald Trump (2017-2021) em uma forte aproximação com Bolsonaro e figuras-chave do entorno do presidente, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Com a derrota do republicano para o atual líder americano, os laços estreitos com o bolsonarismo tornaram-se um problema. Auxiliares de Biden afirmam que o embaixador não tinha o perfil do novo governo, o que pesou para a aposentadoria do diplomata.
Até agora, os presidentes Biden e Bolsonaro não conversaram por telefone nem tiveram nenhuma reunião bilateral. Há a possibilidade de que um encontro ocorra durante a próxima Cúpula das Américas, marcada para o começo de junho, em Los Angeles. O líder brasileiro, no entanto, ainda não confirmou presença, e autoridades americanas tentam convencê-lo a ir ao evento.
A Comissão de Relações Exteriores do Senado é chefiada pelo democrata Bob Menendez e tem 11 integrantes de cada partido. Na mesma sessão desta quarta, foram sabatinadas os indicados para os cargos de embaixador dos EUA em Belize, Panamá e na OEA (Organização dos Estados Americanos).
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"Ao longo de 30 anos, monitorei muitas eleições. E eu sei que não será um momento fácil, muito em razão dos comentários [de Bolsonaro]", disse a indicada, em referência às reiteradas falas do presidente brasileiro que buscam colocar em xeque a legitimidade do pleito em caso de uma eventual derrota.
"Apesar desses comentários, há uma base institucional. O que continuaremos a fazer é mostrar nossa confiança e nossa expectativa de que eles terão eleições livres e justas", afirmou Bagley.
Em seu discurso de abertura, a diplomata tocou ainda em outro tema sensível ao governo Bolsonaro e disse que terá como principal bandeira o combate ao desmatamento e aos crimes ambientais no país.
"Uma das minhas maiores prioridades será encorajar esforços para aumentar a ambição climática e reduzir dramaticamente o desmatamento, proteger os defensores [da floresta] e processar crimes ambientais e atos de violência correlatos", afirmou ela.
Desde que Biden assumiu a Presidência, a área ambiental ganhou papel central nas relações dos EUA com o Brasil, e os americanos se uniram a países europeus na pressão internacional para que o governo brasileiro apresente melhores resultados no combate ao desmatamento na Amazônia.
Ela também prometeu agir no combate ao tráfico de animais e na ampliação da transparência do Brasil sobre dados de desmatamento, além de se mostrar preocupada com o fato de que, muitas vezes, os EUA importam mercadorias produzidas em áreas desflorestadas, como soja e carne.
Bagley, 69, terá condições de atuar nessa área principalmente por ter sido assessora de John Kerry -hoje o principal conselheiro de Biden para questões ambientais. Mesmo assim, diplomatas apostam que a principal missão da indicada, caso confirmada para o cargo, será acompanhar as eleições de 2022, nas quais Bolsonaro tentará se reeleger. O governo americano avalia que o pleito tende a ser conturbado.
A maioria das perguntas à indicada foi sobre ambiente e a influência chinesa e russa no Brasil. Bagley disse querer atuar para reduzir essa presença, com ações contrárias ao avanço chinês na tecnologia 5G e pressão sobre o país por mais medidas anti-Moscou, devido à invasão da Ucrânia.
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A questão do fornecimento da tecnologia 5G por companhias chinesas foi citada ao menos duas vezes, ao que a indicada reagiu dizendo que os EUA vêm pedindo para o país analisar as implicações de trabalhar com a chinesa Huawei como fornecedor único. "Estamos os encorajando a terem múltiplos fornecedores."
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