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O aeroporto de Schipol, em Amsterdã, contabilizava 400 voos cancelados em um dia já prejudicado pelos cancelamentos da véspera (700 entre cerca de 1.200 programados). A companhia mais afetada é a KLM-Air France, pois um dos principais hubs do grupo é justamente o aeroporto da capital holandesa.
"Há anos que não enfrentávamos condições meteorológicas tão extremas", afirmou a porta-voz da empresa, Anoesjka Aspeslagh, à agência Reuters.
Já é o quinto dia de frio intenso no continente, com nevascas e a formação do chamado gelo negro, uma camada fina e escorregadia que torna todo tipo de pavimento propenso a acidentes -o gelo na verdade é transparente, mas ganhou o nome por quase sempre estar associado a asfalto.
Em Berlim, na semana passada, as emergências de diversos hospitais ficaram lotadas, com elevado registro de fraturas. Quedas de pedestres e ciclistas eram imagens frequentes nas ruas. O volume de acidentes foi tão alto que as autoridades tiveram que vir a público afirmar que foram surpreendidas pela formação do gelo, que pode ser prevenido com lançamento de sal, areia e outros produtos em calçadas, ruas e estradas.
Na França, cinco mortes foram registradas em rodovias; na segunda (5), Paris experimentou um congestionamento de 1.000 quilômetros nos arredores da capital, quatro vezes maior do que o volume regular. O TGV está rodando com velocidade reduzida, e há interrupções pontuais no transporte público.
Há diversão também. Imagens em redes sociais mostram esquiadores brincando nos gramados de Montmartre, conhecido ponto turístico da capital francesa.
O frio deve se intensificar durante a semana. Dos 96 departamentos da França continental, 38 estão sob alerta de frio intenso nesta quarta-feira (7). Eram 26 nesta terça.
No Reino Unido, as aulas foram canceladas em centenas de escolas. O norte da ilha foi atingido por fortes nevascas, cancelando voos em aeroportos na Escócia e na Irlanda do Norte. Manchester e Liverpool também registraram cancelamentos. Em Inverness, nas Highlands escocesas, a neve acumulada já chega a 52 cm.
Nevou também na ilha de Maiorca, um dos símbolos do verão europeu. O fato é incomum, mas já ocorreu em 2005 e 2023.
A neve bloqueia regiões na Romênia, Croácia e República Tcheca. Em Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, uma mulher morreu devido à queda de uma árvore, carregada de gelo. Na cidade tcheca de Kvila, perto da fronteira com a Alemanha, o serviço meteorológico registrou 30,6°C negativos, um recorde para a região.
Suécia, Alemanha e Áustria estão em estado de atenção. Em Berlim, a máxima do dia nesta terça-feira foi de -2°C e a mínima da semana deve alcançar -10°C na cidade e -20°C na região de Brandemburgo, estado que circunda a capital. A prefeitura, que já lida com milhares de residências sem energia após incêndio criminoso reivindicado por um grupo de extrema esquerda, elabora um plano especial para abrigar a população vulnerável.
Há previsão de interrupções em serviços coletivos e de transporte.
Segundo os meteorologistas, a tempestade de neve que afetou Reino Unido e o norte da França nos últimos dias pode se instalar com ventos de até 120 km/h em algumas regiões alemãs.
No fim de semana, em Haidmühle, na Baviera, o primeiro recorde negativo do ano foi estabelecido, -24,3°C. A expectativa é que a marca não dure muito.
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