Nesta quinta-feira (21) foi revelada a Operação Saffron, liderada pela França e a Holanda, numa ação coordenada entre 16 países com o apoio da Europol e da Eurojust, que conseguiu neutralizar uma rede criminosa global que atuava em pelo menos 27 países, promovida em fóruns ligados à Rússia.

A ação internacional aconteceu entre os dias 19 e 20 e derrubou o First VPN, serviço usado por cibercriminosos para ocultar ataques de ransomware, que realizam fraudes financeiras, golpes e roubo de dados em larga escala. Foram desativados 33 servidores, três domínios foram apreendidos, confiscados 83 pacotes de inteligência disseminados mundialmente, além de identificar milhares de usuários ligados ao cibercrime global.

Os usuários do serviço foram notificados de que a infraestrutura VPN tinha sido desmantelada e que foram identificados pelas autoridades como clientes do fornecedor. Enquanto o administrador da rede global foi interrogado e detido durante uma busca na Ucrânia.

O First VPN era promovido havia anos em fóruns cibercriminosos de língua russa e o serviço se apresentava como uma ferramenta confiável para manter criminosos fora do alcance das autoridades policiais. A plataforma aceitava pagamentos anônimos e mantinha uma infraestrutura projetada especificamente para uso ilícito e, basicamente funcionava como um artifício para proteger a localização real dos invasores virtuais.

De acordo com a Europol, a investigação começou em dezembro de 2021. “O serviço apareceu em praticamente todas as grandes investigações de cibercrime apoiadas pela agência nos últimos anos. Os criminosos o usavam para ocultar suas identidades e infraestrutura durante os ataques. O serviço era visto como uma porta de entrada para o anonimato e os criminosos acreditavam que ele os manteria fora do alcance da polícia”, disse Edvardas ileris, chefe do Centro Europeu de Cibercrime da Europol.

Mas, os investigadores alcançaram o acesso ao serviço e obtiveram sua base de dados, assim as informações expuseram milhares de usuários ligados ao ecossistema do cibercrime, já que reverteu a proteção oferecida pela VPN.

Com a infraestrutura totalmente derrubada e o administrador sob custódia, investigadores em múltiplas jurisdições estão utilizando a inteligência coletada para apoiar investigações de cibercrime em andamento no mundo todo. Os dados obtidos do First VPN devem alimentar investigações subsequentes sobre atividades conduzidas através do serviço.

De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária, o serviço promovido em fóruns de cibercrime ligados à Rússia, era uma ferramenta "imprescindível" na ocultação de ataques de ransomware (roubo de dados e fraudes financeiras).

Através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, a PJ ajudou a identificar "utilizadores que operavam sob falso anonimato e que demonstravam uma ligação a esta rede em território nacional".

Ainda segundo o comunicado, a atuação desta polícia portuguesa foi determinante para "identificar comunicações criptografadas usadas pelos suspeitos para comunicar com o serviço First VPN, de fluxos financeiros e lavagem de capitais e no rastreio de conexões.

Nesta ação coordenada entre vários países, realizada nos dias 19 e 20 de maio, além do desmantelamento do serviço, foi detido na Ucrânia o administrador da rede.

Foram ainda neutralizados mais de 31 servidores, apreendidos 83 pacotes de inteligência disseminados internacionalmente, partilhada informação detalhada de cerca de 500 utilizadores e desencadeadas duas dezenas de investigações apoiadas pela Europol.

Os utilizadores do serviço foram notificados de que a infraestrutura VPN tinha sido desmantelada e que foram identificados pelas autoridades como clientes do fornecedor.