array(31) {
["id"]=>
int(142185)
["title"]=>
string(51) "As minas da discórdia entre Japão e Coreia do Sul"
["content"]=>
string(5348) "CONFLITO HISTÓRICO
Nas entranhas de uma montanha japonesa dividida em duas encontra-se uma rede de antigas minas de ouro e prata que se tornaram uma nova fonte de discórdia entre o Japão e a Coreia do Sul.
As minas mais antigas da ilha de Sado, na costa noroeste do Japão, começaram a ser exploradas no século XII e permaneceram em operação até depois da Segunda Guerra Mundial.
O Japão considera que merecem ser integradas na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, devido à sua longa história e ao seu notável legado pré-industrial.
Tóquio apresentou este ano um pedido para incluir três depósitos de ouro e prata do Sado do período Edo (1603-1867), anos em que essas minas teriam sido as mais produtivas do mundo e o trabalho era feito à mão.
Mas o que o Japão não diz, e que incomoda Seul, é que as minas de Sado usaram cerca de 1.500 trabalhadores coreanos durante a Segunda Guerra Mundial.
A situação específica desses trabalhadores é muito questionada, pois alguns afirmam que a maioria deles assinou contratos voluntariamente.
"As condições de trabalho eram extremamente duras, mas o salário era muito alto, então muitas pessoas - incluindo muitos japoneses - procuravam ser recrutados", diz Matsuura, ex-diretor-geral da Unesco, que apoia a candidatura das minas de Sado.
Discriminação existia
No entanto, outros afirmam que as condições de recrutamento equivaliam a trabalho forçado e que o trabalho coreano era tratado de forma menos favorável do que o japonês.
"A discriminação existia", diz Toyomi Asano, professor de história política japonesa na Universidade Waseda, em Tóquio.
As condições de trabalho dos coreanos "eram muito ruins e eles recebiam as tarefas mais perigosas", acrescenta o pesquisador.
Diversas disputas históricas que remontam à colonização da península coreana pelo Japão (1910-1945) envenenam as relações entre Tóquio e Seul há anos, o que criou um grupo de trabalho para derrotar a inscrição das minas de Sado na Unesco.
Disputas semelhantes já existiam entre os dois países vizinhos sobre os locais da revolução industrial japonesa da era Meiji (1868-1912), declarados Patrimônio da Humanidade desde 2015.
No ano passado, a Unesco pediu ao Japão que tomasse medidas para que os visitantes entendessem que "um grande número de coreanos e outros foram levados contra sua vontade e forçados a trabalhar em condições difíceis" nesses lugares.
O Japão "deve evitar repetir o mesmo erro" em Sado, admite Matsuura. "Devemos explicar de maneira mais concreta e honesta como os trabalhadores coreanos viviam e trabalhavam" nessas minas.
Todos os países têm momentos obscuros
O local começou a receber turistas na década de 1960, quando sua atividade extrativista estava se esgotando.
Reconstruções desatualizadas e um tanto sinistras ainda estão presentes, apresentando rígidos autômatos com cabeças rotativas e braços mecânicos que desferem golpes de picareta.
Hideji Yamagami, um visitante japonês de 79 anos, acha que a existência de trabalhadores forçados coreanos deve ser mencionada.
"Eu não sabia. Achei que os japoneses tinham feito todo o trabalho duro", comentou à AFP.
Placas explicativas no local mal o mencionam, mas detalham outros tempos sombrios no local durante o período Edo, quando crianças, muitas vezes pobres e sem-teto, foram recrutadas à força.
Se o sítio passar a fazer parte da lista do Patrimônio Mundial, o professor Toyomi Asano espera que a Unesco insista que toda a história das minas do Sado seja apresentada in loco.
O Japão "não deve ter medo" de reconhecer parte de sua história, avalia Asano. "Toda nação tem partes obscuras em sua história", afirma.
"
["author"]=>
string(3) "AFP"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(594250)
["filename"]=>
string(18) "minasdiscordia.jpg"
["size"]=>
string(5) "70407"
["mime_type"]=>
string(10) "image/jpeg"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(9) "marquivo/"
}
["image_caption"]=>
string(32) " Foto: Charly TRIBALLEAU / AFP"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(0) ""
["author_slug"]=>
string(3) "afp"
["views"]=>
int(96)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(49) "as-minas-da-discordia-entre-japao-e-coreia-do-sul"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(428)
["name"]=>
string(13) "Internacional"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(13) "internacional"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(428)
["name"]=>
string(13) "Internacional"
["description"]=>
NULL
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#a80000"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(13) "internacional"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2022-07-25 12:45:09.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2022-07-25 12:45:09.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2022-07-25T12:50:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(27) "marquivo/minasdiscordia.jpg"
}
CONFLITO HISTÓRICO
Nas entranhas de uma montanha japonesa dividida em duas encontra-se uma rede de antigas minas de ouro e prata que se tornaram uma nova fonte de discórdia entre o Japão e a Coreia do Sul.
As minas mais antigas da ilha de Sado, na costa noroeste do Japão, começaram a ser exploradas no século XII e permaneceram em operação até depois da Segunda Guerra Mundial.
O Japão considera que merecem ser integradas na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, devido à sua longa história e ao seu notável legado pré-industrial.
Tóquio apresentou este ano um pedido para incluir três depósitos de ouro e prata do Sado do período Edo (1603-1867), anos em que essas minas teriam sido as mais produtivas do mundo e o trabalho era feito à mão.
Mas o que o Japão não diz, e que incomoda Seul, é que as minas de Sado usaram cerca de 1.500 trabalhadores coreanos durante a Segunda Guerra Mundial.
A situação específica desses trabalhadores é muito questionada, pois alguns afirmam que a maioria deles assinou contratos voluntariamente.
"As condições de trabalho eram extremamente duras, mas o salário era muito alto, então muitas pessoas - incluindo muitos japoneses - procuravam ser recrutados", diz Matsuura, ex-diretor-geral da Unesco, que apoia a candidatura das minas de Sado.
Discriminação existia
No entanto, outros afirmam que as condições de recrutamento equivaliam a trabalho forçado e que o trabalho coreano era tratado de forma menos favorável do que o japonês.
"A discriminação existia", diz Toyomi Asano, professor de história política japonesa na Universidade Waseda, em Tóquio.
As condições de trabalho dos coreanos "eram muito ruins e eles recebiam as tarefas mais perigosas", acrescenta o pesquisador.
Diversas disputas históricas que remontam à colonização da península coreana pelo Japão (1910-1945) envenenam as relações entre Tóquio e Seul há anos, o que criou um grupo de trabalho para derrotar a inscrição das minas de Sado na Unesco.
Disputas semelhantes já existiam entre os dois países vizinhos sobre os locais da revolução industrial japonesa da era Meiji (1868-1912), declarados Patrimônio da Humanidade desde 2015.
No ano passado, a Unesco pediu ao Japão que tomasse medidas para que os visitantes entendessem que "um grande número de coreanos e outros foram levados contra sua vontade e forçados a trabalhar em condições difíceis" nesses lugares.
O Japão "deve evitar repetir o mesmo erro" em Sado, admite Matsuura. "Devemos explicar de maneira mais concreta e honesta como os trabalhadores coreanos viviam e trabalhavam" nessas minas.
Todos os países têm momentos obscuros
O local começou a receber turistas na década de 1960, quando sua atividade extrativista estava se esgotando.
Reconstruções desatualizadas e um tanto sinistras ainda estão presentes, apresentando rígidos autômatos com cabeças rotativas e braços mecânicos que desferem golpes de picareta.
Hideji Yamagami, um visitante japonês de 79 anos, acha que a existência de trabalhadores forçados coreanos deve ser mencionada.
"Eu não sabia. Achei que os japoneses tinham feito todo o trabalho duro", comentou à AFP.
Placas explicativas no local mal o mencionam, mas detalham outros tempos sombrios no local durante o período Edo, quando crianças, muitas vezes pobres e sem-teto, foram recrutadas à força.
Se o sítio passar a fazer parte da lista do Patrimônio Mundial, o professor Toyomi Asano espera que a Unesco insista que toda a história das minas do Sado seja apresentada in loco.
O Japão "não deve ter medo" de reconhecer parte de sua história, avalia Asano. "Toda nação tem partes obscuras em sua história", afirma.