Durante o confronto entre Vasco e Ponte Preta, na noite da última quarta-feira (27), válido pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, o técnico Hélio dos Anjos, da Macaca, acusou a torcida cruzmaltina de ofensas raciais. Após um desarme do volante Yuri Lara, atleta da equipe carioca, o comandante pontepretano disse ter ouvido ‘sons de macacos’ vindo das arquibancadas de São Januário e procurou a arbitragem para relatar o acontecido.


Ocorre que, a torcida vascaína costumeiramente reproduz latidos para homenagear Yuri, em alusão ao apelido de ‘cão de guarda’, frequentemente atribuído a jogadores de marcação. 


Na manhã desta quinta-feira, o Vasco emitiu uma nota oficial defendendo sua torcida da acusação, caracterizada como ‘absurda’ e ‘sem fundamento’ pelo clube. 


Ainda no documento, a agremiação fez questão de ressaltar a representatividade da equipe cruzmaltina na luta racial dentro do futebol desde o início do século XX. 


A Ponte Preta não se pronunciou oficialmente sobre o caso. 


VEJA NA ÍNTEGRA A NOTA DO VASCO 


Fomos surpreendidos na noite da última quarta-feira (27/04) em São Januário com uma absurda acusação de racismo direcionada a torcida do Vasco vinda de alguns profissionais da A. A. Ponte Preta. Algo sem fundamento algum e que se baseou equivocadamente num canto criado pela torcida do Vasco utilizado para homenagear o volante Yuri Lara, algo já feito, por exemplo, por outras torcidas e em outras praças esportivas.
 
Ao se fazer uma acusação de racismo, crime gravíssimo, além de se ter certeza do que está sendo dito, é imprescindível se conhecer o histórico dessa luta no país. E não há como falar do combate ao racismo no futebol brasileiro sem que o Vasco da Gama seja o principal protagonista.

 
Nossa luta não começou agora, mas sim em 07 de abril de 1924, quando escrevemos a “Resposta Histórica”, o maior símbolo da luta contra o racismo no futebol brasileiro. O Vasco da Gama se orgulha de ser um pioneiro nesta luta e um ativo defensor de seus ideais, que não esmoreceram com o passar dos anos. E o estádio de São Januário sintetiza a maior da luta do Vasco da Gama contra a chaga do racismo. Foi construído pelos vascaínos como resposta às elites da época que resistiam a inclusão de pretos, operários e imigrantes pobres no futebol.
 
Portanto, como não poderia ser diferente, condenamos a atitude e lamentamos que uma pauta tão séria seja utilizada da forma que foi.
 
São Januário é a casa do legítimo clube do povo e fazemos questão de que continue sendo assim.