Recuo

A Fifa decidiu não levar adiante o projeto de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que receberia aporte de investidores privados e concentraria operações comerciais e competições da entidade. A mudança foi anunciada pelo presidente Gianni Infantino, após a proposta provocar oposição de confederações e ameaça de boicote da Uefa aos torneios da organização.

Em comunicado atribuído a Infantino, a Fifa afirmou que a iniciativa tinha como objetivo ampliar o suporte às associações-membro, principalmente nos países que mais necessitam de recursos. A entidade também ressaltou que a implementação dependeria da aprovação da maioria das federações filiadas e de consultas ao Conselho da Fifa, às confederações e a outros envolvidos.

Segundo o texto, a reação ao projeto gerou divisões que passaram a contrariar a finalidade inicial da proposta. A Uefa foi a principal opositora e chegou a anunciar que suas 55 associações não participariam das competições da Fifa enquanto o plano permanecesse em discussão. Concacaf e AFC também manifestaram resistência, enquanto Conmebol e OFC adotaram posicionamentos menos duros.

 A FFE seria avaliada em US$ 20 bilhões, e a Fifa pretendia negociar até 20% de sua participação, com expectativa de arrecadar US$ 4,2 bilhões, cerca de R$ 21,3 bilhões na cotação apresentada. A Thrive Capital, de Joshua Kushner, havia sido indicada para liderar o grupo de investidores interessado no negócio.

A proposta surgiu após o ciclo da Copa do Mundo de 2026, disputada com 48 seleções, que contribuiu para a Fifa registrar faturamento de US$ 13 bilhões no período de 2023 a 2026. O resultado financeiro contrasta com o cenário encontrado por Infantino quando assumiu a presidência, em 2016, quando a entidade registrava déficit de US$ 102 milhões e um rombo de US$ 550 milhões nas contas.

Leia o comunicado:

“O projeto FIFA Forward Enterprise tinha a intenção de fornecer uma base para fortalecer ainda mais nossas Associações Membro da FIFA e nosso esporte em todo o mundo, especialmente naqueles países onde o apoio é mais necessário. E mais ainda, como dissemos desde o início, para fazer isso, somente se uma maioria das Associações Membro da FIFA estivesse a favor e sempre sujeito a um processo de consulta com elas, o Conselho da FIFA, as Confederações e os demais interessados.

Após ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não estão mais no interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar.
Nosso propósito sempre foi – e sempre será – unir e melhorar. Em consequência, esta proposta não prosseguirá.

Adiante, minha intenção é reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas no espírito de interesse compartilhado em nosso jogo, e com o objetivo de continuar a crescer o futebol em todos os lugares, particularmente naqueles países que mais precisam de nosso apoio.”