CORRIDA DE RUA

Belo Horizonte acabou de receber a sua primeira maratona no último domingo (17/5) e a cidade já se prepara para ganhar mais uma prova de 42 quilômetros. Após 16 anos de tradição da Meia Maratona Internacional de BH, o projeto cresceu e a capital mineira vai receber, em 28 de junho, um novo desafio pelas ruas da Região da Pampulha. Com um percurso plano, clima ameno típico do inverno e cartões-postais ao longo do trajeto, incluindo vias internas do Zoológico, a 1ª Maratona Internacional de Belo Horizonte promete atrair atletas de todo o Brasil e do exterior.

Criado em 2009, o projeto surgiu para suprir a carência de grandes eventos esportivos na capital mineira. Segundo um dos realizadores da prova, Rômulo Corrêa Moreira, a cidade ainda ficava atrás de outras capitais quando o assunto era corrida de rua.

"A primeira edição surgiu pela carência de eventos esportivos na cidade, ao passo que as capitais do país já tinham a sua meia maratona e outras, inclusive, a maratona. Então, percebendo esse vácuo e a demanda que já naquela época se iniciava, não com a força que tem hoje, mas já chamava atenção, surgiu a ideia de fazer a Meia Maratona Internacional de Belo Horizonte”, contou.

Desde então, a competição cresceu ano após ano, consolidando-se como uma das principais corridas do calendário mineiro. Em 2025, a prova alcançou a marca de 10 mil participantes. De acordo com a organização, a ideia de dar o próximo passo e lançar a maratona aconteceu justamente após a consolidação e o crescimento do público.

“Foi um processo de amadurecimento. O corredor normalmente evolui dos cinco quilômetros para os 10 quilômetros, depois para a meia maratona e, por fim, para a maratona. A gente entendeu que agora existia uma base madura para esse próximo desafio”, explicou Rômulo.

Para quem ainda não está preparado para distâncias maiores, o evento continuará oferecendo percursos de 5km e 10km, garantindo a participação de todos — inclusive de quem está começando no esporte.

O evento terá largada e chegada na Praça Nova da Pampulha, próximo à Igreja São Francisco de Assis, um dos principais cartões-postais da capital mineira. A maratona começará às 5h30, a meia maratona às 7h e as provas de 5km e 10km às 8h.

Percurso e data especiais

O percurso da prova foi desenhado para unir velocidade, baixo nível de altimetria e apelo turístico. A maratona terá ganho acumulado de apenas 79 metros de elevação, enquanto a meia maratona contará com 39 metros. O trajeto percorre toda a Lagoa da Pampulha, um dos principais cartões-postais da capital.

Os corredores vão passar pelos tradicionais pontos da orla, como a Igreja São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, o Iate Tênis Clube, o Museu Casa Kubitschek e o Parque Ecológico.

Um dos diferenciais da competição será a passagem pelas ruas internas do Zoológico de Belo Horizonte. Segundo a organização, o trecho oferece um visual diferenciado para os corredores e ajuda a tornar a experiência menos desgastante durante as provas longas. “O corredor não quer apenas correr. Ele quer um percurso bonito, agradável, com experiência visual. Isso ajuda até emocionalmente durante uma prova longa”, explicou Rômulo.

Apesar das belezas, há um trecho apontado como o mais desafiador do percurso: a subida interna do Zoológico, com cerca de um quilômetro de inclinação.

Na maratona, os atletas sairão da praça em direção ao Museu Casa Kubitschek, seguindo pelas avenidas Heráclito Mourão de Miranda e Clóvis Salgado até a Praça do Sol, em Contagem, na Grande BH. Depois, retornam para a região da lagoa, entram no Zoológico e concluem o percurso no entorno da Pampulha.

Já os atletas da meia maratona vão sair na mesma direção que a maratona, percorrer a lagoa até o Zoológico, correr nas vias internas e retornar para a lagoa. Nos 10km e 5km, vão largar em direção ao Parque Guanabara, vão fazer um retorno e seguir até pontos específicos conforme a distância.

Além do percurso plano, a escolha da data também foi estratégica. A corrida acontecerá durante o inverno, período em que Belo Horizonte costuma registrar temperaturas entre 10°C e 15°C nas primeiras horas da manhã. Para corredores de longa distância, o clima frio é visto como vantagem por reduzir desgaste físico e desidratação.

“Junho sempre foi um mês estratégico para a prova. O clima ajuda muito o corredor. E também buscamos uma data que não atrapalhasse o calendário de outras grandes provas nacionais”, explicou Rômulo.

Como será a organização?

A saída dos atletas será organizada em ondas, separadas por níveis técnicos e categorias. Na maratona e na meia maratona, a largada começa com os atletas da elite, seguida pelas pessoas com deficiência, pelotão B e pelotão geral. Já nos 10km e nos 5km, todos largam juntos.

Para integrar os pelotões de elite ou o pelotão B, os corredores precisarão comprovar índices mínimos obtidos em provas a partir de 2023. Entre os critérios exigidos para a elite masculina estão tempos abaixo de 35 minutos nos 10km, 1h20 na meia maratona ou 2h40 na maratona. Já na elite feminina, os índices exigidos são inferiores a 39 minutos nos 10km, 1h30 na meia maratona ou 3h na maratona. Os atletas interessados deverão enviar os resultados para validação da organização após a inscrição.

O regulamento também estabelece limite máximo de seis horas para conclusão da maratona.

Preservação ambiental

Além da proposta esportiva, o evento manterá uma tradição ligada à preservação ambiental. Todos os anos, um animal ameaçado de extinção é escolhido como mascote oficial da corrida. Em 2026, o símbolo será o gorila.

A imagem do animal será utilizada nas peças promocionais e também na medalha entregue aos participantes. Segundo Rômulo Corrêa Moreira, a iniciativa é realizada em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH e já ajudou em projetos de preservação de espécies ameaçadas.

“A gente procura transformar a corrida em algo maior do que o esporte. Existe também uma preocupação ambiental e educativa dentro do projeto. Já ajudamos em ações de preservação e reprodução de espécies junto à fundação”, destacou.

Em edições anteriores, animais como arara-azul, mico-leão-dourado, macaco-prego, ararajuba e onça-parda já foram escolhidos como símbolos da corrida.

A prova também pretende ampliar sua presença internacional. Segundo a organização, atletas estrangeiros já participaram de edições anteriores da meia maratona, incluindo corredores da Tanzânia, Etiópia e Índia.

Com a inclusão da maratona e o aumento da premiação total para R$ 100 mil, a expectativa é atrair ainda mais atletas de elite do Brasil e do exterior.

A previsão dos organizadores é reunir cerca de 16 mil atletas, sendo 3 mil atletas nos 42 quilômetros, 10 mil na meia maratona e outros 3 mil participantes nas provas de 5km e 10km. As inscrições para todas as modalidades seguem abertas até 27 de junho ou enquanto houver vagas disponíveis.

Para Rômulo Corrêa Moreira, a expansão da prova representa não apenas o crescimento do esporte na cidade, mas também um incentivo à qualidade de vida.

“A atividade esportiva é fundamental na vida de todos nós. A corrida aproxima as pessoas, melhora a saúde, reduz o estresse e desafia cada atleta a superar seus próprios limites. Movimentar é a melhor opção. A cidade está vivendo um momento importante no esporte. Venha viver essa experiência com a gente. Participe da 1ª Maratona e 17ª Meia Internacional de BH”, concluiu Rômulo Corrêa Moreira.