Quarenta anos depois, um novo local, a mesma rivalidade. E o mesmo placar. Décadas separam aquele jogo de 22 de junho de 1986, quando a genialidade de Maradona e a “mão de Deus” apareceram no Estádio Azetca, e este desta quarta-feira, 15 de julho de 2026. Mas a sensação era de que aquela partida não tinha acabado. Em um duelo cheio de tensão – nas arquibancadas e em campo -, a Argentina se recusou a desistir, buscou uma virada épica por 2 a 1 sobre a arquirrival Inglaterra no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos, e está na final da Copa do Mundo mais uma vez.

Uma partida mais lutada que jogada em vários momentos. Faltas duras, discussões, provocações nas arquibancadas… todos os ingredientes para um ambiente carregado, em que muitas vezes sobrou vontade e faltou futebol. Os ingleses, num lance aparentemente fortuito, abriram o marcador com Anthony Gordon. O 1 a 0 parecia que seguiria até o fim, mas desistir não tem sido uma opção para os argentinos nesta Copa do Mundo.

Foi assim em todo o mata-mata, contra Cabo Verde, Egito e Suíça. E a história se repetiu na semifinal. Aos 40 minutos, Enzo Fernández aproveitou falha de posicionamento do goleiro Jordan Pickford e, de fora da área, empatou. Aos 47, Lautaro Martínez – que saíra do banco de reservas – apareceu livre para testar para o fundo das redes e levar a maioria argentina no estádio à loucura.

Em festa, como se vivessem um sonho, os argentinos voltam a uma final de Copa do Mundo e continuam na busca pela quarta estrela. O adversário será a poderosa Seleção Espanhola, no domingo (19/7), a partir das 16h (de Brasília), no Metlife Stadium, em Nova Jersey.

Já a Inglaterra vive a melancolia da pouco valiosa decisão do terceiro lugar, sábado (18/7), diante da França. Não será desta vez que o futebol voltará para casa.

Final da Copa do Mundo 2026
Espanha x Argentina – domingo, 19 de julho, às 16h (de Brasília), no Metlife Stadium, em Nova Jersey/Nova York
Decisão do 3º lugar da Copa do Mundo 2026
França x Inglaterra – sábado, 18 de julho, às 18h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami
O jogo

A partida chegou à parada de hidratação, aos 24 minutos do primeiro tempo, com dez faltas e nenhuma finalização. Os dados explicam bem o que era o clássico até aquele momento: muita tensão, disputas duras, confusões e pouco jogo de futebol. Cada dividida parecia a mais importante – um cenário que agradava os argentinos, mas do qual os ingleses não pareciam se preocupar em sair.

Leandro Paredes, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister fizeram faltas duras; Elliot Anderson e Jude Bellingham responderam do outro lado. O árbitro estadunidense Ismail Elfath contemporizava e não dava cartões. Enquanto isso, as arquibancadas refletiam a temperatura do jogo – ou seria o contrário? Os cantos, especialmente dos argentinos, eram mais de provocação do que de alento: do tradicional “quem não pula é inglês” ao “temos que ganhar desses p***”. Do lado inglês, em inferioridade numérica nas tribunas, os gritos eram majoritariamente de apoio.

O jogo tinha um grau de importância tão grande que os treinadores modificaram as formações iniciais na tentativa de surpreender o rival. Mas a verdade é que, em campo, pouco perigo. A primeira metade acabou com 19 faltas, nenhuma finalização certa e a clara sensação de que, se nenhum dos times marcasse um gol, dificilmente o cenário mudaria na etapa complementar.

Segundo tempo
Mas, na verdade, o contexto da etapa final já começou diferente. A Argentina decidiu se arriscar um pouco mais e chegou a criar duas boas oportunidades em finalizações de Julián Álvarez. Mas, quando chegou, a Inglaterra foi leta. No primeiro chute certo, gol. Aos dez minutos, a bola sobrou após lançamento de Kane. Aposta de Tuchel, Morgan Rogers avançou pela direita e cruzou à meia altura para Anthony Gordo, na esquerda, completar para as redes e fazer explodir a parte inglesa nas arquibancadas: 1 a 0.

O gol foi um sinal de que a Argentina precisava partir para cima – e assim foi. Os atuais campeões empilharam chances de gol, especialmente em cruzamentos vindos do lado direito, onde Messi passou a “flutuar” por conta da forte marcação adversária. Teve bola na trave, defesaças de Pickford, corte salvador de Spence…

Quando a barreira parecia intransponível, a Argentina buscou – mais uma vez – forças de onde parecia impossível tirar. Já havia sido assim contra Cabo Verde, Egito e Suíça ao longo do mata-mata. Aos 40 minutos, após cobrança de escanteio curto, Enzo Fernández recebeu passe de Messi e, de fora da área, “chapou” no canto direito de Pickford, que, mal posicionado, não alcançou: 1 a 1. Um castigo para a Inglaterra, que recuara demais.

E ainda dava tempo para mais. Empurrada pelas arquibancadas, que pulsavam pelo empate, a Argentina continuou pressionando. Acertou outra bola na trave e encurralou os ingleses. Deu certo. Aos 47 minutos, após cruzamento da direita, Lautaro Martínez testou sozinho para o fundo do gol: 2 a 1. Virada épica de uma seleção que se recusa a desistir e vai com tudo pelo sonhado tetracampeonato. Como cantam: “Pelas Malvinas, por Diego e pela última de Leo”.

INGLATERRA 1 X 2 ARGENTINA
Inglaterra
Jordan Pickford; Reece James (Dan Burn, aos 37′ do 2ºT), John Stones, Marc Guéhi e Djed Spence; Declan Rice (Nico O’Relly, aos 37′ do 2ºT) e Elliot Anderson; Morgan Rogers, Jude Bellingham e Anthony Gordon (Ezri Konsa, aos 27′ do 2ºT); Harry Kane. Técnico: Thomas Tuchel.

Argentina
Emiliano Martínez; Nahuel Molina (Gonzalo Montiel, aos 27′ do 2ºT), Cristian Romero, Lisandro Martínez (Nicolás Otamendi, aos 27′ do 2ºT) e Nicolás Tagliafico (Lautaro Martínez, aos 36′ do 2ºT); Leandro Paredes (Nico González, aos 19′ do 2ºT), Enzo Fernández e Alexis Mac Allister; Giuliano Simeone (Rodrigo De Paul, aos 27′ do 2ºT), Lionel Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.

Motivo: semifinal da Copa do Mundo;
Data e horário: quarta-feira, 15 de julho de 2026, às 16h (de Brasília, 15h locais);
Local: Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos;
Gols: Anthony Gordon, aos 10′ do 2ºT (Inglaterra); Enzo Fernández, aos 40′, e Lautaro Martínez, aos 47′ do 2ºT (Argentina);
Cartões amarelos: Elliot Anderson, aos 37′ do 1ºT (Inglaterra); Lisandro Martínez, aos 42′ do 1ºT, e Cristian Romero, aos 6′ do 2ºT (Argentina);
Público: 68.239 torcedores;
Árbitro: Ismail Elfath (Estados Unidos);
Assistentes: Corey Parker (Estados Unidos) e Kyle Atkins (Estados Unidos);
Quarto árbitro: Maurizio Mariani (Itália).