array(31) {
["id"]=>
int(178435)
["title"]=>
string(98) "Grupos mineiros Galpão e Quatroloscinco vencem no Prêmio Shell; Silvia Gomez também é premiada"
["content"]=>
string(7240) "Duas produções mineiras e uma dramaturga de Belo Horizonte estão entre os vencedores da 36ª edição do Prêmio Shell de Teatro, realizada na noite de quarta-feira (18/3), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O espetáculo “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão, recebeu o prêmio de direção para Rodrigo Portella, enquanto “Velocidade”, do grupo Quatroloscinco, foi reconhecido na categoria iluminação, assinada por Marina Arthuzzi. A dramaturga belo-horizontina Silvia Gomez venceu na categoria dramaturgia, por “Lady Tempestade”.
A montagem “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, inspirada no romance de José Saramago, marca um encontro antigo entre Portella e o Grupo Galpão. Idealizado pelo diretor há cerca de 25 anos, o espetáculo explora diferentes camadas narrativas, com os atores alternando entre personagens e narradores. “É inegável o caráter ensaístico do ‘Ensaio Sobre a Cegueira’. Em muitos momentos, não se sabe exatamente quem está falando, se é o autor, o narrador ou o personagem, porque não há pontuação convencional, como travessões. Essa indefinição entre vozes faz parte da proposta. Para mim, esse aspecto deveria estar presente na encenação”, apontou o diretor em entrevista a O TEMPO à época da estreia, no ano passado.
A encenação usa poucos elementos materiais e integra o público à cena, com uma proposta interativa que faz sentido para a montagem – no palco, parte do público tem a experiência de viver pessoas afetadas pela doença misteriosa que deixa a população cega, de maneira que o desconcerto dessas pessoas é bastante apropriado para o papel que desenvolvem: a desorientação, afinal, é esperada naquele contexto. No fim de janeiro, “(Um) Ensaio sobre a Cegueira” – além de outras produções e profissionais mineiros – havia vencido outra importante premiação das artes cênicas: o Prêmio da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA), na categoria Espetáculo.
Além do trabalho com o Galpão, Portella também esteve entre os premiados da noite com outra montagem: “O Motociclista no Globo da Morte”, que rendeu a Eduardo Moscovis o troféu de melhor ator pelo júri do Rio de Janeiro – este foi o seu primeiro Prêmio Shell em 37 anos de carreira. O monólogo acompanha um matemático cuja trajetória é atravessada por um episódio de violência, em uma encenação centrada na atuação.
Já o espetáculo “Velocidade”, décima montagem do grupo Quatroloscinco, teve sua iluminação premiada pelo júri carioca. Concebida por Marina Arthuzzi, a luz integra a estrutura dramatúrgica da obra, construída em torno de reflexões sobre o tempo – e a nossa relação com ele. Em diferentes momentos, o desenho de luz atua como elemento narrativo, acompanhando as variações entre aceleração e pausa que organizam a encenação.
Por vezes, o jogo de luzes funciona quase como um personagem ou até como a própria personificação do tempo. No desfecho, por exemplo, o espaço é tomado em um fluxo quase lisérgico, condensando visualmente, entre pausas e vertigens – como a visão que se tem de dentro de um globo da morte –, o debate que percorre toda a encenação. Na última sexta (13/3), em sessão lotada, a peça voltou a ser apresentada em Belo Horizonte, onde estreou no ano passado, após circular por quatro estados brasileiros.
Cena da peça 'Velocidade', do Grupo Quatroloscinco | Crédito: Igor Cerqueira/Divulgação
Na categoria dramaturgia do júri de São Paulo, Silvia Gomez foi premiada por “Lady Tempestade”, solo interpretado por Andrea Beltrão e dirigido por Yara de Novaes, que retrata a vida da advogada Mércia Albuquerque (1934-2003), conhecida por defender direitos humanos durante a ditadura militar. A montagem reflete sobre os impactos da repressão e a busca por justiça. Nascida em Belo Horizonte, a autora da dramaturgia tem trajetória no teatro e no audiovisual, com textos encenados no Brasil e no exterior e reconhecimentos anteriores como os prêmios APCA e Aplauso Brasil.
A cerimônia contou ainda com homenagens à atriz e cantora Zezé Motta, que relembrou momentos de sua trajetória no teatro, iniciada na década de 1960. Ao todo, mais de 70 profissionais e coletivos foram indicados nesta edição, distribuídos em cerca de 40 espetáculos avaliados pelos júris de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Veja a lista completa de premiados
Vencedores pelo júri de São Paulo
- Dramaturgia. Silvia Gomez por "Lady Tempestade"
- Direção. Rodrigo Portella por "(Um) Ensaio Sobre a Cegueira"
- Ator. Renato Livera por "Deserto"
- Atriz. Sirlea Aleixo por "Furacão"
- Cenário. Luh Maza por "Carne Viva"
- Figurino. Eder Lopes por "Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo?"
- Iluminação. Wagner Antônio e Dimitri Luppi por "Filoctetes em Lemnos"
- Música. Clara Potiguara por "Tybyra - Uma Tragédia Indígena Brasileira"
- Energia que Vem da Gente. Leda Maria Martins - pesquisa e orientação artística
Vencedores pelo júri do Rio de Janeiro
- Dramaturgia. Mauricio Lima e Tainah Longras por "Vinte"
- Direção. Camila Bauer por "Instinto"
- Ator. Eduardo Moscovis por "O Motociclista no Globo da Morte"
- Atriz. Larissa Luz por "Torto Arado - O Musical"
- Cenário. Cachalote Mattos por "À Vinha d'Alhos"
- Figurino. Ananda Almeida e Raphael Elias por "Negra Palavra - Poesia do Samba"
- Iluminação. Marina Arthuzzi por "Velocidade"
- Música. Muato por "Vinte"
- Energia que Vem da Gente. Turma Ok - trajetória de mais de 60 anos
"
["author"]=>
string(27) "Alex Bessas - OTEMPO.com.br"
["user"]=>
NULL
["image"]=>
array(6) {
["id"]=>
int(635800)
["filename"]=>
string(15) "4losgalpapa.jpg"
["size"]=>
string(5) "75846"
["mime_type"]=>
string(10) "image/jpeg"
["anchor"]=>
NULL
["path"]=>
string(0) ""
}
["image_caption"]=>
string(124) " Atores do Grupo Galpão em cartaz da peça '(Um) Ensaio Sobre a Cegueira'Foto: Igor Cerqueira e Mateus Lustosa/divulgação"
["categories_posts"]=>
NULL
["tags_posts"]=>
array(0) {
}
["active"]=>
bool(true)
["description"]=>
string(195) "Montagens mineiras vencem nas categorias direção e iluminação, enquanto a dramaturga belo-horizontina recebe prêmio por 'Lady Tempestade'
"
["author_slug"]=>
string(25) "alex-bessas-otempo-com-br"
["views"]=>
int(40)
["images"]=>
NULL
["alternative_title"]=>
string(0) ""
["featured"]=>
bool(false)
["position"]=>
int(0)
["featured_position"]=>
int(0)
["users"]=>
NULL
["groups"]=>
NULL
["author_image"]=>
NULL
["thumbnail"]=>
NULL
["slug"]=>
string(93) "grupos-mineiros-galpao-e-quatroloscinco-vencem-no-premio-shell-silvia-gomez-tambem-e-premiada"
["categories"]=>
array(1) {
[0]=>
array(9) {
["id"]=>
int(429)
["name"]=>
string(7) "Cultura"
["description"]=>
string(0) ""
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#0E4AA2"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(7) "cultura"
}
}
["category"]=>
array(9) {
["id"]=>
int(429)
["name"]=>
string(7) "Cultura"
["description"]=>
string(0) ""
["image"]=>
NULL
["color"]=>
string(7) "#0E4AA2"
["active"]=>
bool(true)
["category_modules"]=>
NULL
["category_models"]=>
NULL
["slug"]=>
string(7) "cultura"
}
["tags"]=>
NULL
["created_at"]=>
object(DateTime)#539 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-19 15:23:42.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["updated_at"]=>
object(DateTime)#546 (3) {
["date"]=>
string(26) "2026-03-19 15:23:42.000000"
["timezone_type"]=>
int(3)
["timezone"]=>
string(13) "America/Bahia"
}
["published_at"]=>
string(25) "2026-03-19T15:20:00-03:00"
["group_permissions"]=>
array(4) {
[0]=>
int(1)
[1]=>
int(4)
[2]=>
int(2)
[3]=>
int(3)
}
["image_path"]=>
string(16) "/4losgalpapa.jpg"
}
Duas produções mineiras e uma dramaturga de Belo Horizonte estão entre os vencedores da 36ª edição do Prêmio Shell de Teatro, realizada na noite de quarta-feira (18/3), no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O espetáculo “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, do Grupo Galpão, recebeu o prêmio de direção para Rodrigo Portella, enquanto “Velocidade”, do grupo Quatroloscinco, foi reconhecido na categoria iluminação, assinada por Marina Arthuzzi. A dramaturga belo-horizontina Silvia Gomez venceu na categoria dramaturgia, por “Lady Tempestade”.
A montagem “(Um) Ensaio sobre a Cegueira”, inspirada no romance de José Saramago, marca um encontro antigo entre Portella e o Grupo Galpão. Idealizado pelo diretor há cerca de 25 anos, o espetáculo explora diferentes camadas narrativas, com os atores alternando entre personagens e narradores. “É inegável o caráter ensaístico do ‘Ensaio Sobre a Cegueira’. Em muitos momentos, não se sabe exatamente quem está falando, se é o autor, o narrador ou o personagem, porque não há pontuação convencional, como travessões. Essa indefinição entre vozes faz parte da proposta. Para mim, esse aspecto deveria estar presente na encenação”, apontou o diretor em entrevista a O TEMPO à época da estreia, no ano passado.
A encenação usa poucos elementos materiais e integra o público à cena, com uma proposta interativa que faz sentido para a montagem – no palco, parte do público tem a experiência de viver pessoas afetadas pela doença misteriosa que deixa a população cega, de maneira que o desconcerto dessas pessoas é bastante apropriado para o papel que desenvolvem: a desorientação, afinal, é esperada naquele contexto. No fim de janeiro, “(Um) Ensaio sobre a Cegueira” – além de outras produções e profissionais mineiros – havia vencido outra importante premiação das artes cênicas: o Prêmio da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA), na categoria Espetáculo.
Além do trabalho com o Galpão, Portella também esteve entre os premiados da noite com outra montagem: “O Motociclista no Globo da Morte”, que rendeu a Eduardo Moscovis o troféu de melhor ator pelo júri do Rio de Janeiro – este foi o seu primeiro Prêmio Shell em 37 anos de carreira. O monólogo acompanha um matemático cuja trajetória é atravessada por um episódio de violência, em uma encenação centrada na atuação.
Já o espetáculo “Velocidade”, décima montagem do grupo Quatroloscinco, teve sua iluminação premiada pelo júri carioca. Concebida por Marina Arthuzzi, a luz integra a estrutura dramatúrgica da obra, construída em torno de reflexões sobre o tempo – e a nossa relação com ele. Em diferentes momentos, o desenho de luz atua como elemento narrativo, acompanhando as variações entre aceleração e pausa que organizam a encenação.
Por vezes, o jogo de luzes funciona quase como um personagem ou até como a própria personificação do tempo. No desfecho, por exemplo, o espaço é tomado em um fluxo quase lisérgico, condensando visualmente, entre pausas e vertigens – como a visão que se tem de dentro de um globo da morte –, o debate que percorre toda a encenação. Na última sexta (13/3), em sessão lotada, a peça voltou a ser apresentada em Belo Horizonte, onde estreou no ano passado, após circular por quatro estados brasileiros.
Cena da peça 'Velocidade', do Grupo Quatroloscinco | Crédito: Igor Cerqueira/Divulgação
Na categoria dramaturgia do júri de São Paulo, Silvia Gomez foi premiada por “Lady Tempestade”, solo interpretado por Andrea Beltrão e dirigido por Yara de Novaes, que retrata a vida da advogada Mércia Albuquerque (1934-2003), conhecida por defender direitos humanos durante a ditadura militar. A montagem reflete sobre os impactos da repressão e a busca por justiça. Nascida em Belo Horizonte, a autora da dramaturgia tem trajetória no teatro e no audiovisual, com textos encenados no Brasil e no exterior e reconhecimentos anteriores como os prêmios APCA e Aplauso Brasil.
A cerimônia contou ainda com homenagens à atriz e cantora Zezé Motta, que relembrou momentos de sua trajetória no teatro, iniciada na década de 1960. Ao todo, mais de 70 profissionais e coletivos foram indicados nesta edição, distribuídos em cerca de 40 espetáculos avaliados pelos júris de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Veja a lista completa de premiados
Vencedores pelo júri de São Paulo
- Dramaturgia. Silvia Gomez por "Lady Tempestade"
- Direção. Rodrigo Portella por "(Um) Ensaio Sobre a Cegueira"
- Ator. Renato Livera por "Deserto"
- Atriz. Sirlea Aleixo por "Furacão"
- Cenário. Luh Maza por "Carne Viva"
- Figurino. Eder Lopes por "Pai Contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo?"
- Iluminação. Wagner Antônio e Dimitri Luppi por "Filoctetes em Lemnos"
- Música. Clara Potiguara por "Tybyra - Uma Tragédia Indígena Brasileira"
- Energia que Vem da Gente. Leda Maria Martins - pesquisa e orientação artística
Vencedores pelo júri do Rio de Janeiro
- Dramaturgia. Mauricio Lima e Tainah Longras por "Vinte"
- Direção. Camila Bauer por "Instinto"
- Ator. Eduardo Moscovis por "O Motociclista no Globo da Morte"
- Atriz. Larissa Luz por "Torto Arado - O Musical"
- Cenário. Cachalote Mattos por "À Vinha d'Alhos"
- Figurino. Ananda Almeida e Raphael Elias por "Negra Palavra - Poesia do Samba"
- Iluminação. Marina Arthuzzi por "Velocidade"
- Música. Muato por "Vinte"
- Energia que Vem da Gente. Turma Ok - trajetória de mais de 60 anos