por Convidado 
*  Sérgio Marchetti

Sabemos que a vida tem data de validade. Mas, ainda assim, longevos leitores, não aprendemos a conviver com a finitude. Também, corriqueiramente, constatamos situações de pessoas idosas com severas depressões, por não se adaptarem ao atual momento, por serem pesos para seus familiares, por terem, de alguma forma, perdido sua identidade e, até mesmo, a dignidade.

Já testemunhei pessoas se considerando estorvos para a família. E, em outra situação, ouvi de uma agregada, provavelmente de caráter duvidoso e, que praticamente nem convivia com um casal de idosos, dizer: “— esses velhos já passaram da hora, eles não morrem não!?”. E entendam, leitores comovidos, que o casal era bastante independente em todos os sentidos.

Os fatos estão aí. O cenário atual indica o envelhecimento populacional para os próximos anos. O número de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) superará, em pouco tempo, o total de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, pela primeira vez na história do País.

Com essa transição acelerada, estima-se que o Brasil passe a ocupar a posição de 5ª maior população idosa do mundo.

Que venham as mudanças. Pensemos: foi a longevidade que nos permitiu ver uma população prateada ou de cabelos tingidos, mas ativa e contribuindo socialmente com sua experiência, conhecimento e até pertinácia — com uma dose de teimosia.

Em todas as carreiras, profissionais experientes, idosos, têm exercido sua influência e emprestado seu conhecimento para os mais jovens. Alguns deles com mais de 80 anos. Segundo estudos e estatísticas, eles são os mais habilitados a tomarem decisões certas.
Nem tudo são flores… Óbvio que não estamos livres de passagens negativas. A idade madura também é contemplada com o aprendizado mais triste: a perda de entes e de amigos queridos.

Sabemos, sensíveis leitores, que são partes de nós e de nossas histórias que se vão. É como se arrancassem páginas muito importantes de nosso livro da vida.

Mas Deus nos presenteou com a resiliência, e com a ajuda dos novos personagens que surgem em nossas vidas para perseverarmos na caminhada, porque, como escreveu Richard Bach, “Se você está aqui, é porque sua missão ainda não terminou”. Então, “caminhemos, talvez nos vejamos depois (…)” (H.M.)

Assim, com esse retrato, nasceu o EnvelheSer, uma antologia, composta por 20 coautores, e que corrobora com nossas ideias de que Mens sana in corpore sano, pode nos fazer viver com intensidade. Não temos a pretensão de ser anjos, mas em nossas palestras, rodas de conversas e outras atividades, estamos inspirando, estimulando pessoas, demonstrando e comprovando que a experiência é um valor inestimável, seja na vida pessoal ou profissional, e que, nós, “idosos”, estamos envelheSendo, mas cientes de que temos muito a contribuir com uma sociedade deslumbrada com a vida artificial.

Portanto, soltemos as nossas vozes. Abramos nossas gargantas com essa força santa, conforme cantou Gonzaguinha. E vamos fazer as pessoas entenderem que nossa missão traduz apenas o nosso “jeito de viver o que é amar”.

Perdoem-me por não conseguir evitar a poesia, mas “A minha alma tem um corpo moreno/ Nem sempre sereno, nem sempre explosão./ Feliz esta alma que vive comigo/ Que vai onde eu sigo o meu coração”.

 

 

* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br