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string(76) " 'O Diabo Veste Prada 2' mantém brilho, mas aposta em tom mais melancólico"
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string(6128) "Tarefa árdua é fazer a continuação de um filme do calibre de “O Diabo Veste Prada.” Sucesso de crítica e bilheteria quando foi lançado, há 20 anos, a obra de David Frankel, uma das mais aguardadas de 2026, volta aos cinemas novamente pelas mãos dele nesta quinta-feira (30/4) e roteiro de Aline Brosh Mckenna, cercado do paradoxo inevitável das sequências.
Ao mesmo tempo em que o público anseia por ver de volta um elenco habilidoso em cena — Anne Hathaway, Meryl Streep, Stanley Tucci e Emily Blunt retornam à trama —, também teme que o novo capítulo não esteja à altura da história original. Ainda mais quando se sabe que o primeiro é baseado em um livro (homônimo de Lauren Weisberger, publicado em 2003), o que não se repete na nova obra.
“O Diabo Veste Prada 2” ainda conserva o brilho que o consagrou, com ótimas atuações, roteiro afiado e figurino impecável como era de se esperar, mas acaba assumindo um tom mais melancólico. Talvez essa justificativa esteja na época em que a história se passa.
A nova trama acontece na atualidade, exatamente 20 anos depois do lançamento original, em um momento que as revistas e o próprio jornalismo já não têm mais a mesma relevância de outrora e amargam falta de verba da publicidade para se manterem de pé.
Aliás, a história tem início com uma demissão em massa no jornal em que trabalha Andy Sachs (Anne Hathaway). Desempregada e decepcionada com a própria profissão, mas ainda com fogo nos olhos, Andy recebe uma proposta inesperada de voltar a trabalhar com a implacável Miranda Priestly (Meryl Streep), editora-chefe da fictícia “Runway Magazine.”
Mas, em vez de assistente, Andy agora atua como consultora para tentar reverter uma crise de imagem pela qual a revista e a própria Miranda estão passando. Emily (Emily Blunt) também mudou de função e se tornou uma grande executiva de um conglomerado de luxo, de quem Miranda depende para garantir investimentos publicitários. Nigel (Stanley Tucci), por sua vez, continua como fiel escudeiro de Miranda.
Nesse novo cenário, Miranda Priestly já não dita regras com a mesma soberania de antes. Quem assistiu à primeira versão de “O Diabo Veste Prada” jamais imaginaria ouvir a poderosa pedindo por ajuda, dizendo “por favor” ou agradecendo, como acontece na nova versão.
Diante de um mercado fragilizado, Miranda se vê obrigada a negociar e a ceder. A mudança de postura é um sintoma direto de um mundo que deixou de girar em torno das revistas, e, consequentemente, dela mesma.
Essa transformação faz sentido, mas, ao mesmo tempo, tira um pouco da graça da personagem de personalidade rígida e perfeccionista. De longe, ela se torna uma pessoa mais gentil ou menos exigente, mas precisa, digamos, se adequar aos novos tempos.
O próprio filme debocha disso, como quando a “dama-de-ferro” é frequentemente interrompida pela sua nova assistente sempre que recorre a termos politicamente incorretos. Fato é que Meryl Streep sustenta uma ótima atuação ao demonstrar, inclusive, o cansaço de sua personagem diante de tais convenções. Ela também consegue transmitir muito com o silêncio. Em cenas em que Miranda observa o novo cenário da revista (tomada, em dado momento, por um tanto de consultores que determinam expressivos cortes de gastos), o olhar da atriz carrega uma mistura de incredulidade com orgulho ferido.
Os momentos mais ácidos da trama talvez estejam nos diálogos entre Emily Charlton e Andy Sachs. Com seu mau humor característico, Emily continua divertidamente arrogante, e há um prazer quase nostálgico em vê-la destilar rabugices. Também é envolvente acompanhar a relação de cumplicidade entre o carismático Nigel (Stanley Tucci) e Andy.
Anne Hathaway, por sua vez, entrega uma atuação mais madura e precisa, sem deixar de lado um entusiasmo quase juvenil diante da nova empreitada. Só não empolga tanto ao surgir ao lado de seu novo interesse amoroso, interpretado por Patrick Brammall, já que a química entre os dois é meio morna. Adrian Grenier, que vivia o namorado de Andy no filme original, está fora desta produção.
O filme acerta ao manter um repertório de boas piadas, e, sobretudo, ao entregar aquilo que sempre foi uma de suas marcas registradas: os looks. O figurino segue deslumbrante, com peças de marcas luxuosas, como Dolce & Gabbana, Chanel e Dior, além de participações de gente graúda da indústria da moda, como Donatella Versace.
Faz falta o “antes e depois” de Andy Sacks depois de um banho (requintado) de loja, que talvez pudesse ser explorado em sua assistente, Jin Chao (Helen J. Shen). Outro mérito está na trilha sonora, com destaque para “Runway”, parceria entre Lady Gaga e Doechii. No fim das contas, a sequência se equilibra entre o brilho do passado e as exigências do presente, mas com um elenco que faz tudo valer a pena.
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Ao mesmo tempo em que o público anseia por ver de volta um elenco habilidoso em cena — Anne Hathaway, Meryl Streep, Stanley Tucci e Emily Blunt retornam à trama —, também teme que o novo capítulo não esteja à altura da história original. Ainda mais quando se sabe que o primeiro é baseado em um livro (homônimo de Lauren Weisberger, publicado em 2003), o que não se repete na nova obra.
“O Diabo Veste Prada 2” ainda conserva o brilho que o consagrou, com ótimas atuações, roteiro afiado e figurino impecável como era de se esperar, mas acaba assumindo um tom mais melancólico. Talvez essa justificativa esteja na época em que a história se passa.
A nova trama acontece na atualidade, exatamente 20 anos depois do lançamento original, em um momento que as revistas e o próprio jornalismo já não têm mais a mesma relevância de outrora e amargam falta de verba da publicidade para se manterem de pé.
Aliás, a história tem início com uma demissão em massa no jornal em que trabalha Andy Sachs (Anne Hathaway). Desempregada e decepcionada com a própria profissão, mas ainda com fogo nos olhos, Andy recebe uma proposta inesperada de voltar a trabalhar com a implacável Miranda Priestly (Meryl Streep), editora-chefe da fictícia “Runway Magazine.”
Mas, em vez de assistente, Andy agora atua como consultora para tentar reverter uma crise de imagem pela qual a revista e a própria Miranda estão passando. Emily (Emily Blunt) também mudou de função e se tornou uma grande executiva de um conglomerado de luxo, de quem Miranda depende para garantir investimentos publicitários. Nigel (Stanley Tucci), por sua vez, continua como fiel escudeiro de Miranda.
Nesse novo cenário, Miranda Priestly já não dita regras com a mesma soberania de antes. Quem assistiu à primeira versão de “O Diabo Veste Prada” jamais imaginaria ouvir a poderosa pedindo por ajuda, dizendo “por favor” ou agradecendo, como acontece na nova versão.
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O próprio filme debocha disso, como quando a “dama-de-ferro” é frequentemente interrompida pela sua nova assistente sempre que recorre a termos politicamente incorretos. Fato é que Meryl Streep sustenta uma ótima atuação ao demonstrar, inclusive, o cansaço de sua personagem diante de tais convenções. Ela também consegue transmitir muito com o silêncio. Em cenas em que Miranda observa o novo cenário da revista (tomada, em dado momento, por um tanto de consultores que determinam expressivos cortes de gastos), o olhar da atriz carrega uma mistura de incredulidade com orgulho ferido.
Os momentos mais ácidos da trama talvez estejam nos diálogos entre Emily Charlton e Andy Sachs. Com seu mau humor característico, Emily continua divertidamente arrogante, e há um prazer quase nostálgico em vê-la destilar rabugices. Também é envolvente acompanhar a relação de cumplicidade entre o carismático Nigel (Stanley Tucci) e Andy.
Anne Hathaway, por sua vez, entrega uma atuação mais madura e precisa, sem deixar de lado um entusiasmo quase juvenil diante da nova empreitada. Só não empolga tanto ao surgir ao lado de seu novo interesse amoroso, interpretado por Patrick Brammall, já que a química entre os dois é meio morna. Adrian Grenier, que vivia o namorado de Andy no filme original, está fora desta produção.
O filme acerta ao manter um repertório de boas piadas, e, sobretudo, ao entregar aquilo que sempre foi uma de suas marcas registradas: os looks. O figurino segue deslumbrante, com peças de marcas luxuosas, como Dolce & Gabbana, Chanel e Dior, além de participações de gente graúda da indústria da moda, como Donatella Versace.
Faz falta o “antes e depois” de Andy Sacks depois de um banho (requintado) de loja, que talvez pudesse ser explorado em sua assistente, Jin Chao (Helen J. Shen). Outro mérito está na trilha sonora, com destaque para “Runway”, parceria entre Lady Gaga e Doechii. No fim das contas, a sequência se equilibra entre o brilho do passado e as exigências do presente, mas com um elenco que faz tudo valer a pena.