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É como se o protagonista fosse infectado imediatamente por uma doença contagiosa que o banisse completamente do contato social. Embora não isente o personagem das mensagens xenófobas que postou, Cantet parece mais interessado em como, na mesma velocidade de um tweet, se forma um julgamento moral sem espaço para defesa.
Karim D é dúbio, charmoso e dono de uma mente brilhante, mas jamais escondeu suas mensagens, mesmo quando virou um autor cultuado por seu olhar tocante sobre o universo dos imigrantes na França. Da mesma maneira que ganha acesso às altas rodas por intelectuais brancos, é excluído sem piedade desse círculo.
O fato de concentrar a ação em duas noites ajuda a aumentar a sensação de condenação sumária, como se a rede social fosse um tribunal legítimo para execuções. Esse tempo não é suficiente para penetrarmos na mente de Karim - e Cantet não faz a menor questão que isso aconteça, porque o que importa é o que está ao redor.
Uma opção interessante do roteiro é também de não provocar um colapso interior do personagem. Ele tem consciência do que está acontecendo, mas não faz disso, pelo menos num primeiro instante, uma tortura existencial. Desta maneira, o realizador não permite que se regozijam da via-crúcis de um imigrante.
Embora tenha se baseado num fato verídico, Cantet opta pelo sentimento de dúvida em contraposição à condenação célere de quem se beneficiava do sucesso momentâneo do jovem autor. Uma abordagem que é muito semelhante a “Entre os Muros da Escola”, filme de Cantent laureado com a Palma de Ouro em Cannes.
Não deixa de ser curioso que o professor de “Entre os Muros” tenha uma certa relação com o escritor argelino. São profissionais ligados à formação e que são impiedosamente crucificados por atitudes errôneas, expulsos de seus círculos. Mas a “máquina” que provoca essas distorções continua intacta - como a escola e as redes sociais.
A grande mensagem por trás de boa parte dos longas-metragens de Cantet é uma falsa ideia de integração, com os meios que deveriam promover a comunhão transformados justamente na sua face inversa. O diretor não se interessa pelo indivíduo e seus caminhos erráticos, mas pelas placas que, ardilosamente, os levam para o cadafalso.
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Apesar de “@Arthur Rambo - Ódio na Rede” reforçar, em seu subtítulo, o tema do crescimento da intolerância e dos ataques virtuais, o novo trabalho do cineasta francês Laurent Cantet vai mais longe nessa questão, atento ao apagamento sofrido por Karim D, um jovem autor imigrante que se vê, da noite para o dia, de fenômeno literário a terrorista.
É como se o protagonista fosse infectado imediatamente por uma doença contagiosa que o banisse completamente do contato social. Embora não isente o personagem das mensagens xenófobas que postou, Cantet parece mais interessado em como, na mesma velocidade de um tweet, se forma um julgamento moral sem espaço para defesa.
Karim D é dúbio, charmoso e dono de uma mente brilhante, mas jamais escondeu suas mensagens, mesmo quando virou um autor cultuado por seu olhar tocante sobre o universo dos imigrantes na França. Da mesma maneira que ganha acesso às altas rodas por intelectuais brancos, é excluído sem piedade desse círculo.
O fato de concentrar a ação em duas noites ajuda a aumentar a sensação de condenação sumária, como se a rede social fosse um tribunal legítimo para execuções. Esse tempo não é suficiente para penetrarmos na mente de Karim - e Cantet não faz a menor questão que isso aconteça, porque o que importa é o que está ao redor.
Uma opção interessante do roteiro é também de não provocar um colapso interior do personagem. Ele tem consciência do que está acontecendo, mas não faz disso, pelo menos num primeiro instante, uma tortura existencial. Desta maneira, o realizador não permite que se regozijam da via-crúcis de um imigrante.
Embora tenha se baseado num fato verídico, Cantet opta pelo sentimento de dúvida em contraposição à condenação célere de quem se beneficiava do sucesso momentâneo do jovem autor. Uma abordagem que é muito semelhante a “Entre os Muros da Escola”, filme de Cantent laureado com a Palma de Ouro em Cannes.
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A grande mensagem por trás de boa parte dos longas-metragens de Cantet é uma falsa ideia de integração, com os meios que deveriam promover a comunhão transformados justamente na sua face inversa. O diretor não se interessa pelo indivíduo e seus caminhos erráticos, mas pelas placas que, ardilosamente, os levam para o cadafalso.