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Dirigido por Natasha Neri, do premiado "Auto de Resistência", e Gizele Martins, o documentário não retrata a ditadura militar, como essas imagens podem sugerir. Mas revive um momento que, em vários sentidos, lembra os atos repressivos desse período autoritário, iniciado em 1964.
O tema central de "Cheiro de Diesel", agora em cartaz nos cinemas, é a ocupação do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, por Exército e Marinha, uma grande operação que se estendeu de abril de 2014 a junho de 2015.
Os objetivos anunciados àquela altura eram garantir a segurança da cidade durante a Copa do Mundo, que ocorreu em junho e julho de 2014, e preparar o terreno para a construção das UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora.
Concluída a ocupação, nem sinal das UPPs, o que definitivamente não foi um dos problemas mais graves. Como apontam os depoimentos no documentário, houve torturas, prisões arbitrárias, invasões às casas, proibição de atividades na rua e contínuos toques de recolher.
Surge relato de um homem revistado 18 vezes em um só dia. Bem pior foi o ocorrido com o músico Vitor Santiago Borges, que recebe particular atenção do filme.
Em fevereiro de 2015, ele e outros quatro jovens foram ver um jogo de futebol em uma comunidade vizinha e estavam voltando para a Maré quando soldados do Exército dispararam em direção ao carro deles. Ao cair no chão, depois dos tiros, Borges sentiu o "cheiro de diesel", daí o título.
Ao longo de quase cem dias, o músico foi submetido a mais de 20 cirurgias, além de sessões de hemodiálise e fisioterapia. Ao final, ficou paraplégico -um dos disparos havia atingido sua coluna vertebral- e teve sua perna esquerda amputada.
Três anos depois, a Justiça Militar absolveu os soldados que participaram do caso. O filme mostra uma parte do julgamento, seguida da reação indignada de Borges e da sua mãe.
Esse e outros episódios do desastre que foi a ocupação na Maré revelam o descaso de diferentes segmentos políticos. A GLO (Garantia da Lei e da Ordem) foi assinada pela então presidente Dilma Rousseff a pedido do governador Sérgio Cabral, atualmente em prisão domiciliar por crimes como corrupção passiva.
Naquela época, Walter Braga Netto era o comandante da 1ª Divisão do Exército. Embora não tivesse uma atuação direta na operação, o general estava entre as autoridades com papel estratégico. Anos depois, ele se tornou um dos ministros de Jair Bolsonaro e acabou como um dos condenados pela trama golpista.
Durante a ocupação na Maré, a jornalista Gizele Martins foi uma das responsáveis pela criação de um canal comunitário, que passou a receber um número crescente de contribuições da população. Entre elas, alguns vídeos que registram instantes de tensão extrema em meio aos tiros de fuzil.
Basta vê-los no filme para compreender a indignação dos moradores com a onipresença de soldados e tanques.
É a voz de Gizele, uma das diretoras de "Cheiro de Diesel", que ouvimos em uma das passagens finais do documentário. "São 40 anos de uma dita democracia no Brasil. Se olho para as favelas e para a minha própria história, eu vejo que a gente nunca experimentou a democracia brasileira. Que democracia é essa? Para quem?"
CHEIRO DE DIESEL
Avaliação Bom
Quando Nos cinemas
Classificação 14 anos
Produção Brasil, 2025
Direção Gizele Martins e Natasha Neri
(NAIEF HADDAD/FOLHAPRESS)
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O tema central de "Cheiro de Diesel", agora em cartaz nos cinemas, é a ocupação do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, por Exército e Marinha, uma grande operação que se estendeu de abril de 2014 a junho de 2015.
Os objetivos anunciados àquela altura eram garantir a segurança da cidade durante a Copa do Mundo, que ocorreu em junho e julho de 2014, e preparar o terreno para a construção das UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora.
Concluída a ocupação, nem sinal das UPPs, o que definitivamente não foi um dos problemas mais graves. Como apontam os depoimentos no documentário, houve torturas, prisões arbitrárias, invasões às casas, proibição de atividades na rua e contínuos toques de recolher.
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CHEIRO DE DIESEL
Avaliação Bom
Quando Nos cinemas
Classificação 14 anos
Produção Brasil, 2025
Direção Gizele Martins e Natasha Neri
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