TUBARÃO

A jovem Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, vítima de uma mordida de tubarão na praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, reencontrou nesta quarta-feira (3) o médico Mike Andrade, responsável pelos primeiros socorros prestados logo após o incidente. Eles se reencontraram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração (HR), onde a paciente segue internada.

O reencontro foi marcado pelo agradecimento da jovem ao profissional que atuou nos momentos decisivos após o ataque. Em vídeo divulgado pelo médico nas redes sociais, Marcela aparece consciente e otimista durante a recuperação. “Oi, gente, estou bem. Vai dar tudo certo, seguindo minha vida”, afirmou a jovem.

Natural de Uberlândia, em Minas Gerais, Mike estava passeando pela praia quando presenciou o ataque ocorrido na tarde da última segunda-feira (1º). Ao chegar ao local, ele ajudou a controlar a hemorragia provocada pela mordida do animal, apontado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) como um tubarão-tigre de aproximadamente três metros de comprimento.

Segundo Mike Andrade, a rapidez no atendimento foi fundamental para aumentar as chances de sobrevivência da paciente. Ele relembrou os instantes que sucederam o ataque e destacou a mobilização das pessoas que estavam na praia.

“Eu olhei, observei e vi o que estava acontecendo lá na água. O pessoal e o primo dela foram os que correram e entraram na água imediatamente. Eu cheguei logo em seguida e comecei a fazer a compressão”, contou.

O médico explicou que, diante de ferimentos graves provocados por ataques de tubarão, o controle do sangramento é a prioridade nos primeiros minutos. “A priori, o importante é interromper o sangramento, impedir que os vasos continuem jogando sangue para fora, porque é isso que leva ao óbito inicialmente. Mas, em segunda instância, há a questão da infecção bacteriana. Então, mantive o membro erguido para não encostar na areia, não encostar na água e permanecer sempre limpo”, detalhou.

Marcela foi retirada do mar sem a perna direita e recebeu os primeiros atendimentos ainda na faixa de areia. Após a estabilização inicial, foi levada para o Hospital Alfa, em Boa Viagem, e posteriormente transferida para o Hospital da Restauração, referência estadual em trauma de alta complexidade.

Além da jovem, o menino de 11 anos mordido por um tubarão cabeça-chata segue internado na unidade. O caso aconteceu no domingo (31).

De acordo com boletim médico divulgado nesta quarta-feira (3), tanto Marcela quanto a criança estão conscientes, respiram sem auxílio de aparelhos, apresentam estabilidade clínica e seguem sob acompanhamento contínuo de uma equipe multiprofissional.

Pela quinta vez, Pernambuco registra ataques de tubarão em dias consecutivos

Os dois casos ocorreram em um intervalo de pouco mais de 24 horas e chamaram a atenção devido ao curto intervalo. Ao todo, o estado contabiliza 184 ocorrências envolvendo tubarões.