O Brasil possui cerca de 15 mil aeronaves, sendo que a grande maioria delas é formada por monomotores a pistão, assim como o Embraer EMB-721 "Sertanejo" que caiu na região Nordeste de Belo Horizonte nesta segunda-feira (4/5). Boa parte desses pequenos aviões que circulam pelo Brasil foi fabricada nos anos de 1970 e 1980 e isso não é um problema, de acordo com os especialistas em aviação. 

O piloto Fernando de Borthole, apresentador do canal Aero - Por Trás da Aviação, explica que há muitas aeronaves em circulação fabricadas na década de 70 porque a Embraer fechou um acordo importantíssimo com a Piper Aircraft em 1975. Pelo acordo, a empresa norte-americana (que até hoje é referência na fabricação de aviões executivos) transferiu tecnologia para a brasileira, que pôde vivenciar uma expansão fundamental no abastecimento do mercado interno. Até a virada do século, a Embraer fabricou cerca de 2.000 aviões de tecnologia Piper.

“Na aviação, não importa a idade de fabricação de um avião, mas sim o tempo de manutenção. Isso acontece porque, mesmo que o avião tenha sido fabricado nos anos 70, todo o interior dele já foi trocado. Quando a aeronave atinge 2.000 horas de voo, o motor é desmontado e as peças são trocadas”, afirma Fernando de Berthole, que possui um monomotor de 1973, em que viaja frequentemente.

“Semana que vem, vou fazer uma viagem neste avião entre São Paulo e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Me sinto muito mais seguro no avião, em uma viagem de duas horas e meia, do que numa viagem de muitas horas de carro em rodovias”, garante o piloto.

Berthole garante que os aviões monomotores e bimotores que circulam pelo Brasil são extremamente seguros. “Um avião é perfeitamente seguro quando passou por uma manutenção correta e certificada, o piloto foi bem treinado e a meteorologia é favorável”, explica o especialista. 

O que se sabe sobre o acidente em BH
A queda do avião no bairro Silveira, na região Nordeste de Belo Horizonte, aconteceu entre 4 e 5 minutos após a decolagem nesta segunda-feira, no Aeroporto da Pampulha. A aeronave havia decolado às 12h16 e pouco tempo depois, às 12h21, os bombeiros receberam a chamada para a ocorrência. O acidente aéreo aconteceu na rua Ilacir Pereira Lima, na altura do número 667, em frente a uma unidade de uma grande rede de supermercados.

Segundo registro da Força Aérea BRasileira (FAB), a aeronave passou pela revisão anual no começo do mês passado, tendo renovado o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) até 1º de abril de 2027.

O avião, modelo Neiva EMB-721C, havia reportado problema logo após a decolagem. O comandante disse que a aeronave não conseguia ganhar altitude. A torre de controle do aeroporto sugeriu que ela voltasse ao aeródromo, mas não obteve resposta. A última resposta do piloto é de que tentaria ganhar altura novamente. 

A causa do acidente está sendo investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à FAB.

(Com Lucas Gomes e Jessica Malta)