BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não entregou os seus passaportes (comum e diplomático) à Polícia Federal (PF) dentro do prazo estabelecido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Diante do descumprimento da ordem Ao mesmo tempo, a corporação investiga se o parlamentar fugiu do Brasil. Aliados negam que ele tenha deixado o país, mas não falaram com o senador pessoalmente. 

Flávio foi intimado na segunda-feira (26/10), um dia após perder a disputa presidencial, para entregar os passaportes. Ele recebeu a notificação por volta das 11h, após deixar a casa do pai, Jair Bolsonaro, em Brasília – o ex-presidente cumpre,  em prisão domiciliar, pena por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Desde então, o parlamentar está proibido de deixar o país por decisão de Alexandre de Moraes. A medida, que tramita sob segredo de Justiça, foi tornada pública pelo senador em suas redes sociais, no início da tarde de segunda-feira. 

A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF. Amigo do senador, Tomaz é investigado no esquema de desvio de aposentadorias e pensões do INSS por meio de cobrança ilegal de taxas. 

“Hoje de manhã, eu fui visitar meu pai. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, relatou Flávio. 

Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets.

Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e que também é investigada pela PF. 

o site argentino “Infobae” publicou rumo aos Estados Unidos a partir de Puerto Iguazú, na Argentina, às 2h, a bordo de um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly.

Com base na notícia, a PF verifica sobre um suposto ingresso de Flávio naquele país. A PF já apurou que o senador não passou por nenhum ponto regular de migração brasileira.

Procurada, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

O coordenador-geral da campanha dele, o senador Rogério Marinho (PL-RN), negou ao “Metrópoles” que o candidato tenha deixado o Brasil, mas não esteve com Flávio pessoalmente.