Brasil247 – O jurista Marcelo Uchôa criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça nesta segunda-feira (7) após o magistrado gravar um vídeo agradecendo apoio de evangélicos em um contexto de crise interna no STF. 

“Indignante um ministro da Alta Corte brasileira vir à internet lançar mão do apelo religioso para desviar o foco do maior escândalo bancário e financeiro da história do Brasil. Só um incauto não percebe o quanto esse retorno ao Estado confessional de 1824 é perigoso”, escreveu o estudioso na rede social X. 

Neste domingo (6), Mendonça para julgamento no Plenário do STF a apuração sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Em uma decisão anterior, Mendonça tinha retirado o sigilo de um material da Polícia Federal sobre a troca de informações entre Moraes e o ex-banqueiro.

Entre os elementos de maior repercussão está o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. O material também mostrou a emissão de cartões de crédito do Banco Master para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil.

Depois da divulgação do material produzido por policiais federais, Alexandre de Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que teriam apontado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro também levantou o sigilo da decisão e dos documentos citados e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tome ciência do caso.

Após a medida ligada à investigação de esquemas de notícias falsas, Mendonça encaminhou a Fachin um pedido de afastamento de Moraes em meio às repercussões do caso Master.

 


Marcelo Uchôa
@MarceloUchoa_
Indignante um ministro da Alta Corte brasileira vir à internet lançar mão do apelo religioso para desviar o foco do maior escândalo bancário e financeiro da história do Brasil. Só um incauto não percebe o quanto esse retorno ao Estado confessional de 1824 é perigoso.