Vulnerabilidade Social

O estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a população em situação de rua aponta que são mais de 365 mil pessoas sem teto no Brasil. O levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo de quem está vulnerabilidade nos municípios.

Os dados são de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG). Conforme o Hoje em Dia mostrou, o número aumentou 30% em Belo Horizonte nos últimos cinco anos, passando 11 mil 15 mil em 2025. Em Minas, o crescimento foi ainda maior: 23 mil em 2020 e mais de 33 mil no fim do ano passado.

A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na região Sudeste, somando 222 mil pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a região Nordeste, com 54 mil.

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) - Minas é o terceiro no ranking.. O Amapá é o estado com o menor número, somando 292.

Para os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, quatro situações podem explicar esse aumento:

o fortalecimento do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) como principal registro da população em situação de rua e de acesso às políticas públicas sociais do país; 

a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas para essa população, tais como moradia, trabalho e educação; 

a precarização das condições de vida principalmente após a pandemia; e as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, disse que apesar das políticas públicas que fizeram a insegurança alimentar grave diminuir no país, ainda há muita gente passando fome.

“Acho que está crescendo o número de pessoas em situação de rua em todo o Brasil e em São Paulo por uma série de fatores. Mesmo com a questão da queda acentuada das pessoas em alta vulnerabilidade social, ou seja, de combate à fome, ainda existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio”, avalia.

Enfrentar o preconceito e garantir políticas

Na opinião de Mendonça, outro fator que tem contribuído para esse aumento é o avanço tecnológico, que tem trazido ainda mais dificuldades para quem busca um emprego. “As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho”.

Para ele, a solução para esse problema passa pela capacitação, pelo enfrentamento ao preconceito contra essas pessoas e também por políticas voltadas à moradia e ao emprego. 

A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que "tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua em todo o estado". Segundo a secretaria, a pasta já repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início desta gestão, sendo que R$ 145,6 milhões desse valor seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua. 

Além disso, informa a pasta, foram ampliados os serviços que são ofertados para essa população, tais como a criação de 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade a um custo acessível. Outro programa que foi ampliado foi o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial e que permite, segundo a secretaria, "a conquista da autonomia, com renda e moradia às pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas". 

Veja as ações desenvolvidas pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo Governo de Minas para atuar junto à população em situação de rua.  Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento.

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