Recentemente, diretores da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estiveram no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, visitando as reservas de lítio que existem por lá.

O que chama atenção da indústria de carros nesse mineral - essa “preciosidade”, como diz o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite - é a sua aplicação em baterias para carros elétricos.

As reservas de Araçuaí e Itinga, que Leite e equipe visitaram, têm potencial para transformar o Brasil em um dos maiores produtores de lítio do mundo.

Independentemente de quando o Brasil terá capacidade de produzir carros elétricos, Leite acredita no potencial de o país atrair investimentos para tornar-se um centro de fornecimento de insumos e componentes para as futuras gerações de veículos.

“Temos que pensar globalmente”, afirma o dirigente. “A intenção é chamar a indústria da Europa e dos Estados Unidos para negociar com o produtor que está no Brasil”, destaca. Segundo ele, “não basta pensar na extração mineral sem industrialização”.

O dirigente diz estar preocupado, ao mesmo tempo, com a necessidade de o Brasil preservar seu parque automotivo durante a eletrificação veicular. Ele diz que a Anfavea acatará o que cada montadora decidir nesse processo, seja o desenvolvimento de carros híbridos ou 100% elétricos. “Não haverá uma única solução”, destaca.

Leite demonstra, no entanto, simpatia pelos projetos que preveem o uso de etanol em carros híbridos. “O híbrido flex é uma tecnologia interessante e pode acelerar o processo de descarbonização. O ‘bad guy’ não é o motor a combustão, são as emissões”, afirma.

Fonte: Valor Econômico