O ex-ministro da Educação da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) Abraham Weintraub, preterido pelo Palácio do Planalto na disputa pelo governo de São Paulo, afirmou que o presidente transformou em pesadelo o sonho dos conservadores de chegar ao Palácio do Planalto. Em trecho de um debate realizado com o também ex-ministro Ernesto Araujo (Relações Exteriores) e o deputado Luiz Phillippe Orleans e Bragança, ele afirmou que "agora é com Lula ou vai continuar piorando".

Embora em grande parte do debate o ex-ministro esteja criticando o petista, parte da militância bolsonarista interpretou esse trecho da fala como um apoio ao petista. Principalmente com a divulgação de um trecho isolado da conversa nas redes sociais.

"Sergio Moro não é um criminoso, não é um bandido, mas ele tem muitos defeitos que alguns deles apareceram agora nesse último episódio. Por isso que eu nunca apoiei ele, entre outras coisas. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho que dizer que o presidente Bolsonaro, ao se aliar ao Centrão, ele transformou um sonho que a gente tinha de mudança no país num pesadelo, porque hoje ou é com Lula ou a gente continua piorando, porque com ele (Bolsonaro) vai continuar piorando. O presidente Bolsonaro reeleito vai ter... Historicamente, o segundo mandato de um presidente costuma ser pior que o primeiro mandato. Não é no Brasil, é no mundo inteiro. O segundo mandato do presidente Bolsonaro mais fraco que o atual vai ser um horror. Vai ser um horror. Então, eu vejo isso: o melhor cenário é ruim. E a gente tem que se preparar para a resistência", disse Weintraub no trecho do áudio vazado.

Após a repercussão, ele divulgou a íntegra do debate, para mostrar que fazia na verdade críticas aos adversários de Bolsonaro. Além disso, reagiu às acusações nas redes sociais.

"Loucura! Eu jamais apoiaria o Lula! O Centrão criou o ZV (perfil que divulgou trecho do áudio) para destruir os conservadores. Eu falo claramente que a melhor alternativa é a reeleição do Bolsonaro. Porém, não será bom! O 2º mandato sempre é mais fraco que o 1º. Além disso, ele estará mais cercado pelo Centrão", disse Weintraub.

A relação do ex-ministro da Educação com o Palácio do Planalto ficou conturbada em razão de ele insistir em uma candidatura alternativa ao governo de São Paulo. O candidato oficial de Bolsonaro é o ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas (PR).