COLUNA EM MINAS

Passada mais de uma semana desde que Romeu Zema (Novo) condicionou a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) à derrubada dos vetos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a fala do governador ainda não ecoou em Brasília.

Mesmo menos afetado pelas rejeições que seus colegas no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, o mineiro foi a mais incisiva voz contrária às decisões do Planalto. O ímpeto de oposição em entrevistas e tweets, no entanto, não encontra lastro quando a questão é romper a barreira do discurso político e chegar aos gabinetes dos deputados federais e senadores mineiros, quem efetivamente pode reverter as ações do governo federal, pretensamente tão nocivas aos cofres estaduais.

Zema se irritou especificamente com um veto de Lula que não estende ao novo plano os efeitos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), sob o qual Minas atualmente paga as parcelas de sua bilionária dívida com a União.

Como efeito deste veto, os débitos mineiros com instituições financeiras privadas não serão incluídos nas condições do Propag e, nos próximos dois anos, aumentará os gastos em R$ 5,5 bilhões, segundo contas da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF-MG).

O Propag foi aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado com votos suficientes para derrubar vetos (413 na Casa Baixa e por unanimidade na Alta), mas a matemática do Legislativo não é tão exata.

Ir contra a determinação presidencial demanda mais esforços de articulação, ao menos o necessário para suplantar a automática indisposição com o Executivo que se dá após o movimento.

Zema precisaria de um movimento de unir toda a bancada mineira, amealhar apoio de parlamentares de outros estados endividados e ainda arregimentar nomes de oposição a Lula para conseguir o objetivo de fazer seu discurso com caráter eleitoral contra o petista se transforme em uma derrota real para o Planalto.

Desempenho da bancada mineira cai na Câmara

É nesse esforço que as conversas acontecem além das fronteiras estaduais. Autoridades mineiras, paulistas, gaúchas e fluminenses estão em contato ao longo da última semana para levar às respectivas bancadas argumentos que as façam votar em bloco pela derrubada dos vetos.

À coluna, o senador Carlos Viana (Podemos) afirmou que o clima em Brasília é de desconfiança em relação a uma grande empreitada do Executivo Estadual pela derrubada dos vetos. “Seria uma grata surpresa, porque sabemos que o Zema não articula com os parlamentares. O próprio Propag só nasceu porque o governador jogou a bomba do RRF no colo da Assembleia e o presidente Tadeuzinho (MDB) se viu obrigado a negociar e elaborar uma solução junto do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG)”.

Do lado do governo estadual, os movimentos já começaram. O líder de Zema na Câmara dos Deputados, Zé Silva (Solidariedade) informou ao EM que, na última quarta-feira (22/1), o governador, seus secretários e os parlamentares da base se reuniram e foi passado aos deputados a orientação de focar os esforços na derrubada de dois vetos: o que trata sobre a união dos benefícios do RRF com o Propag e o que permite o uso do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para amortizar parte dos débitos.

Zé Silva acredita que fatores como a união dos estados do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) e a grande adesão dos parlamentares na votação do Propag podem render a derrubada dos vetos.

“Vou seguir fortemente na negociação ao lado do secretário Marcelo Aro (PP). Além da bancada mineira, tem um ponto fundamental que é unir os estados interessados do Cosud, aí já são 256 votos, quase dá para derrubar os vetos. Além disso, estou no quarto mandato, é raro ver projetos aprovados na Câmara com tanta aprovação. O governo federal mesmo não orientou votar contra”, disse o deputado, que também nutre otimismo para que os vetos sejam pautados rapidamente no Congresso, já que a autoria do projeto carrega a assinatura do presidente Pacheco.

Atlético Político

Dizer que futebol e política se misturam já é um clichê, mas as formas como isso ocorre pode se dar de formas inusitadas. A edição de janeiro da Revista Placar perguntou a jornalistas e personalidades sobre a escalação dos sonhos de seus times do coração.

O Atlético reuniu na lista de entrevistados o ex-governador Antônio Augusto Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); o ex-goleiro alvinegro e ex-deputado estadual, João Leite; e o narrador esportivo e deputado estadual, Mário Henrique Caixa (PV). Além do Galo, apenas o Corinthians teve um nome da política escolhendo seu ‘11 ideal’ na figura de Alexandre Padilha (PT-SP), ministro da Secretaria de Relações Institucionais de Lula.

Cortesia tucana

Questionado pela tradicional publicação esportiva, Anastasia iniciou sua escalação com João Leite, seu antigo companheiro de PSDB e, provavelmente, ídolo nos gramados. O ex-deputado estadual defendeu a meta alvinegra por 684 vezes, o recorde do clube, e integrou times históricos no fim da década de 1970, todos os anos 1980 e até o início dos anos 1990, quando levantou a Conmebol e saiu direto para a Câmara Municipal de BH. Em que pese a cortesia do ex-governador, mesmo o ‘Goleiro de Deus’ não o escalou entre os maiores do Galo e deu espaço a Victor, o arqueiro campeão da Libertadores.

Damião e os mototaxistas

Álvaro Damião (União Brasil), prefeito em exercício de BH, teve de enfrentar ontem sua primeira manifestação. Mototaxistas lotaram a frente do prédio do Executivo e da Câmara Municipal.

Damião garante que mototáxi não vai ser suspenso em BH

De uma só vez, ele precisou lidar com o Ministério do Trabalho do governo federal, centenas de manifestantes irritados e o vereador Pablo Almeida (PL) imbuído no arsenal retórico do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), seu padrinho político. Uma bela carta de boas-vindas para quem pretende governar uma das principais capitais de um país que já respira as eleições de 2026.