ELEIÇÕES 2026

O PT pretende definir nas próximas semanas qual caminho seguirá na disputa pelo governo de Minas Gerais. Após a negativa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de concorrer ao Palácio Tiradentes, a legenda abriu a discussão sobre uma candidatura própria e estabeleceu um prazo para concluir as negociações. A expectativa, conforme adiantou o deputado federal Rogério Correia (PT) ao Estado de Minas, é que a indefinição seja resolvida em até 20 dias.

“A ideia é fazer um diálogo rápido com várias alternativas para que, em um prazo de 15 a 20 dias, a gente possa estar já com uma candidatura forte e um palanque forte para o presidente Lula em Minas Gerais”, afirmou ao EM durante encontro promovido pelo partido neste sábado (30/5), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Depois de meses aguardando uma resposta de Pacheco, preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para encabeçar uma chapa, o partido agora inicia consultas internas, avalia nomes próprios e mantém diálogo com aliados para definir estratégia no segundo maior colégio eleitoral do país.

“Tem várias alternativas colocadas fora do PT e agora também o partido avalia uma candidatura própria que venha do próprio PT. Não chegamos a levantar nomes. Estamos realizando pesquisas de opinião para que isso possa nos ajudar na definição”, disse Correia, durante o encontro que reuniu cerca de mil militantes, dirigentes partidários e representantes de movimentos sociais ligados ao campo progressista.

Também presente no evento, a presidente estadual do PT, deputada Leninha, confirmou que a legenda decidiu formalmente colocar essa hipótese em discussão. Segundo ela, a Executiva Estadual aprovou uma resolução determinando que o partido passe a trabalhar com a construção de uma candidatura própria, ainda que sem abandonar o diálogo com outras legendas. “Nós estamos nessa discussão da importância de o PT protagonizar também outra história, de a gente não ficar refém de decisões de fora do partido ou da federação”, afirmou. 

A dirigente ressaltou que a decisão não representa um rompimento com eventuais aliados nem uma definição antecipada sobre a chapa. “Se tiver que recuar nessa candidatura própria até a convenção, nós vamos recuar. Se tiver que avançar, vamos avançar. Nossa prioridade é a eleição do Lula”, afirmou.

A posição é compartilhada pela direção nacional do partido. Presente ao encontro em Contagem, Edinho Silva todas as alternativas permanecem abertas. “O PT de Minas tem muitas lideranças com condições de encabeçar uma chapa e nós consideramos essa hipótese. O partido precisa ter uma posição e dialogar com os aliados a partir dessa posição”, afirmou.

Segundo ele, a direção nacional respeitou o tempo de reflexão de Rodrigo Pacheco antes de iniciar uma nova rodada de articulações. “Na última conversa que tive com ele, pessoalmente, ele me disse que queria sair da vida política e priorizar sua atuação enquanto advogado. O vice-presidente Geraldo Alckmin esteve com ele na semana passada e ele ratificou essa posição. Nós respeitamos isso”, afirmou.

Com a saída de Pacheco do cenário, diversos nomes passaram a ser mencionados nos bastidores. Entre eles estão a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos; o deputado federal Reginaldo Lopes; e a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Regina Goulart Almeida.

Leninha confirmou que os três estão entre as possibilidades analisadas internamente. “Hoje surgiram outras sugestões de nomes também. Nós estamos ouvindo a militância, ouvindo as pessoas. A executiva vai canalizar esse debate para alguns nomes porque não dá para trabalhar com um universo muito grande”, afirmou.

Edinho também citou Sandra Goulart como uma liderança relevante para o partido. “A Sandra é uma liderança reconhecida não apenas em Minas Gerais, mas no Brasil inteiro. É um nome. Mas nós temos outros nomes aqui em Minas também”, disse. Apesar disso, os dirigentes evitam discutir publicamente eventuais favoritos.

Paralelamente ao debate interno, o PT mantém conversas com lideranças de outras legendas. Edinho confirmou que tem dialogado com nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o empresário Josué Gomes, o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), o procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB).

A própria Marília Campos revelou nesta semana que defendeu junto à direção nacional do PT uma aproximação com o MDB. Na terça-feira, ela se reuniu com Gabriel Azevedo para discutir o cenário político mineiro.