O presidente do Partido Liberal em Minas Gerais (PL), deputado federal Domingos Sávio, confirmou o sentimento de insatisfação, especialmente por parte do deputado Nikolas Ferreira, pela movimentação da legenda em filiar deputados com mandatos. Ao Café com Política, disponível no Youtube de O TEMPO, Sávio confirmou o mal-estar, mas colocou panos quentes na situação. 

A tentativa de apaziguar a situação se dá dias após Nikolas tornar público o descontentamento durante entrevista a um podcast e não descartar uma troca de partido. “Se eu ver que está sendo feita uma chapa em que eu não tenha controle, decisão e que coloquem nomes completamente desconexos, vou entender isso como um convite para sair (do PL)”, disse ao Café com Ferri. 

A fala de Ferreira ocorre a reboque de movimentações do PL para filiar o deputado federal Marcelo Freitas. Atualmente presidindo o União Brasil em Minas, o parlamentar pode desembarcar no Partido Liberal com as negociações para a ida do senador Rodrigo Pacheco ao PL que devem retirar Freitas do comando estadual do União. Há movimentações, ainda, para filiar a deputada federal Greyce Elias (Avante). 

Os dois movimentos, segundo Domingos Sávio, estão sendo capitaneados pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sem a interferência do diretório estadual. “Ele (Valdemar) disse que a Greyce era um compromisso dele de que, caso quisesse vir para o PL, ela teria um apoio da nacional. E obviamente nós respeitamos o compromisso do presidente”, disse Domingos Sávio. 

Segundo ele, a insatisfação interna com as movimentações já foi levada à executiva nacional do PL e o assunto deve ser novamente tratado após o Carnaval, já que houve um acerto da bancada mineira, na Assembleia e na Câmara, sobre o assunto. Nos bastidores, interlocutores mais ligados a Nikolas citam que a filiação de deputados ao PL pode retirar espaço e dificultar os planos eleitorais de quem tentará a reeleição ou se eleger em outubro. 

Ao tentar contemporizar a situação, Domingos Sávio diz que a insatisfação com uma eventual filiação tem ligação com um posicionamento ideológico distinto do PL. “Tem deputado que o mandato vota com a esquerda ou que não tem muita clareza na defesa dos nossos valores. Nós não queremos por medo dele tomar a vaga, mas é porque nós podemos dar vaga para alguém que não comunga dos nossos princípios”, amenizou o presidente estadual do PL.