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Na última semana, a internet se deparou com influenciadores digitais famosos colaborando com ideias antissemitas disfarçadas de liberdade de expressão. O tema movimentou a pauta política e mobilizou as redes sociais. O Correio ouviu especialistas e parlamentares para desmistificar o assunto e o que pode acontecer com quem colabora com esse tipo de pensamento.
Na segunda-feira (7), o ex-apresentador do Flow Podcast, Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, defendeu que não há nada de errado em perseguir judeus. "Eu acho que tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei. [...] A questão é: se o cara quiser ser um antijudeu, eu acho que ele tinha o direito de ser." Na ocasião, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) também criticou a criminalização de ideologia nazista na Alemanha. Na terça (8), o comentarista político Adrilles Jorge encerrou sua participação no programa Opinião com um gesto associado a uma saudação nazista. Ambos influenciadores foram desligados dos canais.
Outro episódio foi reportado à delegacia regional de Polícia Civil de Divinópolis (MG), na quinta (10). Enquanto era realizada a Primeira Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, indivíduos invadiram o debate e projetaram símbolos visuais e textuais nazistas.
As manifestações movimentaram a agenda política. Na quinta, o Senado Federal promoveu sessão solene para homenagear e relembrar as vítimas do holocausto e realizar a cerimônia do Yom HaShoá, conhecido como Dia da Lembrança do Holocausto. Um dia antes, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) enviou à casa um PL para criminalizar condutas associadas à promoção do nazismo e do fascismo. Simone Tebet (MDB-MS) também protocolou o projeto que pretende suprir a ausência da criminalização ao que se refere ao nazismo, por meio da Lei Antirracismo.
Na justificativa, a parlamentar lembrou que países como Bélgica, Alemanha, Itália, Grécia e Áustria, entre outros, criminalizaram a negação do holocausto. "O mote de tais grupos é propagar e alimentar discursos de ódio relacionados à misoginia ou ao antissemitismo, bem como contra negros ou integrantes do grupo LGBTQIAP , entre outros. Por perceber que há uma lacuna legal para o tipo específico do crime, com reclusão de 3 a 6 anos", explicou a senadora.
Procurado pelo Correio, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), repudiou o tema, mas não se manifestou sobre as ações dos colegas. "Meu maior repúdio e silêncio absoluto sobre esse tema. Por respeito aos judeus e às minorias, o assunto merece toda a minha rejeição. Que a justiça trate daqueles que desconhecem a história", lamentou.
Discurso de ódio
Na avaliação de especialistas, desde que Jair Bolsonaro (PL) assumiu a Presidência da República, cresceu o discurso de ódio no país. Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, aponta que o movimento neonazista cresceu 270% nos últimos três anos no mundo.
"Esse tema volta à tona nas redes sociais de dois modos. Primeiro, porque existem, sim, pessoas e grupos que apoiam ou simpatizam com esses ideais em maior ou menor grau. Portanto, se aproveitam de episódios (como os da semana anterior) para trazer à tona essa ideologia. Segundo, porque algumas pessoas, sob o pretexto de defender uma liberdade de expressão ilimitada, algo que não existe em lugar nenhum do mundo, acham que seria justo as pessoas terem o direito de defenderem os ideais nazistas, ou então, acham que seria melhor descriminalizar o nazismo ou os partidos políticos alinhados com essa ideologia", explicou.
A professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Débora Messenberg atribui a força que o discurso de ódio ganha a um programa orquestrado pela extrema direita, que tenta colocar, "no mesmo plano", nazismo e comunismo. Porém, ressalta a especialista, a principal diferença é que o comunismo não propaga a eliminação de um grupo, por isso se torna "uma distorção da realidade para confundir. Quem adere é quem não tem interesse crítico no assunto", concluiu.
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Na última semana, a internet se deparou com influenciadores digitais famosos colaborando com ideias antissemitas disfarçadas de liberdade de expressão. O tema movimentou a pauta política e mobilizou as redes sociais. O Correio ouviu especialistas e parlamentares para desmistificar o assunto e o que pode acontecer com quem colabora com esse tipo de pensamento.
Na segunda-feira (7), o ex-apresentador do Flow Podcast, Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark, defendeu que não há nada de errado em perseguir judeus. "Eu acho que tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei. [...] A questão é: se o cara quiser ser um antijudeu, eu acho que ele tinha o direito de ser." Na ocasião, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) também criticou a criminalização de ideologia nazista na Alemanha. Na terça (8), o comentarista político Adrilles Jorge encerrou sua participação no programa Opinião com um gesto associado a uma saudação nazista. Ambos influenciadores foram desligados dos canais.
Outro episódio foi reportado à delegacia regional de Polícia Civil de Divinópolis (MG), na quinta (10). Enquanto era realizada a Primeira Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, indivíduos invadiram o debate e projetaram símbolos visuais e textuais nazistas.
As manifestações movimentaram a agenda política. Na quinta, o Senado Federal promoveu sessão solene para homenagear e relembrar as vítimas do holocausto e realizar a cerimônia do Yom HaShoá, conhecido como Dia da Lembrança do Holocausto. Um dia antes, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) enviou à casa um PL para criminalizar condutas associadas à promoção do nazismo e do fascismo. Simone Tebet (MDB-MS) também protocolou o projeto que pretende suprir a ausência da criminalização ao que se refere ao nazismo, por meio da Lei Antirracismo.
Na justificativa, a parlamentar lembrou que países como Bélgica, Alemanha, Itália, Grécia e Áustria, entre outros, criminalizaram a negação do holocausto. "O mote de tais grupos é propagar e alimentar discursos de ódio relacionados à misoginia ou ao antissemitismo, bem como contra negros ou integrantes do grupo LGBTQIAP , entre outros. Por perceber que há uma lacuna legal para o tipo específico do crime, com reclusão de 3 a 6 anos", explicou a senadora.
Procurado pelo Correio, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), repudiou o tema, mas não se manifestou sobre as ações dos colegas. "Meu maior repúdio e silêncio absoluto sobre esse tema. Por respeito aos judeus e às minorias, o assunto merece toda a minha rejeição. Que a justiça trate daqueles que desconhecem a história", lamentou.
Discurso de ódio
Na avaliação de especialistas, desde que Jair Bolsonaro (PL) assumiu a Presidência da República, cresceu o discurso de ódio no país. Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, aponta que o movimento neonazista cresceu 270% nos últimos três anos no mundo.
"Esse tema volta à tona nas redes sociais de dois modos. Primeiro, porque existem, sim, pessoas e grupos que apoiam ou simpatizam com esses ideais em maior ou menor grau. Portanto, se aproveitam de episódios (como os da semana anterior) para trazer à tona essa ideologia. Segundo, porque algumas pessoas, sob o pretexto de defender uma liberdade de expressão ilimitada, algo que não existe em lugar nenhum do mundo, acham que seria justo as pessoas terem o direito de defenderem os ideais nazistas, ou então, acham que seria melhor descriminalizar o nazismo ou os partidos políticos alinhados com essa ideologia", explicou.
A professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Débora Messenberg atribui a força que o discurso de ódio ganha a um programa orquestrado pela extrema direita, que tenta colocar, "no mesmo plano", nazismo e comunismo. Porém, ressalta a especialista, a principal diferença é que o comunismo não propaga a eliminação de um grupo, por isso se torna "uma distorção da realidade para confundir. Quem adere é quem não tem interesse crítico no assunto", concluiu.