Brasil247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que parlamentares pretendem impedir que as investigações do caso Dark Horse permaneçam sob sigilo ou sejam conduzidas sem critérios uniformes de publicidade. Deputados do PT, PCdoB, PSOL e REDE protocolaram nesta quarta-feira (2) uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os procedimentos que envolvem o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os recursos destinados pelo empresário Daniel Vorcaro à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Não vamos permitir que esse caso de corrupção do Flávio Bolsonaro e do Vorcaro seja acobertado, que sentem em cima desse caso. Não vamos permitir”, declarou Lindbergh.

A representação foi dirigida ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Os parlamentares pedem que o Plenário determine o levantamento do sigilo e estabeleça um critério único para a divulgação das informações relacionadas ao Banco Master, especialmente durante o processo eleitoral.

Os signatários alegam que o relator, ministro André Mendonça, tornou públicos elementos de investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, mas manteve sob sigilo três procedimentos relacionados a Flávio Bolsonaro.

“O que nós queremos é isonomia de tratamento”, disse Lindbergh. Segundo o parlamentar, a publicidade deve alcançar todo o material, independentemente dos nomes envolvidos. “Nós não vamos passar pano para ninguém”, acrescentou.

A petição pede que Fachin oriente o gabinete de Mendonça sobre os critérios aplicáveis à retirada do sigilo. Os deputados também querem que o relator reavalie imediatamente a restrição de acesso aos procedimentos e que o pedido seja analisado na primeira sessão presencial do STF após o protocolo.

Lindbergh afirmou que os procedimentos relacionados ao filme permanecem com Mendonça há cerca de 90 dias. O deputado disse ainda que informações divulgadas recentemente elevaram de R$ 61 milhões para R$ 72 milhões o montante que teria sido transferido por Vorcaro à produção. Ele também mencionou R$ 134 milhões como o valor total que teria sido solicitado ao empresário.

Ao rebater o argumento atribuído a Flávio de que os repasses envolveriam “dinheiro privado”, Lindbergh sustentou que a origem e o destino dos recursos precisam ser examinados pelas autoridades. O deputado defendeu que ministros do Supremo, congressistas e candidatos recebam o mesmo tratamento caso apareçam nas apurações.

“Quem estiver envolvido vai ter que pagar. Volto a dizer, seja quem for”, afirmou. Lindbergh também informou ter apresentado um pedido para que a Procuradoria-Geral da República avalie o afastamento de Flávio Bolsonaro do mandato de senador.

A produção de Dark Horse recebeu recursos de Vorcaro para realizar um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A investigação busca esclarecer as circunstâncias dos pagamentos, a destinação dos valores e a eventual participação de agentes políticos nas negociações.

Encontro entre Mendonça e Vorcaro

A representação incorporou informações sobre um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, realizado em março de 2025, em São Paulo. A reportagem citada pelos deputados afirma que o empresário permaneceu por aproximadamente duas horas em um endereço privado quando o Banco Master enfrentava dificuldades perante o Banco Central.

Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro no Instituto Iter, entidade fundada pelo próprio ministro. Segundo sua versão, a conversa durou de 20 a 30 minutos e tratou de uma disputa sobre precatórios ligada à Suspensão de Tutela Provisória 976. O magistrado afirmou que apenas ouviu o empresário e que posteriormente votou contra os interesses apresentados no processo.

Além do levantamento do sigilo, a petição requer que Fachin encaminhe o caso à Procuradoria-Geral da República para a avaliação das providências cabíveis. Entre as medidas mencionadas está uma eventual arguição de suspeição de André Mendonça e a apuração dos contatos mantidos pelo ministro com Vorcaro.

Os deputados afirmam que poderão apresentar diretamente o pedido de suspeição caso a diferença de tratamento entre as investigações permaneça depois da manifestação do Plenário. Para os signatários, a adoção de regras uniformes de publicidade é necessária para evitar o uso seletivo de informações sob sigilo durante a campanha eleitoral.