CRÍTICA

Em visita a Belo Horizonte para lançar um projeto de auxílio a catadores de lixo e reciclagem na capital mineira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, pediu para que as prefeituras não só de BH, mas de toda Minas Gerais, passe a contratar as cooperativas de catadores de lixo e reciclagem, em detrimento de grandes empresas. A fala vem após um impasse entre a PBH e as cooperativas de reciclagem da capital mineira sobre o contrato do Carnaval de 2025, que inicialmente havia contratado uma empresa de São Paulo para fazer o trabalho de coleta e triagem.

“Por que é que pagam as empresas e por que não pagam as cooperativas? Se tem previsão legal, estamos numa jornada para que esses serviços, que as cooperativas realizam, sejam pagas com o preço certo. Vamos ampliar agora com a triagem e vamos aumentar essa escala para atender todas as cooperativas mineiras e de BH que possam trabalhar com dignidade dessa cadeia produtiva. Porque esse trabalho ninguém faz melhor do que os catadores e as catadoras, e as cooperativas que já existem. Então é justo e digno que eles sejam pagos por esse serviço importante. Porque senão vai ficar um serviço meia boca. Eu não estou pedindo aqui nada que eles [catadores] já não saibam como fazer. Eu sei que tem a parte maior de coleta e de destinação que é feito pelas empresas. Mas a parte dos reciclados, da coleta, que é a razão e da existência dessa cadeia produtiva, contrate os catadores, que são melhores”, destacou o ministro, que foi aplaudido por catadores que estavam no local.

Questionado sobre o imbróglio, o prefeito interino de Belo Horizonte, Álvaro Damião, afirmou que já teve uma conversa com as cooperativas e que o problema foi resolvido: “A Prefeitura havia prometido no ano passado repassar R$ 500,00 para os catadores, mas a gente ia repassar através da empresa que ganhou o edital. Quando vimos que a empresa que ganhou o edital não ia repassar para os catadores a diária que nós já havíamos combinado, nós pegamos o dinheiro de volta e entregamos o dinheiro para a SLU para ela fizesse esse pagamento direto aos catadores. A diária de qualquer catador hoje em Belo Horizonte é de R$ 150,00, a maior diária do Brasil é praticada na capital mineira”.

Entenda o impasse

O evento acontece após um impasse entre os catadores de materiais recicláveis e a Prefeitura sobre o aporte financeiro para o Carnaval 2025. Na última semana, ReciclaBelô! divulgou uma nota afirmando que temia ficar de fora da folia em 2025, após serem informadas de que a PBH iria repassar o valor de R$ 500 mil para a atuação de reciclagem na folia para uma empresa de São Paulo. Segundo o RecliclaBelô, após a mudança, em reuniões, o município teria chegado a oferecer uma redução de 80% no valor da diária paga aos catadores, que passaria de R$ 150 para apenas R$ 30.

Dois dias depois da denúncia feita pela entidade, a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou que o ReciclaBelô receberá um investimento total de R$ 615.053,44 durante o Carnaval 2025. Desse montante, R$ 499.367,44 serão destinados à remuneração dos catadores autônomos, enquanto R$ 115.686,00 serão aplicados na estruturação de quatro centrais de triagem, localizadas na Pampulha, Centro, Avenida dos Andradas e Savassi.