Há um “Alexandre Silveira” no caminho traçado por Marília Campos rumo ao Senado, e isso tem desagradado a prefeita de Contagem. Ela já teria manifestado a interlocutores um incômodo com os acenos de Lula (PT) ao ministro de Minas e Energia e estaria disposta a não entrar na disputa, se não receber um sinal claro de que será a escolhida do presidente para o pleito ao Congresso. 

Marília teria indicado a dirigentes petistas que não pretende entrar em “bola dividida” e poderia recuar de sua possível candidatura, caso não seja tratada como a candidata prioritária de Lula. Na prática, isso significa ter garantias de agendas com o presidente, além de recursos e estrutura de campanha para enfrentar o desafio das próximas eleições.

Em 2026, o eleitor mineiro terá dois votos para o Senado, mas não poderá votar duas vezes no mesmo candidato. Marília defende que a base governista lance apenas um nome, mas consideraria que uma candidatura com perfil mais vinculado à esquerda — como a da ex-deputada Áurea Carolina (PSOL) — representaria menos risco do que a de Silveira. O problema é que, na avaliação de interlocutores petistas, Marília e o ministro disputariam o mesmo eleitorado.

A prefeita é vista como uma candidata capaz de dialogar com eleitores de esquerda e de direita. Nas contas de aliados petistas, um dos votos do eleitor de esquerda estaria naturalmente com o PT. Mas, para figurar entre os dois mais votados, seria necessário também conquistar parte do eleitorado de centro, que simpatiza com Lula, mas rejeita discursos ideológicos do partido. É justamente nesse espaço que Alexandre Silveira transita.

Silveira diz que não é candidato, mas se fosse para entrar no pleito de 2026, a informação é que ele teria mais interesse por uma vaga no Senado, espaço que já ocupou. Ele era suplente do ex-governador e ex-senador Antonio Anastasia e assumiu a vaga quando o titular se retirou para virar ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2022, Silveira disputou o cargo com o apoio de Lula, mas acabou derrotado pelo senador Cleitinho (Republicanos). Uma alternativa para evitar o embate por uma vaga ao Senado seria a indicação de Silveira para a disputa ao governo de Minas. Mas a decisão sobre a vaga segue “estacionada” esperando ainda conversas com o senador Rodrigo Pacheco (PSD).

Alexandre Silveira, atualmente filiado ao PSD, é um dos ministros mais próximos de Lula e conta com a confiança do petista e tem sido cotado entre articuladores petistas para coordenar a campanha de reeleição do presidente. Com o afastamento de Pacheco, preferido de Lula para encabeçar o palanque em Minas, Silveira tornou-se um dos poucos vínculos do presidente com lideranças de partidos de centro-direita no estado.

O presidente estaria empenhado em fortalecer a imagem de Silveira em Minas e tem atendido aos pedidos de agenda feitos por ele. Na  quinta-feira (11/12), Lula esteve em Minas para uma atividade da Caravana Federativa, articulada por Silveira junto a lideranças municipalistas.

O presidente também visitou Itabira, um dos mais importantes centros de mineração do estado, atividades vinculada à pasta comandada por Silveira. Em setembro, já havia ido a Belo Horizonte lançar o programa “Gás do Povo”, iniciativa da pasta do ministro.

Um problema é que Silveira é filiado ao PSD, que abriga o vice-governador Mateus Simões (PSD) e deve apoiar a candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência. A situação motivou cobranças de lideranças petistas, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que exigiu a desfiliação de Silveira para que as negociações eleitorais possam avançar.