ELEIÇÕES
 
As dúvidas, as disputas, os acertos adiados, as mil conversas para conseguir melhores condições no páreo da disputa eleitoral chegam agora para uma definição. Não dá mais para fugir de decisões. Nesta segunda-feira (4), haverá um encontro entre o presidente Bolsonaro e o governador Zema para tentar selar uma aliança, conveniente aos dois para enfrentar o que as pesquisas apontam como favoritismo de Lula e a reboque dele do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil.

Do lado do PSD e PT tudo acertado. A missão agora fica para o maior carregador de postes da história, apelido que ganhou elegendo figuras como Dilma e Haddad, mais centenas de candidatos que tiveram sucesso unicamente pelo toque de Lula.

Do lado do partido Novo, que de experiência eleitoral está ainda na estaca de partida,  o que está certo é só o nome do governador que concorrerá à reeleição. Enquanto o Novo “cozinhava” os inúmeros pretendentes para emplacar na última hora Mateus Simões, desprezando até os votos bolsonaristas e de grandes partidos para compor a chapa maioritária, em decorrência das últimas pesquisas se encontra agora na “necessidade” de alianças de peso. Grandes partidos tradicionais e de Bolsonaro.


Na realidade, o Novo tramou para ter uma chapa puro-sangue para não correr o risco de se ver fora do governo numa eventual desincompatibilização de Zema em março de 2026, para concorrer a outro cargo, de senador ou de presidente. Neste caso, o vice daria continuidade em Minas a condição de mandante do jogo.


O Novo sonha com a Presidência da República daqui a quatro anos com Zema e a continuidade em Minas com Mateus Simões. Escolher uma figura de outro partido manda às favas as contas do partido.

O nome de Mateus Simões, já escolhido para vice de Zema, seria motivo de uma derrota, segundo várias pesquisas que sondaram as possíveis alianças. Romeu Zema agora precisa e não pode perder o apoio de Bolsonaro, de qualquer outro partido ou 'partidinho' que possam fazer a diferença numa situação que dá a vitória a Kalil quando o eleitorado de Lula descobrir que os dois estão “casados”.

Zema mais Bolsonaro no mesmo barco parece que é a única fórmula para tentar enfrentar o favoritismo da aliança de Lula com Kalil.


Neste cenário, a disputa nos bastidores do Novo perdeu a fleuma. De um lado Igor Eto, que tentou emplacar o “sócio” Marcelo Aro, e do outro Mateus Simões com o controle do diretório do Novo e que de Marcelo Aro não quer saber como vice.

O confronto Igor versus Mateus tem este último como vencedor, ao ponto de ter preferido o jornalista Eduardo Costa (Cidadania) e tê-lo lançado de vice de Zema, mas esta candidatura esbarra no PSDB de Pestana e se inviabiliza.


Dossiê roda nas redes sociais


Não se sabe quem, mas durante todo o dia circulou um dossiê, contra Marcelo Aro, com boletim de ocorrência e passagem em delegacia e quartéis por suposta violência (socos e chutes) contra uma ex-namorada. Além disso, os documentos citam Aro desacatando policiais após denúncias por tumultuar a ordem pública. Também repescando problemas de familiares por irregularidades na Federação Mineira de Futebol. O 'Novo da gema' Aro não só deixa de somar, como tira votos em qualquer posição que entre.

Briga feia para fechar o dia


No final de tarde deste domingo, os comentários captados eram de que a “briga ficou feia e o Novo rachou”. Ninguém quer ceder às evidências de estudo recente que apontam que as vagas de vice e senador precisam estar à disposição de aliados. Mostra que as medidas são “necessárias”, apesar de dolorosas e incinerar os planos originais da sigla.


As possibilidades se afunilam para a provável vaga de vice ir para o União e o Senado para o PL de Bolsonaro, como forma de consolidar uma ampla aliança, sem a qual a derrota parece o resultado mais provável.