O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu a inflação sobre o preço dos alimentos à alta do dólar por conta de um Banco Central (BC) “totalmente irresponsável” e que “deixou uma arapuca”. A declaração foi feita nesta quinta-feira (6) em entrevista a rádios da Bahia.

A crítica foi direcionada a Roberto Campos Neto, indicado para o BC pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que encerrou seu mandato em dezembro, dois anos depois do início do governo Lula 3. O indicado pelo petista para o cargo foi Gabriel Galípolo, que começou sua gestão em 1º de janeiro. 

“Nós tivemos o aumento do dólar porque nós tivemos um Banco Central totalmente irresponsável que deixou uma arapuca que a gente não pode desmontar de uma hora para a outra. Eu disse outro dia que a gente não pode dar um cavalo de pau em um navio do tamanho do Brasil. É preciso que a gente tenha juízo, faça as coisas com cuidado, porque um cavalo de pau em um mar revolto pode tombar o navio”, disse. 

Lula avaliou que o aumento do dólar também foi consequência da campanha eleitoral nos Estados Unidos e que a moeda agora começará a se acomodar. “Eu acho que o dólar se ajustando, os produtos vão ficar mais aqui [no Brasil]”. 

Lula declarou que esse foi um dos problemas para o aumento no preço dos alimentos, que virou um problema para o governo. A outra, de acordo com ele, foi a expansão de importações para o mundo, o que "significa que o Brasil virou um verdadeiramente um celeiro do mundo” e “as pessoas estão comprando muito do Brasil”. 

“Nós precisamos produzir mais e melhorar qualidade para que a gente possa baratear o preço”, disse. “Eu não posso fazer congelamento, eu não posso colocar fiscal para ir em fazenda e ver se o gado está guardado ou não. O que nós precisamos é chamar os empresários, conversar com todo o setor e ver o que gente pode fazer para garantir que a cesta básica do povo brasileiro caiba dentro do seu orçamento com uma certa flexibilidade”, acrescentou. 

O presidente informou que fará reuniões na próxima semana com produtores de carne e encontrará, ainda, empresários do ramo de arroz, além de tocar conversas com integrantes do próprio governo em busca de uma solução e tornar os preços dos alimentos compatíveis com o salário recebido pelo trabalhador. 

Além de cobrar “responsabilidade de todos os setores da cadeia produtiva”, Lula ainda disse que será “necessário” fazer um “processo educacional” com a população. "O povo não pode ser extorquido", declarou. 

“Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai ao supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, senão vai estragar”, afirmou.