BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve responder aos últimos ataques proferidos pelo presidente da Argentina, Javier Milei, no domingo (2/8), quando chamou o petista de “ladrão” e “corrupto”.O Ministério das Relações Exteriores vem adotando uma postura cautelosa diante da crise diplomática com o país vizinho. Desde os primeiros ataques de Milei, durante a convenção do PL que confirmou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como presidenciável, o Itamaraty não tem se manifestado oficialmente em relação ao governo argentino.

Por outro lado, as novas declarações de Milei afastam a hipótese de um retorno, nos próximos dias, do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Desde que se desencadeou a atual crise, ele foi convocado para retornar a Brasília e se reuniu duas vezes com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para consultas e orientações.

Após o último encontro, na quarta-feira (29/7), ficou definido que Vitelli retornaria à Argentina, mas em data ainda a ser definida pela chancelaria brasileira. A tendência seria isso acontecer após um arrefecimento das tensões, cenário que se tornou mais distante após o último domingo.

Em entrevista à emissora argentina LN+, Milei relembrou o processo judicial que prendeu e depois resultou na soltura de Lula. "Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", disse.

A orientação no governo Lula é de que seus ministros e auxiliares evitem novas declarações polêmicas que possam repercutir na Argentina. O alerta veio principalmente após uma fala do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou Milei de “palhaço”, o que gerou irritação no Palácio do Planalto. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também foi incisivo ao chamar o líder argentino de “figura patética” e “puxa-saco de Trump.

No dia 25 de julho, Milei participou da convenção do PL em São Paulo, evento que confirmou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Milei se referiu a Lula como "presidiário" e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca".

"O lixo careca não me permitiu visitar meu amigo (o ex-presidente Jair Bolsonaro) injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso, Alberto Fernández”, disse o presidente da Argentina na ocasião.