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string(119) "Investigado por mineração ilegal na serra do Curral era do 'Conselhão' de Lula: 'Empresário sério'"
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Os elogios de Lula aconteceram no dia 21 de fevereiro de 2025, durante a cerimônia de assinatura do contrato de concessão do porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, arrematado pela Cedro em leilão. Já a operação policial, que trouxe à tona o envolvimento de Kallas no caso da mineração da Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra) no cartão postal de BH, foi deflagrada pela PF no dia 28 de março daquele ano, pouco mais de um mês após o presidente exaltar a atuação do empresário.
“Não é todo empresário que pensa assim (torce pelo crescimento do Brasil). Tem empresário que vai no governo, conversa, pede as coisas e ainda sai falando mal do governo. Tem empresário que recebe bilhões de investimentos e, quando deixa a sala do presidente, a imprensa pergunta: ‘E daí, tudo bem?’, [ele responde:] ‘Foi suficiente’! Ou seja, nunca as pessoas agradecem aquilo que receberam. E o Lucas, ao anunciar esse investimento hoje aqui é uma demonstração que ele começou como pequeno, mas com vontade de ser grande”, disse o presidente na ocasião.
Além de Kallas, seus sócios, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques, familiares deles e pessoas apontadas como laranjas, a operação Parcours também teve como alvo servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável por fiscalizar as atividades mineradoras no país. Conforme a representação criminal da PF na Justiça Federal, o gerente regional da ANM em Minas, Leandro Cesar Ferreira de Carvalho, e o superintendente substituto de segurança de barragens de mineração, Claudinei Oliveira Cruz, teriam recebido altos valores para fazer "vista grossa" à atividade ilegal e, inclusive, liberar intervenções emergenciais que seriam usadas como justificativa para manter a extração ilegal.
A ANM faz parte do Ministério de Minas e Energia, comandado desde 2023 pelo PSD que fez parte da base de Lula. O partido teve como segunda principal doadora, em 2022, Francine Prado Kallas, irmã de Lucas, que enviou R$ 990 mil para o Partido Social Democrático (PSD), conforme o portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além dos R$ 832 milhões, valor bloqueado pela Justiça estimado com base no impacto ambiental e na previsão de compensação pelo estrago, a PF também apontou que, entre 2012 e 2019, a Empabra teria deixado de pagar R$ 11,4 milhões de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).
O TEMPO procurou a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pelo "Conselhão", e o governo Federal, que informaram, por nota, que Kallas "não foi reconduzido para compor o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável". A decisão foi oficializada em decreto publicado em agosto de 2025 pelo presidente Lula. Apesar disso, em seu LinkedIn, o empresário afirma ainda fazer parte do colegiado federal.
Os empresários também foram procurados. A defesa de Luis Fernando Franceschini afirmou que ele já prestou esclarecimentos à autoridade policial, "evidenciando que os fatos que culminaram na sua vinculação e da Empabra à Operação Parcours decorre de suposições indevidas e erro na aferição de dados técnicos e geológicos".
As respostas dos outros citados serão incluídas assim que forem recebidas. O Ministério de Minas e Energia foi procurado e ainda não se manifestou.
Veja o que diz a assessoria do empresário Lucas Kallas
"Com relação à reportagem publicada em 20/01 pelo O Tempo, cumpre esclarecer que Lucas Kallas não tem qualquer relação com os fatos citados e, inclusive, há mais de oito anos não integra mais o quadro de investidores da empresa que celebrou contratos de compra e venda de finos de minério com a EMPABRA. A publicação da reportagem foi recebida com estranheza uma vez que o assunto já foi amplamente esclarecido e, principalmente, não traz nenhum fato novo que justifique tal matéria".
Relembre o esquema
Conforme divulgado em abril do ano passado por O TEMPO, o esquema de extração ilegal de minério, chamado de "distopia ambiental" pela PF e que chegou a aniquilar um córrego, teve início em 2012, quando Lucas Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques entraram como parceiros dos então proprietários da Empabra. Na ocasião, a mineradora tinha um TAC firmado com o MPMG para recuperar a área da antiga mina, abandonada desde o tombamento da serra do Curral, na década de 90.
Conforme apurado pela corporação, os "novos sócios parceiros", entre eles Kallas, teriam imprimido uma atuação mais “agressiva” na empresa, “em especial no que tange ao cumprimento do plano de recuperação firmado em 2008”, conforme consta no documento que embasa o inquérito. Situação que, segundo os investigadores, teria sido mantida ao longo dos anos.
“A partir de 2014, análises periciais e de auditoria confirmam integralmente os fatos narrados, no que tange ao efetivo interesse dos empresários em se aproveitar financeiramente da área, retirando maior quantidade de minério, em desacordo com o previsto no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, entre outras condutas ilícitas, as quais restaram reiteradamente praticadas até o presente ano de 2025”.
Com a extração mineral ao longo dos anos, o grupo empresarial ligado à Empabra teria lucrado, segundo a PF, cerca de R$ 708,8 milhões. Durante as investigações sobre o “destino” desta enorme quantia de dinheiro, os investigadores federais acabaram se deparando com uma verdadeira teia de empresas.
Conforme o inquérito do caso, com o objetivo de continuar minerando, segundo a PF, a Empabra teria desestabilizado de propósito uma pilha, que esteve perfeitamente segura por anos, com o objetivo de conseguir uma autorização emergencial da ANM para desmanchar a estrutura e, assim, lucrar ainda mais com a destruição do monumento natural.
No documento, o perito cita que, entre 2023 e 2024, a Empabra apresentou relatórios técnicos na Agência Nacional de Mineração (ANM) para solicitar “urgência na remoção” da chamada Pilha A, com o objetivo de “justificar a remoção de minérios com teor marginal estocados para conformar taludes e deixar plana a área de processamento de minério”. “Ao analisar diversos relatórios técnicos (...) (o perito) levantou diversas dúvidas em relação à precisão das informações apresentadas”, diz o relatório.
A estabilidade da pilha, entre os anos de 2017 e 2024, foi confirmada pela corporação por meio de imagens de satélite, que mostraram o uso contínuo de máquinas pesadas construindo e trafegando sobre a pilha A, que recebeu, inclusive, a planta de beneficiamento da mineradora. O perito apontou ainda que a estrutura foi construída seguindo princípios que favoreceriam a sua estabilidade, já que tinham sido construídas de baixo para cima.
A atuação irregular na serra do Curral da mineradora Empabra, que teria destruído parte do manancial da área, também teria afetado a vegetação ao redor, aponta relatório da Polícia Federal. “Em alguns pontos, a cava criada reduziu o nível do terreno em cerca de 80 m, o que eliminou a vegetação em recuperação, além da cobertura do solo e das rochas”, dizem os peritos.
A empresa, que teria conseguido acesso ao local com a promessa de recuperação da área, teria piorado o cenário local. Imagens anexadas ao processo mostram que, em 2006, parte da cobertura vegetal já havia sido recuperada. Já em março de 2024, a área estava “completamente impactada ambientalmente”, ainda segundo a PF.
Ao fim das escavações, o que ficou foram “taludes íngremes e instáveis, que não receberam tratamento geotécnico adequado nem qualquer tipo de revegetação” em função de “operações de mineração (que) ultrapassaram os limites legais de maneira contínua e deliberada (...), configurando o que pode ser interpretado como uma transgressão continuada e planejada”, conclui a PF. A PF disse não comentar investigações em andamento.
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Os elogios de Lula aconteceram no dia 21 de fevereiro de 2025, durante a cerimônia de assinatura do contrato de concessão do porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, arrematado pela Cedro em leilão. Já a operação policial, que trouxe à tona o envolvimento de Kallas no caso da mineração da Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra) no cartão postal de BH, foi deflagrada pela PF no dia 28 de março daquele ano, pouco mais de um mês após o presidente exaltar a atuação do empresário.
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Veja o que diz a assessoria do empresário Lucas Kallas
"Com relação à reportagem publicada em 20/01 pelo O Tempo, cumpre esclarecer que Lucas Kallas não tem qualquer relação com os fatos citados e, inclusive, há mais de oito anos não integra mais o quadro de investidores da empresa que celebrou contratos de compra e venda de finos de minério com a EMPABRA. A publicação da reportagem foi recebida com estranheza uma vez que o assunto já foi amplamente esclarecido e, principalmente, não traz nenhum fato novo que justifique tal matéria".
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Conforme divulgado em abril do ano passado por O TEMPO, o esquema de extração ilegal de minério, chamado de "distopia ambiental" pela PF e que chegou a aniquilar um córrego, teve início em 2012, quando Lucas Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques entraram como parceiros dos então proprietários da Empabra. Na ocasião, a mineradora tinha um TAC firmado com o MPMG para recuperar a área da antiga mina, abandonada desde o tombamento da serra do Curral, na década de 90.
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