O sargento Luís Marcos dos Reis, um ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, presta depoimento nesta quinta-feira (24) à CPI dos Atos Golpistas e confirmou ter realizado o pagamento de um boleto para a família do ex-presidente. Entretanto, Reis optou por não responder a questionamentos mais detalhados sobre esse assunto durante seu depoimento. Luís Marcos dos Reis foi convocado para prestar depoimento devido à suspeita levantada por membros da CPI de que indivíduos próximos a Bolsonaro poderiam ter financiado atividades consideradas golpistas. >>> Envio de R$ 72 mil a Mauro Cid foi por venda de carro, diz sargento à CPMI dos atos golpistas.

Conforme informações divulgadas pela comissão, o sargento, que recebeu um salário médio mensal de R$ 13 mil, teve transações financeiras relacionadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no valor aproximado de R$ 3 milhões ao longo de um período de um ano e meio. Inicialmente, quando informado sobre pagamentos efetuados para Bolsonaro e sua ex-esposa Michelle, Luís Marcos dos Reis negociou ter feito tais pagamentos. No entanto, num momento posterior, ele confirmou ter realizado esses pagamentos, porém, não respondeu às perguntas adicionais.

A dinâmica do diálogo entre Luís Marcos dos Reis e o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) se desenrolou da seguinte maneira: Deputado: "O senhor fez algum pagamento ou não, um pedido do presidente da República [Bolsonaro]? Não estou falando de valores." Sargento: "Não. Do presidente da República, não." Deputado: "De interesse dele, sim?" Sargento: “Do presidente da República, não.” Deputado: "Da senhora Michelle Bolsonaro, o senhor fez algum pagamento?" Sargento: "Não." Deputado: "De qualquer que seja o valor?" Sargento: "Eu recebia quando era, vamos dizer assim, para fazer... Um exemplo." Deputado: "Pequenos pagamentos?" Sargento: "Já fiz." Deputado: "O senhor acabou de dizer que não fez. O senhor fez ou não fez?" Sargento: "Estou falando aqui. Fiz um pagamento de boleto da filha do presidente, do colégio que ela estudou." Quando questionado se o pagamento foi feito com recursos próprios, o sargento optou por se pagar.