Em conversa com a reportagem, Paulo Brant afirmou que embora tenha uma proximidade até pessoal com o governador, esse assunto nunca foi posto em diálogo entre os dois.
“De vez em quando a gente tem algumas conversas pessoais, só eu e ele, e esse assunto nunca entrou. Até porque eu acho que seria uma indelicadeza minha, uma questão de postura mesmo. Porque acho que é o governador que precisa conduzir o processo. A gente conversava sobre vários assuntos, ele sempre me pergunta algo do governo, mas sobre a vaga de vice nunca falamos”, relatou Brant.
O vice-governador ainda considera que seria indelicado da parte dele se voluntariar ao cargo sem uma construção interna no seu partido, o PSDB.
“Eu não gosto de voluntarismos. Como estou no PSDB, eu preciso seguir, de certa forma, as diretrizes do partido. O PSDB estava muito envolvido com a questão nacional, infelizmente a coisa não encaminhou como esperava. Eu acho que eu não poderia me colocar sem conversar com o partido”, pondera.
Na avaliação de Brant, ‘não chegaria a tanto’ dizer que Zema foi descortês com ele em não o convidar para o cargo, mas afirma que conduziria o processo de forma diferente.
“Cada pessoa tem seu estilo.Eu se fosse governador talvez conduziria de uma forma diferente o processo, mas não acho que houve desrespeito, pelo contrário, mesmo depois da minha saída do partido Novo eu continuei envolvido com assuntos ligados a atração de investimentos, na área de governo”, concluiu e negou também que tenha relação ruim com partido Novo.
Corrida para vice. Brant também deu sua avaliação sobre a disputa pela vaga de vice na chapa de Zema. Para o vice-governador, que diz não participar das conversas, ‘há uma certa desorientação’ e 'precipitação’ nas escolhas.
“Eu falo desorientação no sentido de dúvida mesmo. O Novo vai para a primeira eleição com uma chapa competitiva. Em 2018 a gente entrou imaginando não ganhar, se naquela eleição a gente ficasse com 10% seria uma vitória. Agora não, o Novo tem a chapa mais competitiva do pleito, com uma variedade de partidos, uma eleição federal condicionando, eu imagino mesmo que os agentes envolvidos nesse processo estejam ‘desorientados’, mas no sentido de dúvida, porque é uma situação complexa”, pontua, mas critica a condução do processo que envolveu a indicação do jornalista Eduardo Costa (Cidadania).
“Eu sou amigo do Eduardo, não é uma questão pessoal. Mas faltou liturgia. Por exemplo, se por hipótese, eu sou convidado para ser o candidato a vice, eu não aceitaria sem antes conversar com o PSDB. Porque o meu partido tem outro projeto que é uma candidatura própria”, comentou. “No Brasil, os partidos estão enfraquecidos, e a gente não pode contribuir para enfraquecê-los mais, temos que fortalecer o partido em que estamos”, completou.
O impasse ocorre porque o Cidadania está federado com o PSDB, com isso, os dois partidos precisam caminhar juntos nas decisões e os tucanos seguem com a candidatura do ex-deputado Marcus Pestana.
“E nessa situação, talvez o mais prejudicado seja o próprio Eduardo. Porque ele foi convidado, mas existe a variável da federação, então é preciso conversar com o PSDB. Eu acho que teve açodamento nesse processo que criou todo esse mal estar”, avaliou.







