PROTESTO

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) subiu o tom contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) por causa do ato final da caminhada organizada pelo parlamentar, que chegou à capital federal neste domingo (25/1), partindo de Minas Gerais. Além dos riscos da caminhada, um raio deixou seis pessoas em estado grave na chegada a Brasília.

O ato protesta contra as condenações aos envolvidos no 8 de janeiro - incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - e teve a participação do pastor Silas Malafaia e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-SP), além de outros políticos de direita.

Hilton classificou o protesto como uma demonstração de "irresponsabilidade" e acusou o colega de colocar a vida de manifestantes — incluindo crianças — em perigo para obter ganhos políticos.

De acordo com a parlamentar paulista, o evento ocorreu sem as autorizações necessárias da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O trajeto pelo acostamento de rodovias federais, sob condições climáticas adversas e sem escolta oficial, teria resultado em outros incidentes, como a queda de um caminhão de som que deixou participantes feridos.

"Ele priorizou ganhos pessoais e eleitorais em detrimento da segurança de quem o segue", afirmou a deputada. Hilton definiu a mobilização como "passeatinha da bandidagem". Ela também prestou solidariedade aos hospitalizados durante o percurso, reforçando que o parlamentar mineiro teria ignorado alertas prévios sobre os riscos da logística do evento.

Em publicação na rede social X neste domingo (25/1), ela prestou solidariedade às pessoas feridas após a queda de um raio "na caminhada liderada, de forma completamente irresponsável, pelo deputado Nikolas Ferreira. Entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais. E sei que isso pode parecer implicância. Mas, pelo amor de Deus, os registros publicados pelo próprio deputado indicam que havia crianças ali no meio. Quem convoca a população pra andar 200 quilômetros no acostamento de uma BR, o que já é um risco em si, precisa ter o mínimo de clareza mental para dialogar com autoridades, se atentar aos alertas de risco dos órgãos competentes, olhar pra cima e ver as condições do céu e, em caso de tempestade com raios, parar em um local protegido", postou.

Para a deputada, essa é uma responsabilidade que também recai sobre todos os outros políticos que acompanhavam a caminhada e os próprios manifestantes, principalmente os que levaram crianças. "Pois é melhor uma responsabilidade na cabeça do que um raio. Mas, infelizmente, os políticos e manifestantes priorizaram mais a liberdade de um bandido do que a vida humana. E Nikolas priorizou apenas sua chance de ouro de escantear a família Bolsonaro e roubar pra si seus eleitores. Hoje, esses eleitores estão no hospital", escreveu.

A crítica ao ato final da caminhada é o capítulo mais recente de uma série de ofensivas jurídicas e políticas de Erika Hilton contra Nikolas Ferreira. A deputada mantém frentes ativas contra o parlamentar em diferentes instâncias, como um questionamento sobre a disseminação de informações falsas relacionadas ao sistema de pagamentos Pix, no âmbito do Ministério Público Federal (MPF), e uma representação por suposta violação de medidas cautelares anteriormente impostas ao deputado, no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).