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string(107) "Em proposta de delação, Vorcaro liga doações a Bolsonaro e Tarcísio à propina intermediada por Kassab"
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string(14239) "Brasil247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em sua proposta de delação premiada que R$ 5 milhões doados às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL), nas eleições de 2022, tiveram origem em uma negociação de propina relacionada à continuidade do Credcesta no governo de São Paulo.
Segundo a coluna do jornalista Fabio Serapião, do UOL, Vorcaro relatou na proposta de delação que as contribuições eleitorais teriam sido “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.
Nas eleições de 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados na operação Compliance Zero, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo paulista e outros R$ 3 milhões para a tentativa de reeleição de Bolsonaro à Presidência da República.
Segundo Vorcaro, Zettel foi acionado por ele para fazer as contribuições. O ex-banqueiro afirma, no entanto, que seu cunhado não tinha “conhecimento das reais motivações do pagamento”.
A proposta de colaboração sustenta que Zettel “tinha interesses ideológicos afeitos ao dos candidatos” e, por essa razão, não teria se oposto a realizar os repasses com recursos provenientes de negócios mantidos em sociedade com Vorcaro.
A negociação envolvendo o Credcesta
O Credcesta é um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Master e ligada a familiares de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
Em março de 2022, durante o governo João Doria, São Paulo autorizou empresas como a PKL a oferecer crédito consignado a servidores públicos estaduais civis e militares, incluindo inativos e reformados, por meio de cartão de benefício. A operação do Credcesta começou em julho daquele ano, quando Rodrigo Garcia governava o estado.
O negócio passou a ter importância para o grupo de Vorcaro. Segundo o relato apresentado pelo ex-banqueiro às autoridades, a perspectiva de vitória de Tarcísio na eleição paulista levou Augusto Lima, responsável pela operação do Credcesta no banco, a buscar meios de assegurar sua continuidade na administração seguinte.
“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, afirma trecho da proposta de delação.
Na versão apresentada por Vorcaro, Lima aproximou-se de Gilberto Kassab, que apoiava a candidatura de Tarcísio e posteriormente assumiria a Secretaria de Governo de São Paulo.
Vorcaro sustenta que foi informado por Lima sobre um “ajuste indevido” envolvendo Kassab e que o entendimento estabelecia contrapartidas financeiras para assegurar a permanência da operação.
Doações oficiais e suposto caixa dois
De acordo com a proposta de colaboração, o suposto acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo, além de contribuições eleitorais destinadas ao PSD e a outros partidos relacionados politicamente a Kassab.
“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, diz trecho da delação.
Vorcaro relaciona então o que chama de “doações eleitorais exigidas em contrapartida à continuidade do programa Credcesta no Estado de São Paulo”. Segundo o relato, R$ 5 milhões teriam sido repassados oficialmente: R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro.
Além disso, Vorcaro afirma que aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido pagos em espécie, de maneira informal, a pessoas interpostas de Kassab. O dinheiro teria sido entregue por Thiago Botelho, conhecido como Papel, e, conforme as informações que teriam chegado ao ex-banqueiro, seria destinado às campanhas do PSD.
Vorcaro afirma ter procurado Fabiano Zettel para efetuar as contribuições oficiais destinadas a Bolsonaro e Tarcísio.
“Isso ocorreu por solicitação de Augusto Lima, que informou ao Colaborador que sua relação próxima com políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) o impedia de doar oficialmente a adversários”, registra a proposta de delação.
Vorcaro diz que contrapartida foi concretizada
O ex-banqueiro sustenta ainda que tanto as doações oficiais quanto os pagamentos que descreve como caixa dois efetivamente ocorreram.
Segundo sua versão, a contrapartida atribuída ao grupo político ligado a Kassab também teria sido concretizada, porque o Credcesta permaneceu operando no governo paulista por mais de um ano.
Em 9 de dezembro de 2024, Tarcísio editou o Decreto nº 69.126/2024, que ampliou para outras instituições o mercado de crédito consignado destinado aos servidores públicos. O credenciamento da PKL acabou suspenso em fevereiro de 2026, após o escândalo envolvendo o Banco Master.
Vorcaro afirma em sua proposta que o Credcesta era o principal ativo do Banco Master e que a manutenção e expansão da operação para novos estados ou governos envolvia o pagamento de vantagens a políticos e operadores locais.
Propostas de delação foram rejeitadas pela PGR e pela PF
O relato sobre as doações apareceu nas três versões da proposta de delação de Daniel Vorcaro apresentadas às autoridades. Nenhuma delas foi aceita pela Polícia Federal ou pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As autoridades justificaram as negativas pela ausência de ineditismo e de elementos de corroboração.
Na semana passada, Vorcaro pediu para prestar depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a audiência, voltou a manifestar interesse em firmar um acordo de colaboração.
A PGR, porém, novamente rejeitou a proposta sob o argumento de que Vorcaro não apresentou fatos novos.
Kassab diz que relato é “absolutamente fantasioso”
Gilberto Kassab refutou as acusações e afirmou nunca ter negociado doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Ele reconheceu conhecer Lima e Thiago Botelho, mas negou ter discutido o Credcesta com ambos.
“Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, declarou Kassab.
Procurado pela reportagem, Augusto Lima informou que não comentaria o caso.
Tarcísio nega vínculo com Vorcaro
O governador de São Paulo também negou ter qualquer relação com Vorcaro. Em nota, afirmou que sua campanha eleitoral de 2022 recebeu recursos de mais de 600 doadores e respeitou a legislação.
“A campanha de Tarcísio de Freitas de 2022 contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral. O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas da campanha foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”, afirmou.
A manifestação acrescenta que a participação de instituições no sistema estadual de consignações é realizada por credenciamento público e regulamentada por normas anteriores à atual administração.
Segundo a nota, o credenciamento da PKL One Participações ocorreu em maio de 2022, ainda na gestão anterior à de Tarcísio.
“No caso da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto, na gestão anterior, e conforme as regras vigentes.”
O governo paulista acrescentou que o credenciamento “não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos” e permite que os servidores escolham entre as instituições habilitadas. para realizar operações consignadas.
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Segundo a coluna do jornalista Fabio Serapião, do UOL, Vorcaro relatou na proposta de delação que as contribuições eleitorais teriam sido “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”.
Nas eleições de 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e um dos investigados na operação Compliance Zero, doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo paulista e outros R$ 3 milhões para a tentativa de reeleição de Bolsonaro à Presidência da República.
Segundo Vorcaro, Zettel foi acionado por ele para fazer as contribuições. O ex-banqueiro afirma, no entanto, que seu cunhado não tinha “conhecimento das reais motivações do pagamento”.
A proposta de colaboração sustenta que Zettel “tinha interesses ideológicos afeitos ao dos candidatos” e, por essa razão, não teria se oposto a realizar os repasses com recursos provenientes de negócios mantidos em sociedade com Vorcaro.
A negociação envolvendo o Credcesta
O Credcesta é um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Master e ligada a familiares de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.
Em março de 2022, durante o governo João Doria, São Paulo autorizou empresas como a PKL a oferecer crédito consignado a servidores públicos estaduais civis e militares, incluindo inativos e reformados, por meio de cartão de benefício. A operação do Credcesta começou em julho daquele ano, quando Rodrigo Garcia governava o estado.
O negócio passou a ter importância para o grupo de Vorcaro. Segundo o relato apresentado pelo ex-banqueiro às autoridades, a perspectiva de vitória de Tarcísio na eleição paulista levou Augusto Lima, responsável pela operação do Credcesta no banco, a buscar meios de assegurar sua continuidade na administração seguinte.
“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, afirma trecho da proposta de delação.
Na versão apresentada por Vorcaro, Lima aproximou-se de Gilberto Kassab, que apoiava a candidatura de Tarcísio e posteriormente assumiria a Secretaria de Governo de São Paulo.
Vorcaro sustenta que foi informado por Lima sobre um “ajuste indevido” envolvendo Kassab e que o entendimento estabelecia contrapartidas financeiras para assegurar a permanência da operação.
Doações oficiais e suposto caixa dois
De acordo com a proposta de colaboração, o suposto acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo, além de contribuições eleitorais destinadas ao PSD e a outros partidos relacionados politicamente a Kassab.
“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, diz trecho da delação.
Vorcaro relaciona então o que chama de “doações eleitorais exigidas em contrapartida à continuidade do programa Credcesta no Estado de São Paulo”. Segundo o relato, R$ 5 milhões teriam sido repassados oficialmente: R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro.
Além disso, Vorcaro afirma que aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido pagos em espécie, de maneira informal, a pessoas interpostas de Kassab. O dinheiro teria sido entregue por Thiago Botelho, conhecido como Papel, e, conforme as informações que teriam chegado ao ex-banqueiro, seria destinado às campanhas do PSD.
Vorcaro afirma ter procurado Fabiano Zettel para efetuar as contribuições oficiais destinadas a Bolsonaro e Tarcísio.
“Isso ocorreu por solicitação de Augusto Lima, que informou ao Colaborador que sua relação próxima com políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) o impedia de doar oficialmente a adversários”, registra a proposta de delação.
Vorcaro diz que contrapartida foi concretizada
O ex-banqueiro sustenta ainda que tanto as doações oficiais quanto os pagamentos que descreve como caixa dois efetivamente ocorreram.
Segundo sua versão, a contrapartida atribuída ao grupo político ligado a Kassab também teria sido concretizada, porque o Credcesta permaneceu operando no governo paulista por mais de um ano.
Em 9 de dezembro de 2024, Tarcísio editou o Decreto nº 69.126/2024, que ampliou para outras instituições o mercado de crédito consignado destinado aos servidores públicos. O credenciamento da PKL acabou suspenso em fevereiro de 2026, após o escândalo envolvendo o Banco Master.
Vorcaro afirma em sua proposta que o Credcesta era o principal ativo do Banco Master e que a manutenção e expansão da operação para novos estados ou governos envolvia o pagamento de vantagens a políticos e operadores locais.
Propostas de delação foram rejeitadas pela PGR e pela PF
O relato sobre as doações apareceu nas três versões da proposta de delação de Daniel Vorcaro apresentadas às autoridades. Nenhuma delas foi aceita pela Polícia Federal ou pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As autoridades justificaram as negativas pela ausência de ineditismo e de elementos de corroboração.
Na semana passada, Vorcaro pediu para prestar depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a audiência, voltou a manifestar interesse em firmar um acordo de colaboração.
A PGR, porém, novamente rejeitou a proposta sob o argumento de que Vorcaro não apresentou fatos novos.
Kassab diz que relato é “absolutamente fantasioso”
Gilberto Kassab refutou as acusações e afirmou nunca ter negociado doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Ele reconheceu conhecer Lima e Thiago Botelho, mas negou ter discutido o Credcesta com ambos.
“Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, declarou Kassab.
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Tarcísio nega vínculo com Vorcaro
O governador de São Paulo também negou ter qualquer relação com Vorcaro. Em nota, afirmou que sua campanha eleitoral de 2022 recebeu recursos de mais de 600 doadores e respeitou a legislação.
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A manifestação acrescenta que a participação de instituições no sistema estadual de consignações é realizada por credenciamento público e regulamentada por normas anteriores à atual administração.
Segundo a nota, o credenciamento da PKL One Participações ocorreu em maio de 2022, ainda na gestão anterior à de Tarcísio.
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