BRASÍLIA — A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) negou nesta quinta-feira (7/5) qualquer irregularidade atribuída ao parlamentar na nova fase das investigações sobre o caso Banco Master.

Mais cedo, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que teve o senador entre os alvos, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota, os advogados afirmaram repudiar “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo a atuação do senador e disseram que Ciro irá colaborar com as investigações.

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“O senador reitera seu comprometimento em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”, diz o texto.

A investigação cita mensagens atribuídas a integrantes do grupo do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam pagamentos mensais destinados a Ciro.

Segundo a decisão de André Mendonça, os valores teriam começado em R$ 300 mil por mês e depois subido para R$ 500 mil. A defesa nega que o parlamentar tenha recebido uma “mesada” nesses valores.

Os advogados também questionaram os fundamentos da operação. Segundo a defesa, as medidas teriam sido tomadas com base em mensagens extraídas de celulares de terceiros, sem apreensão ou análise de aparelhos ligados diretamente ao senador.

Kakay questiona celular de Ciro não ser alvo de busca

Na saída da residência de Ciro, em Brasília, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou a jornalistas que a defesa considera “estranho” o fato de a investigação ter avançado para uma busca e apreensão sem, segundo ele, haver “qualquer celular do próprio senador” entre os materiais analisados.

Kakay citou precedentes da Operação Lava Jato e afirmou que o próprio STF estabeleceu, em julgamentos anteriores, a necessidade de “corroboração externa” para medidas investigativas mais invasivas. “Foi uma surpresa ter uma medida de busca e apreensão com base, até onde podemos ver, em celular de terceiro”, disse.

Segundo o advogado, a primeira providência da defesa será pedir acesso integral aos autos da investigação. Apesar das críticas, ele afirmou que a operação ocorreu de forma “absolutamente respeitosa e tranquila”, sem “espetacularização”.

A defesa também minimizou a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e apontado pela PF como núcleo central do esquema investigado. “Eles tinham uma relação natural de um grande banqueiro com um senador da República”, afirmou Kakay.

Os advogados sustentam ainda que é comum parlamentares apresentarem propostas de interesse de determinados setores econômicos. “É natural que um senador ou deputado apresente medidas que julgue importantes para determinado setor”, declarou.

Na decisão que autorizou a operação, André Mendonça afirmou haver indícios de que Ciro teria usado o mandato parlamentar para beneficiar interesses do Banco Master em troca de vantagens financeiras.

O ministro cita, entre os elementos reunidos pela PF, pagamentos mensais, viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e a compra de participação societária com valor abaixo do mercado.

A investigação também aponta suspeitas em torno da chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro à PEC 65/2023. Segundo a PF, o texto teria sido elaborado por integrantes ligados ao banco e reproduzido “de forma integral” pelo senador. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Além de Ciro Nogueira, a operação desta quinta-feira teve como alvo outros investigados, entre eles Raimundo Nogueira, irmão do senador, e Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. A PF apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro no âmbito do caso Banco Master.